quarta-feira, 31 de março de 2010

Cenas de uma academia...

Já tive diversas fortuitas passagens por academias. E, invariavelmente, elas eram abreviadas por uma equação fatal que tinha como elementos a minha preguiça de fazer exercícios pela manhã (elevada ao quadrado) e uma certa intolerância aos tipos comuns nesse tão específico ambiente. Uma gente egocêntrica, narcisista e, em boa medida, dona de uma conversa bem fútil. Combinação explosiva que jamais me fez durar mais que um semestre malhando ininterruptamente.
Dessa vez tem sido diferente. Malho depois do trabalho, à noite, e a preguiça simplesmente deixou de ser uma variável. Motivado pelos quinze quilos eliminados, sigo com mais humor para a malhação e nem me importo com a curiosa fauna de marombeiros e tchutchucas saradonas que disputam halteres e aparelhos comigo.
Mas, por vezes, é difícil não rir desses tipos. Hoje, vi uma senhora como cabelo no melhor estilo Xororó anos 80. Até aí, tudo bem. Sim, ok...nem tão bem, mas não me diz respeito. O fato é que a sósia do pai de Sandy & Jr parecia meditar sobre os rumos da economia mundial enquanto eu esperava para dar sequência aos exercícios no mesmo aparelho. E como a gente não comanda a mente o tempo todo, acabei soltando uma gargalhada ao imaginar a sertaneja malhadora matutando sobre as ofertas de amanhã no supermercado. Ou sobre o que faria pro maridão no jantar. Surreal!
Quando Xororó me deu a vez, fui lá carregar meu peso e, no descanso entre as repetições, avistei um daqueles marombeiros típicos. Todo bombado, todo suado. Aquele tipo clássico. Mas o curioso foi notar que, enquanto malhava, o cara se observava no espelho com aquele típico olhar de ave aprisionada. De modo que não foram precisos mais que dez segundos pra que eu sacasse que aquela lagarta musculosa está malhando pra virar uma resplandecente borboleta...
Mas em matéria de personagens curiosos, nada se compara ao instrutor. Gente boa, já deixou escapar mais de uma vez uma certa aversão aos "ratos de academia". E hoje, quando eu e uma amiga reclamamos do frio na sala de musculação, ele revelou: "Fui eu que abaixei a temperatura do ar. É pra ver se esses marombeiros vão embora logo!".
Estranho? Talvez seja porque a academia fica na Lapa...

terça-feira, 30 de março de 2010

Vingança de Figurinista - parte 11

Coitado do Jô! Faz dieta, antecipa o retorno das férias...e volta a ser assombrado pelo vilão de todas as noites! Olha isso:

A foto não revela toda a "riqueza de detalhes" do visual: as listas da gravata são amarelas. E a camisa também tem listas vermelhas...
É muita cor pra ver em high definition, turma! Dá até vontade de fazer como o pessoal do CQC e usar óculos escuros!!!
Bom, tenho cá meus palpites sobre a razão de ser desse figurino nada sutil:

1. Merchandising de alguma embalagem de catchup;
2. O lançamento de uma nova versão do extrato de tomate do elefante;
3. Jô quer demonstrar como seria bacana ter uma poltrona nova - e vermelha - para dar uma "esquentada" no cenário velho.

E você? Tem alguma hipótese?

E Dourado vence o BBB 10...

Colocar o programa na mídia e, mais que isso, na boca do povo, é um grande mérito de sua produção. Goste-se ou não do BBB, ninguém pode negar a competência e o êxito de sua realização. Não é por menos que a versão brasileira da franquia é tida, hoje, como um exemplo a ser seguido pelo mundo. Mantendo convenções do formato e acrescentando ingredientes apimentados como a melhor das culinárias brasileiras, Boninho e sua equipe criaram o um Big Brother com a cara do Brasil. E que apaixonou os brasileiros.
Sobre o resultado desta edição, serei breve: dia desses fiz um post perguntando "Será que eu vejo o BBB que você vê?". Pois bem, a final do BBB 10 me provou que não. Embora, cá entre nós, essa foi uma edição em que ninguém parecia ter grandes méritos para faturar o prêmio.
Por ora, viremos a página...
E você, o que achou?
Comentaê!!!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 84

Sou cliente do mesmo banco há 12 anos. Recentemente, ele foi adquirido por um grupo internacional. E, posteriormente, esse grupo internacional que o havia adquirido foi anexado por um mega-grupo internacional. Ou seja: a instituição financeira que escolhi para confiar meus níqueis é praticamente um corrimão de escada de desembarque de avião vindo de um voo internacional: qualquer gringo que chega, passa a mão!
Já imaginaram como é louco saber que suas economias mudam de mãos assim, da noite pro dia? A gente pode não perceber ou evitar se preocupar com o assunto, mas que é esquisito, é! E se não bastasse esse sentimento de cornitude - já que os correntistas, nessas operações, são sempre os últimos a saber - fiquei meio intrigado com a atual situação do banco. A empresa, que foi uma das pioneiras a se valer do discurso da sustentabilidade, usando materiais impressos em papel reciclado, passou a me mandar incontáveis cartas! Toda semana!
É carta pra dizer que o banco vai mudar de nome, é carta pra dizer que o telebanco agora é mais seguro, é carta pra dizer que eu vou notar que as agências ficarão com novo layout...é carta pra tudo! E, cá entre nós, meu Deus, se eu vou notar que a cor das paredes da agência vai mudar, por que diabos me avisar por carta???
Tudo bem que o papel continua sendo reciclado, mas...não é pra sair desperdiçando assim, certo?
É ou não é pra achar que meu banco saiu da real???

Uêpa: Ricky Martin assume homossexualidade...

De Menudo a popstar internacional, o cantor Ricky Martin passou parte considerável dos seus 38 anos diante dos holofotes. Sob as luzes, cantando, dançando e representando, virou símbolo sexual e conquistou o topo das paradas como cantor. Mas ontem, o artista deixou de lado um incômodo papel e assumiu, em texto publicado em seu blog, que gosta de homens.
Embora ninguém pudesse provar nada antes, a revelação de Ricky não chegou exatamente a pegar muita gente de surpresa. Ao menos, não pelo conteúdo. E isso não faz a menor diferença. O que faz diferença é a coragem do cantor em tocar num assunto tão delicado publicamente. E Ricky fez isso de forma igualmente delicada. O texto é muito bonito e demostra como a vida pode ser pesada e sofrida para quem precisa esconder parte tão fundamental dela.
Dando um tapa na cara do preconceito, Ricky Martin mostrou que é um grande homem.
Mandou bem!

domingo, 28 de março de 2010

Sobre os benefícios das dúvidas...

Guardado em mim mesmo, vou levando a vida em frente. Gastando os dias, acumulando saudades e esperanças. Saudades do que se foi, esperanças do que pode vir a ser...
Vou aprendendo a me conhecer, a me reconher. E, também, a me desconhecer. E vou desconhecendo certezas. Aliás, como são incômodas as certezas! Invariavelmente a vida nos prova que elas não eram nada certas e nós, cheios de pretensão, acabamos decepcionados.
O bom mesmo é ter dúvidas! Dúvidas sobre o amanhã, sobre os sentimentos, sobre o que pedir no almoço, sobre a hora certa pra se falar que se ama alguém. Dúvidas sobre a sinceridade dos outros - que nem sempre estão tão dispostos a ser sinceros quanto dizem - e, mais que tudo, dúvidas sobre nós mesmos.
O certinho, cheio de certezas, é um inabalável candidato à prepotência. E a ser tachado de insuportável por todos...

Mensagem subliminar na votação do BBB?

Entrei no site do BBB pra dar uma votadinha - pra tirar Lia da casa, claro - e eis a palavra que o sistema de aprovação do voto exibiu:
Gente, é real! Não tem adulteração alguma nessa imagem! Mas que esse computador é espertinho, isso é...

E o BBB da diversidade reitera a intolerância...

Capitão da Nave BBB, Pedro Bial manda rivais se cumprimentarem antes de anunciar a eliminação de Dicesar...
Ontem, quando Bial pediu que Dourado e Dicesar, rivais no paredão, ficassem frente a frente e se cumprimentassem, o Brasil estava diante de um castigo de escola sendo imposto a dois marmanjos. Aquela saudação oriental soou patética, é bem verdade, e parecia um pedido desesperado de uma professora primária para que os dois coleguinhas ficassem de bem para dar o "bom exemplo" aos demais companheiros de classe. Soou caricato porque, sabemos, Dourado e Dicesar estão longe de ser coleguinhas. E porque os companheiros de classe são milhões e milhões de brasileiros que, ao longo de 75 dias de confinamento, repetiram aqui fora os erros e acertos de seus dois ídolos confinados.
Quando um conceito absurdo como o da heterofobia ganha força - e é propalado em rede nacional - nota-se que o BBB da diversidade atrapalhou bastante os avanços no combate à homofobia. E não culpo aqui os realizadores do programa: culpo a boçalidade de muitos dos confinados. Afinal, a única que parecia ter propriedade para discutir esse assunto foi Elenita, eliminada logo nas rodadas iniciais.
Se Dourado pode ser criticado por, entre outros absurdos, dizer que os "heterossexuais não pegam Aids", Dicesar, Serginho e, em menor escala, Angélica também merecem críticas por terem se deixado engolir a ponto de não conseguirem argumentar com o oponente. Eles foram lá pra faturar o prêmio, e, muito provavelmente atitudes mais ostensivas teriam contribuído para que o jogo ganhasse outras cores. E atitudes.
A tal Máfia Dourada, torcida que andou tocando o terror em blogs, no twitter e no orkut de Dicesar, é um belo exemplo de intolerância. E, em certa medida, de falta de habilidade para ler o jogo. Com Dourado favorito ao prêmio, é muito prejudicial que manifestações, ameaças e posicionamentos violentos surjam associados ao nome do jogador.
Manifestações como essa demonstram que, depois do BBB 10, a intolerância está mais viva do que nunca...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Casal Nardoni é condenado pela morte da menina Isabela...

Zapeando entre a Bandeirantes e a Globonews, parei na emissora aberta. E nela assisti ao anúncio da pena atribuída ao pai e à madrasta de Isabela Nardoni. Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e 10 dias de prisão em regime fechado. Por ser o pai da vítima - e por ter, assim, praticado um crime contra descendente - recebeu pena maior do que a da mulher. Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão. Pelo crime de fraude processual, os dois cumprirão ainda 8 meses de prisão em regime semiaberto e pagarão 24 dias multa.
A sensação de que, enfim, a justiça foi feita, é apaziguadora. Mas, por outro lado, deixa uma sensação horrível no ar. Imaginar que, caso a promotoria e os jurados estejam certos, o próprio pai tenha agido de forma tão covarde contra a criança é revoltante, assustador.
Mas, comentários sobre a pena deixados de lado, confesso que fiquei indignado com as manifestações na porta do fórum. Que tipo de gente é esse que leva câmeras fotográficas e fica pulando diante das câmeras de TV num momento como esse? Transformar esse anúncio da sentença numa espécie de micareta mostra o quanto ainda somos imaturos como sociedade. E o quanto parte da nossa gente ainda está distante do ideal de justiça. Essa foi uma noite triste, na qual um pai foi punido pelo assassinato da filha, uma criança de cinco anos. Uma noite em que duas outras crianças pequenas também foram condenadas a uma vida sem o convívio dos pais, que, agora, passam a viver oficialmente como condenados pela Justiça. E uma noite em que uma mulher, Ana Carolina, mãe de Isabela, deve estar sofrendo como nunca. Pra mim, essa foi uma noite de luto.
No mais, resta apenas lamentar o caminho do espetáculo que, mais uma vez, algumas emissoras de TV optaram por trilhar na noite de hoje. E lastimar pelos profissionais de Direito que se prestam a participar de palhaçadas televisionadas que em nada ajudam a esclarecer a audiência. Uma vergonha!
E você, o que achou dessa história toda?
Comentaê!!!

Sobre o julgamento dos Nardoni...

Acompanho as notícias sobre o julgamento do caso Isabela com a mesma ansiedade que tantos outros milhões de brasileiros. Cercado de mistério e com uma aura de crueldade, esse crime chocou a sociedade e isso explica, em parte, tamanha mobilização em torno do desfecho do caso.
Sobre fatos e versões, creio que haja pouco a ser dito. Se a opinião pública parece já ter condenado o casal, a defesa não parece ter sido hábil ao cunhar a tese de que uma terceira pessoa pode ter invadido o apartamento e cometido o crime. Ou seja: sobre os jurados paira a decisão de concordar com a opinião pública, condendando os réus, ou absolverem os dois e deixarem no ar um crime insolúvel - já que nada comprova a hipótese redentora de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá.
Um ponto que tem me incomodado um pouco nesse caso é o clime de final de campeonato na frente do fórum. É imperdoável que as pessoas gritem, xinguem e - pior - tentem agredir fisicamente o advogado de defesa. Ele é um profissional no pleno exercício de sua função. E esse tipo de comportamento selvagem em nada contribui para que o caso seja elucidado.
A condução dos trabalhos parece equilibrada, pelo que tenho ouvido e lido, inclusive no Twitter. E me refiro ao juiz, que fique claro. Por outro lado, creio que o clima de torcida na porta do fórum teria sido minimizado se a Justiça tivesse autorizado a transmissão do julgamento. Se não pela TV, ao menos pela internet. Por mais que se possa criticar tanto interesse público, é fato que as pessoas estão ansiosas por informações e, em pleno século XXI, parece um retrocesso evitar que as novas mídias possam ajudar a saciar essa sede por notícias. Alguns poderão dizer que uma eventual transmissão poderia transformar o julgamento num espetáculo. Sim, poderia. Mas isso também seria uma bela forma de analisarmos a maturidade dos profissionais da Justiça.
No entanto, de todos os fatos relacionados ao julgamento, nada me chocou mais que o isolamento imposto à mãe de Isabela, Ana Carolina Oliveira. Deixá-la sozinha numa sala, sem poder assistir ao julgamento que pode condenar os principais suspeitos da morte de sua única filha, embora uma solução legal, foi, também, uma grande crueldade. Sofrimento duplo pra essa jovem mulher.
Enfim, que a justiça se faça.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Breve no Salto: Sérgio Britto e Barbara Heliodora...

Repórter e fã: clique com Sérgio Britto depois da entrevista...
Ontem eu tive um daqueles dias de ouro na carreira de um jornalista: entrevistei dois grandes nomes ligados ao teatro brasileiro e tive o privilégio de ter aulas privativas com eles. Falo de Sérgio Britto e Barbara Heliodora.
Sérgio é colega de emissora. Sempre cortês nos corredores e elevadores, era naturalmente mais próximo. Eu já o tinha entrevistado há uns seis, sete anos. Mas, na ocasião, o papo tinha sido curtinho. Ontem, falamos longamente sobre o início da carreira desse grande ator e sobre a grandeza do ofício de representar. Aos 86 anos, Sérgio Britto parece um garoto apaixonado pela primeira vez ao descrever sua relação com o teatro. Um dos maiores profissionais da história do teatro brasileiro, ele demonstra uma memória impecável: cita datas, autores, locais e detalhes de grandes montagens de que já participou. Ou que assistiu.
Entre outras coisas, Sérgio me contou que nunca fez um curso de interpretação. O que sabe, aprendeu fazendo. Criticou o "o exacerbado desejo de estar na telinha", tão comum entre os atores mais jovens, e, com brilho nos olhos, disse: "Não consigo ver outra profissão melhor e mais bonita que a do ator". Difícil não acreditar...
Da casa de Sérgio Britto, fomos para a de Barbara Heliodora. Respeitada crítica teatral - uma das maiores referências da área no país - essa senhora de quase 90 anos tem fama de durona. E, confesso: isso mexeu comigo. Cheguei ao local da gravação preparado para fazer uma entrevista difícil. Mas, logo ao entrar, fui surpreendido com um largo sorriso daquela senhora incomodada com o desconforto trazido por uma tarde de outono bem mais quente que o desejável. "Esse calor é insuportável!", ela disse. E rimos...
Foi apenas a primeira risada de muitas que viria a dar durante toda a gravação. Igualmente apaixonada pelo teatro, Barbara Heliodora me contou que já viu mais de 3.200 peças em sua vida! O recorde foi em Londres: 27 peças em 22 dias! Uma maratona que só poderia ser cumprida por alguém que se auto-define como uma "tarada por teatro".
Barbara Heliodora já viu mais de 3.200 peças de teatro
Generosa, dona Barbara - como a chamei durante a conversa - contou qual a estrutura que procura seguir em suas críticas e revelou que muito raramente toma nota de detalhes enquanto está na plateia. Quando perguntei sobre o mito do "crítico que amedronta autores, diretores e elenco", ela disse que isso é uma grande bobagem. E com os mesmos olhos brilhantes que vi em Sérgio Britto, esclareceu: não vai ao teatro em busca de defeitos! "Não há nada melhor do que ver um bom espetáculo de teatro", contou.
E, novamente, sou obrigado a dizer: difícil não acreditar!
Pena que, de tão entusiasmado com a conversa, nem pedi a alguém para registrar o momento. Mas pego um still do vídeo e publico aqui assim que possível, certo? UPDATE: A imagem já está no devido lugar. E ficou bem bacana!!!
Voltei à redação feliz da vida. Com boas entrevistas gravadas e, mais que isso, feliz por conhecer mais de perto dois apaixonados pelo que fazem. É essa paixão que quero conservar em mim também...

Quem quiser conferir as entrevistas, pode ficar ligado no Salto para o Futuro em maio. A gente está preparando uma bela série sobre Teatro. Clique aqui e saiba mais.

A Bad Performance de Claudia Leitte...

Quando um amigo me falou do mico que a baiana pagou ao fazer uma interpretação do sucesso de Lady GaGa, jurei que não postaria nada a respeito. Afinal, artistas também são seres humanos e, obviamente, é claro que estão sujeitos a esquecer letras no palco. Taí a Vanusa que não me deixa mentir...
Mas aí, meus caros, eu vi o vídeo. E, contrariando minha decisão anterior, resolvi tocar no assunto. Mas antes, vamos ao trecho da apresentação:

Agora me digam, é ou não é caso de processo? Porque, além de esquecer a letra, Claudia Leitte ainda interpreta os versos que sabe num inglês, digamos, muito peculiar. É Bad Romance, mas parece mais o embromation-tion, o embromation-tion...
A loira não precisava pagar um mico desses. Precisava?

terça-feira, 23 de março de 2010

Será que eu vejo o BBB que você vê?

Na noite de ontem, diante do resultado do paredão entre Lia e Anamara, uma pulga pesada como um rinoceronte passou a me incomodar aqui atrás da orelha. Uma pulga ainda mais estranha porque, creiam, aproveitou-se da proximidade para me cochichar algo. Sua voz era de desenho animado e, irônica como ela só, sussurrou:
- Otário! Esse programa que você tá vendo, ninguém tá vendo!
Tentei afastar a visitante indesejada de mim, mas o recado já estava dado! E a semente do mal, plantada e germinando dentro dessa cabeça tão confusa diante dos números que o Bial tinha dito instantes antes na TV. Mais de 92 milhões de votos! E 57% deles para a baiana Anamara!
Sacodi a cabeça repetidas vezes. Não era fã da conterrânea de Ivete Sangalo, muito pelo contrário. Mas lamentei particularmente a permanência de sua oponente no jogo...
À essa altura já tinha despejado de minha orelha a tal pulga obesa e, aliviado, voltava a gozar do meu pleno juízo. Certo de quem sou, do que gosto e do que não suporto. E, de volta à realidade, constatei: nada pode ser mais insuportável que alguém que está sempre a apontar o dedo para os outros, a julgar-lhes os defeitos e a duvidar das qualidades. Alguém que se acha no direito de dizer tudo o que pensa sem, jamais, considerar ou cogitar a possibilidade de um outro ponto de vista. Nada pode ser mais chato do que alguém que se acha no poder de todas as verdades do mundo e, pior, nada mais pretensioso que os que se julgam no direito de tentar impor essas suas verdades aos que lhe cercam.
Bonita, sexy e, por vezes, engraçada, Lia é, também, a soma de todas essas características enumeradas no parágrafo acima. Brigou com boa parte da fauna que passou por esse BBB - inclusive com Dourado, a quem agora trata como um amigo de infância. Fez fofoca e falou mal de todos os jogadores - à exceção de Cadu - e passou a criticar um dos adversários - Dicésar - como se fosse ele o único maledicente no jogo.
Lia venceu Anamara e segue no jogo. E, a partir de agora, qualquer coisa pode acontecer no reality show mais assistido do país. Sim, porque não há um único brother realmente carismático dentro da casa. Dourado lá está para cumprir o seu papel e polemizar bastante. Cadu e Fernanda abriram mão de criar e/ou revelar suas próprias identidades: tornaram-se coadjuvantes de uma história sem protagonistas. Lia conspira, não respira. Tenta se mostrar lutadora mas convence mais como barraqueira. E Dicésar, que entrou no jogo como favorito, acabou se perdendo no papel de vítima que, convenhamos, também não lhe cabe.
Pra mim, vai dar zebra no páreo do BBB 10. E essa zebra apática, que não viveu nenhum grande conflito, não beijou ninguém e nem esteve no centro de qualquer polêmica, é carioca. E, desde janeiro, é conhecida em todo o país como Cadu.
E você? Torce para alguém? Tem uma aposta?
Comentaê!!!

segunda-feira, 22 de março de 2010

B@belturbo entrevista: Oscar Filho

Os limites do humor em debate no B@belturbo...



Desde os 13 anos Oscar Filho mostrou vocação para o teatro. Premiado já no início da carreira, saiu do interior e foi para a capital de São Paulo em busca de oportunidades. E elas brotaram no solo fértil do humor. Em 2005, o ator participou da fundação do Clube da Comédia Stand Up, antecipando uma onda que invadiria os palcos da maior cidade brasileira e se espalharia por todo o país rapidamente. Figurinha fácil em shows de humor como o Terça Insana e o Comédia em Pé, Oscar também estrelou campanhas publicitárias e participou de diversas montagens teatrais.
Aos poucos, ficou conhecido na internet, por meio dos vídeos postados no YouTube. Mas a fama nacional viria em 2008, quando passou a integrar o time de homens de preto do CQC, o irreverente humorístico de formato argentino exibido pela Band. No programa, debochando de celebridades ou pegando no pé de políticos, Oscar Filho ganhou de Marcelo Tas a curiosa alcunha de Pequeno Pônei. Nesta entrevista, concedida pouco depois da estreia de seu solo de comédia em São Paulo, o ator e humorista analisa os rumos do humor.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Oscar Filho: Cada um impõe o limite que quer no seu humor. Tem certos temas que eu nunca fiz, mas outro sim e vice versa. Acho que há limites pra tudo e se alguém passa deste limite sofre as consequencias, tanto pra bem quanto pra mal. A questão é que o humor em si já é uma superação de limite. A gente ri de uma piada muitas vezes porque ela é proibida e teve alguém com coragem de dizê-la. Certos assuntos há 50 anos nem poderiam ser tocados. Aos poucos um ou outro humorista foram extendendo o campo de alcance do tema. Por exemplo, hoje em dia podemos falar mal do país sem sermos presos.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmica? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Oscar Filho: Acho que os de sempre: sexo, raça, religião... Tomara que eles continuem sendo pra nós podermos fazer cada vez mais piadas em relação a isso. Uma piada que fiz no twitter por exemplo causou uma polêmica, mas pra mim é só uma piada e não quer dizer nada. Era ela. "Jesus: mãe, o que eu vou ser quando crescer? Maria: Crucificado." Muitos disseram que eu desrespeitei a fé de muita gente. Onde? Não vejo desrespeito aí. Seria desrespeitoso se eu falasse sobre as pessoas que acreditam no catolicismo, aí sim. Outros me jogaram uma praga do tipo "você vai pagar por isso". Aí, se eu vou ou não, é um problema meu.
Sexo é um tabu que já não é mais tão tabu quanto antigamente. As pessoas até gostam de ouvir sobre isso, mas ainda existem os puritanos. Raça é um troço louco. Eu chamo preto de preto. Se eu sou branco, ele é preto. Isso não é uma afronta ou algo pejorativo. Isso está na cabeça dos outros. E é incrível a quantidade de pessoas que não são da raça tomarem partido. Se eles tomam partido mostram que a raça preta não sabe se defender. Nos EUA eles sacaneiam os brancos hoje em dia, fazem piadas. Os brancos tem que se sentir acuados? Temos que prestar atenção das nossas atitudes do presente e não no que aconteceu lá atrás. E religião é um assunto que poderia ser mais tratado também. O George Carlin fazia muito isso. Através dele, por exemplo, passei a pensar um pouco mais sobre toda essa coisa de Deus, Jesus e igreja católica.

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Oscar Filho: Quando vou escrever uma piada não penso: Bom, vamos ver o que eu não vou falar. É justamente o contrário. O que vem na minha cabeça é o que é passado pro papel. Não lembro de ter feito uma piada e ter pensado: Nossa, essa não vai agradar.

"Piada é pra rir. Algumas você ri e pensa sobre logo depois, mas existem coisas mais importantes para se preocupar", afirma o integrante do CQC
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Oscar Filho: Claro que pode cobrar. Cada um pode fazer o que quiser. Só acho que levam humor muito a sério! Piada é pra rir. Algumas você ri e pensa sobre logo depois, mas existem coisas mais importantes para se preocupar. O Sarney taí ainda.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Oscar Filho: Sim assim como inúmeras outras coisas. O politicamente correto é um saco. Quando era criança via o Pica Pau dando tiro na cara do Zeca Urubu. Nem por isso tenho uma arma em casa. Sequer sou violento, então até onde influencia? É uma questão de personalidade. Hoje em dia "não pode, não deve, é melhor não, será"?

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Oscar Filho: Ser honesto consigo. Se tem vontade de fazer o que quer que seja, faça um troço que seja você. Sendo assim, você vai seguir seus princípios. E se você passar dos limites, muito provavelmente estará se relacionando com o seu próprio limite.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Oscar Filho: Kastinguera!

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e publicada na íntegra, sem edição.
Leia os posts anteriores da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Entrevista com Maurício Zágari
Entrevista com Fábio Rabin
Entrevista com Paulo Cursino

A primeira leva de posts da série Crise de Riso? chega ao fim hoje. O B@belturbo se orgulha de ter trazido para esse debate alguns dos mais importantes humoristas e redatores de humor do país. E, claro, agradece a todos pela participação e pelo bom humor mantido até na hora de levar a arte de fazer graça a sério.
E se você, leitor, tem sugestões de mais humoristas, escreva nos comentários ou envie para a HotLine do blog.
A série passará a ser fixa aqui no blog e vai figurar nos links, ao lado direito da página. Portanto, se você ainda não leu todos os posts - ou se quer indicá-los para alguém, sinta-se em casa!

Quando o que devia ser regra vira exceção...

Parte do meu dia de ontem foi dedicado à solução de problemas com operadoras de telefonia. Até aí, dirão vocês, morreu Neves. Ou Inês é morta. Ou qualquer outro dito popular de tom funéreo. Mas o fato é que a coincidência de descascar dos abacaxias telefônicos me fez pensar bastante na qualidade dos serviços prestados pelas duas companhias: a Oi e a Vivo.
Nem preciso dizer que usar a palavra qualidade numa mesma frase que a expressão "atendimento das empresas de telefonia" parece um tanto quando descabido. E é. Mas daí veio a minha surpresa...
Depois de três dias com telefone mudo em casa - e sem banda larga - Fernando, o técnico da Oi, chegou quando eu me preparava para sair de casa. Educado, gente boa, bem humorado e dedicado a solucionar o defeito, o funcionário da problemática empresa de telefonia fixa é tudo aquilo que a companhia devia ser e não é. Inclusive no que diz respeito à eficiência. Solucionou o defeito e saiu daqui de casa me desejando bom dia. Impossível alguém deixar melhor impressão...
Já no fim do dia, lá fui eu para a loja da Vivo. A missão era resgatar pontos e trocar meu celular. E eis que entra em cena Patrícia. Bonita, inteligente, espevitada, ágil, simpática e, vá lá...sedutora! A garota fez minha tarde parecer mais leve e menos estressante - mesmo estando dentro de uma loja abarrotada de gente alterada e falando alto. Empenhada em me ver satisfeito, Patrícia bateu um bolão. E, cheia de charme, ainda me pediu pra voltar na loja qualquer hora dessas...rs!
Enfim...Patrícia e Fernando são grandes exemplos para as empresas nas quais trabalham. Precisam ser multiplicados algumas milhares de vezes para que os índices de satisfação dos clientes dessas companhias, um dia, figurem como aceitáveis. Se servir de consolo, esses dois demonstram que, havendo vontade, pode haver uma luz no fim do túnel.

domingo, 21 de março de 2010

B@belturbo entrevista: Paulo Cursino

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Há 10 anos no Rio de Janeiro, o paulista Paulo Cursino é autor de piadas que, certamente, já fizeram milhões de telespectadores rirem diante da TV nos mais diferentes cantos do Brasil. Redator de séries como "Sob Nova Direção" e de humorísticos como "Sai de Baixo", "Zorra Total" e "A Turma do Didi", Cursino também assinou o texto de especiais estrelados por ícones do humor na televisão brasileira, como Chico Anysio e Renato Aragão.
Neste ano, Paulo Cursino divide, com Marcelo Saback, o roteiro de "SexDelícia", comédia que ganhará as telonas até o fim do ano. E, ainda na TV Globo, ele trabalha na criação de "Batendo o Ponto", seriado que Ingrid Guimarães deve estrelar, no segundo semestre de 2010. Mas hoje, Paulo Cursino é quem bate o ponto no B@belturbo para defender a liberdade do humor...

B@belturbo: Há limites para o humor?
Paulo Cursino: Não. A única coisa que pode limitar o humor é a consciência de quem o faz. Se aceitarmos a idéia de que o humor precisa de limites cairemos em uma outra complicada questão que é: quem vai definir esses limites? A sociedade? O senso comum? Um dogma? Uma lei? O humor para cumprir a sua função deve ser livre e irrestrito, deve questionar e incomodar. Se um humorista ceder a quem se diz incomodado em breve terá que trabalhar de entregador de pizza. A liberdade, portanto, deve ser irrestrita. Claro que com isso estaremos sujeitos a ouvir muita bobagem, mas faz parte do jogo. Considero uma piada ofensiva um preço muito baixo a se pagar pelo o que a liberdade criativa pode nos proporcionar.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Paulo Cursino: Eu poderia enumerar vários, o próprio Tabet já mencionou o problema que há hoje em se fazer piadas com minorias, por exemplo, e detalhar mais do que isso seria chover no molhado. Gostaria de ir um pouco mais além nesta questão começando pelo o que há de mais óbvio sobre ela: os tabus são inevitáveis. Não existe vida social sem tabus e não há como o humor, que é uma manifestação social, ficar indiferente a eles. Ponto. Para mim nada é mais óbvio do que isto. E exigir que um humorista não toque em temas tabus é querer tirar do humor a sua principal função. É um contrassenso. Agindo assim, esta sociedade perde uma oportunidade rara de tocar em assuntos doloridos sob o efeito anestésico do riso.
Por isso não acredito em piadas polêmicas. Quem determina o que é polêmico é o público e não o humorista. A piada nunca passa de uma piada e não existe momento certo para aparecer. Qualquer hora é hora. O que pode existir, às vezes, é uma certa falta de sensibilidade e talento do humorista para criar uma piada decente que capte de forma correta o espírito de um momento. Parafraseando Oscar Wilde: não existe piada imoral, o que existem são piadas bem e mal contadas.

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Paulo Cursino: Não existe assunto sobre o qual eu não faça piada, procuro fazer piada sobre tudo. Mas tenho minhas particularidades e limites involuntários como todo mundo. Sou incapaz de fazer piadas sobre, sei lá, câncer infantil, só para usar um exemplo. Já ri de piadas de humor negro com este tema, admiro quem faz, mas sou absolutamente incapaz de criar uma sobre isso. Não porque me limito, apenas porque não está em mim, no meu estilo, na minha personalidade, fazer algo assim. Mas só por isso.

"Se você perguntar a dez pessoas o que é bom senso vai ouvir dez respostas diferentes. Bom senso nunca será consenso", diz Paulo Cursino
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Paulo Cursino: Não, e nem o humorista pode se deixar ser cobrado. O que a sociedade pode fazer é criticar. A liberdade irrestrita é boa por isso, porque é uma via de duas mãos. Eu posso dizer o que quiser numa piada, mas a sociedade pode dizer o que quiser dela também. O que é inaceitável é pedir cabeça de humorista para emissoras, boicote, execração pública. Mais um pouco e logo estaremos dando razão a quem manda matar cartunistas porque seu profeta foi desenhado.
Não gostou da piada de um humorista? Pare de vê-lo, não leia o que ele escreve, não veja o que ele faz. Simples assim. Você não precisa chegar no cara e dizer "eu acho que você não deveria dizer isso" ou, como já ouvi várias vezes, "você não pode brincar com certas coisas!". Desculpe, mas não dá. Ninguém tem o direito de determinar o que eu posso falar.
Costumo dizer o seguinte: quer atingir um comediante stand-up que falou uma barbaridade no palco? Saia da sala. Mas aí alguém dirá: "pô, mas se eu sair da sala perderei as outras boas piadas que ele contar". Arrá! Eis aí então que surge o grande X de toda essa questão. Algumas pessoas riem às gargalhadas quando um comediante faz uma piada que atinge os outros ou brinca com algo que é indiferente para elas. Porém ficam ofendidinhas quando a piada as atingem ou é demolidora com algo que elas amem. Desculpem-me de novo, mas isto tem nome e sobrenome: falta de senso de humor, a irmã caçula da imaturidade.
Quer demonstrar que tem mesmo senso de humor de verdade? Engula o sapo, fique quieto, ouça tudo. Aceite que as piadas que você não gosta também fazem parte do pacote. Da mesma fonte de onde nasce uma piada ruim e desagradável podem nascer dez geniais. É preciso ter uma maturidade mínima para entender isto e parece que é este mínimo o que falta a boa parte do público hoje. Eu é que não deixarei nunca me pautar por isto e acho que nenhum humorista ou comediante de respeito deve deixar.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Paulo Cursino: Concordo. Pessoalmente acho que vivemos um período muito complicado e que transcende a questão do humor. Na minha opinião o pensamento politicamente correto trouxe mais problemas do que soluções para a sociedade no geral, não só para a comédia. Vivemos hoje num mundo mais ignorante regido por cotas sociais, proteção exagerada a minorias, pelo sexismo feminista, por revanchismos históricos, de judicialização extremada, que está longe, muito longe, do que seria o ideal. O estado de direito e a liberdade de expressão passam por um momento complicado não só no Brasil, mas no mundo. Mas cada época tem a sua dificuldade e essa é a nossa. A única saída é resistir a essa patrulha com inteligência e talento. É só o que nos resta.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Paulo Cursino: Sinto dizer, mas não é possível. Por que se você perguntar a dez pessoas o que é bom senso vai ouvir dez respostas diferentes. Bom senso nunca será consenso, infelizmente.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Paulo CursinoEngraçado.

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e publicada na íntegra, sem edição.
Leia mais posts da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Entrevista com Maurício Zágari
Entrevista com Fábio Rabin
Amanhã, o sexto post da série traz uma entrevista exclusiva com Oscar Filho, humorista e um dos repórteres do CQC, da Band.

sábado, 20 de março de 2010

Aviso

Os posts da série Crise de Riso? continuam na próxima segunda.
Aproveito para agradecer pelos elogios e comentários. E pra convidar a todos para que o debate continue nos próximos posts da série.
E vamo que vamo!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

B@belturbo entrevista: Fábio Rabin

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
As cinco maiores emissoras de televisão do país investem em programas de humor atualmente. Todas elas, à exceção do SBT, têm no elenco artistas que ganharam popularidade fazendo rir nos palcos, mais especialmente em espetáculos de stand up comedy.
Com a MTV não tem sido diferente. Se já foi o canal da música, a emissora cada vez mais flerta com a graça. E parte dessa graça quem faz é Fábio Rabin. O humorista é um dos apresentadores do Furfles, ao lado de outros comediantes da nova geração: Marcelo Adnet e Dani Calabresa, com quem criou, no teatro, o grupo Comédia ao Vivo. Antes da MTV, Rabin integrou o elenco do Pânico na TV, sucesso inquestionável, que levou ousadia e muito deboche para o humor televisivo.
Nesta entrevista, Fábio Rabin conta, entre outras coisas, quais são os assuntos que, para ele, não viram piada.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Fábio Rabin: Vamos lá...não há limites no humor mas cada pessoa tem seu próprio limite...o que a possibilita de rir ou não, fazer ou não determinada piada.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Fábio Rabin: Acho que quando vc supera um trauma pode fazer 1 piada...o problema é com coisas insuperáveis como AIDS, Cancer e outros problemas que nos são insoluveis, ou humilhar pobres e idosos.

B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Fábio Rabin: A sociedade não tem históricamente acertado em suas cobranças...elegeram Hitler e mandaram bruxas pra fogueira quando agem coletivamente...
Sobre a patrulha ao humor, Rabin diz: "o Brasil não tem um herói por isso elege um vilão"

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Fábio Rabin: Acho que existe sempre alguém disposto a ver o lado ruim da história...é a fase Nardoni, Cravinhos que ainda não passamos...o Brasil não tem um herói por isso elege um vilão.
 
B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Fábio Rabin: Eu acredito que não seja possível se manter longe de conflitos...um comediante tem o desprendimento de fazer piadas com ele mesmo e com sua família...mas nem todos são assim e quando se sentem tocados gritam e choram...é como zuar um mimado na escola! Ele chama o professor, que é a sociedade e seus jornalistas...

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Fábio Rabin: Original.
 
NOTA: A entrevista foi condedia por e-mail e publicada na íntegra, sem edição.
Leia mais posts da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Entrevista com Maurício Zágari
Segunda-feira, dia 22, o quinto post da série 'Crise de Riso?' trará uma entrevista com Paulo Cursino, publicitário e redator da TV Globo.

Eu & o iogurte light...

O iogurte é um item imprescindível nessa fase da minha vida. É nele que dissolvo a ração humana. Ao contrário do que muita gente imagina, a mistura fica bem saborosa e eu realmente não sinto falta de comida. Mas, vocês sabem, é fundamental sair da monotonia à mesa e, por isso, tenho tentado variar nos sabores. Só evito mesmo aquele que combate o "acúmulo" porque tenho um certo receio de ser constrangido pela atriz-garota(?)-propaganda em algum lugar público. Convenhamos: não ficaria bem a Travassos me perguntando "como vai o intestino" no meio do shopping, da redação ou da academia...
Nessa saga à procura de iogurtes diferentes, encontrei um light, de morango. Até aí, nada demais: há vários similares no mercado. Mas o que me surpreendeu é que esse trazia em seu rótulo a informação mais valiosa do mundo para quem quer perder peso: apenas a metade das calorias dos outros iogurtes lights que tenho consumido. Como o deputado que se depara com royalties alheios, eu me afeiçoei imediatamente aos dois litros do produto!
Só que - e aí vocês já devem estar imaginando que o fim não foi feliz... - descobri que o iogurte tem gosto de remédio! Mais especificamente de um que eu tomava quando era moleque e vivia com a garganta inflamada. Tomei o primeiro litro com muito sacrifício e estou no meio do segundo. E, à essa altura, posso garantir: esse iogurte não engorda! E isso não tem nada a ver com a quantidade de calorias: ele não engorda porque é tão ruim que ninguém consegue tomar.
Simples assim...

2.501!

Perdi a chance de postar com o número redondinho, mas acho bacana registrar: o post anterior foi o 2.500° da história do B@belturbo. Coisa pra caramba!
Olho pra trás, pensando nesses registros todos, e vejo que é impossível lembrar de quanta coisa já falamos aqui. E que os blogs serão, no futuro, uma boa pista para que possamos lembrar de épocas, modas, costumes, assuntos...e de como se vivia nesse início de terceiro milênio.
Por ora, o que resta é cuidar dessa "pegada digital" que é o blog. E que venham muitos mais posts pela frente!!!

quarta-feira, 17 de março de 2010

B@belturbo entrevista: Maurício Zágari

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Jornalista, professor de Teologia e Filosofia, crítico de cinema, locutor de rádio, tradutor, revisor e escritor, Maurício Zágari se mostrou interessado em discutir os caminhos do humor tão logo recebeu o e-mail para participar dessa série de entrevistas. Autor de um dos contos do livro Humor Vermelho, faz graça com as coisas simples da vida. É alguém que se diz saudoso do trema e que comemora o fato de saber de cor a tabela periódica, apesar de não saber bem pra quê...
Na entrevista, Maurício Zágari critica alguns dos recurso mais usuais no humor. E recorre a um dos maiores nomes da história do cinema para dizer que, sim, é possível fazer rir de outro jeito.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Maurício Zágari: Sim! O limite é a ofensa. Há quem pense que é preciso ofender para fazer rir, o que é uma grande besteira. O problema é que hj, em especial no Brasil, a falta de criatividade é tão grande que os humoristas precisam apelar para as veeeeeeeelhas fórmulas:
a) Sexo
b) Palavrão, palavrão, palavrão, palavrão...
c) Fluidos e dejetos corporais
d) Ofensas a grupos socio-religiosos-culturais ou pessoas em evidência
Pense nos humoristas que vc conhece. Quais sobrevivem sem apelar para essas muletas manjadas?

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Maurício Zágari: O maior tabu é fazer humor sem usar essas muletas. Pois, se vc propõe um Casseta e Planeta sem trocadilhos sexuais ou um stand-up comedy sem palavrões, os humoristas "da hora" voam na sua jugular e te acusam de todo o tipo de adjetivos: reacionário, conservador, careta, censor etc. Minha opinião é que o bom humor tem de agradar a todos. Se levo uma senhora idosa a um stand-up comedy e em vez de se divertir ela sai escandalizada, o que houve ali não foi humor, foi ofensa e agressão mascarada de gracinhas. Sintoma de uma civilização decadente.

'O que muitos chamam de "politicamente correto" eu chamo de bom senso', diz Maurício Zágari
B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Maurício Zágari: Qualquer assunto que venha a ofender o interlocutor. Se ele é cristão, não faço piadas de Jesus. Se é negro, não faço piada de negros. Se é judeu, não faço piadas sobre a Torá. Se é gay, não faço piadas sobre homossexuais. Por uma única razão: é desnecessário.

B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Maurício Zágari: Lógico! Se ele fizer suas ofensas num quarto fechado, o problema é dele. Mas se faz em fórum público deve estar sujeito ao respeito pelas pessoas - e às críticas. O problema é que sempre que se faz esse tipo de cobrança ou crítica vem logo alguém sem argumentos e apela para a palavrinha mágica: "Censura! Censura!".

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Maurício Zágari: Essa crítica é anarquista. É fácil chamar "controle parental" de "censura", "bom senso" de "mordaça", "preocupação" de "patrulha". Não é nada disso, isso é pura semântica para fazer com que uma preocupação legítima soe como algo nocivo. É manipulação retórica. Não existe o "politicamente correto", existe o "correto". Mas o relativismo pós-moderno abomina essa expressão. O que muitos chamam de "politicamente correto" eu chamo de bom senso. Em nome do respeito que devemos a outros seres humanos.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Maurício Zágari: Claro que é! O remédio para isso chama-se criatividade. Quem quer seguir a cartilha calhorda do "faz o que tu queres pois é tudo da lei" está buscando as soluções fáceis, rápidas, superficiais e polêmicas. O que o Danilo Gentili fez, por exemplo, não foi ferir o politicamente correto. Foi ser desrespeitoso com uma pessoa que, no mínimo, merece respeito por sua trajetória profissional e sua contribuição para a TV brasileira. Sem Hebe talvez hj não houvesse espaço para o CQC na TV. E olha que não gosto do programa da Hebe, mas reconheço seus méritos. Pq Danilo fez isso? Pq dá mais Ibope dizer o que ele disse do que elogiar, destacar qualidades. É cool. Vivemos no império do "fale mal". Gostaria que o Gentili fizesse piadas que destacassem as qualidades das pessoas, por exemplo. Te garanto que ele teria muito mais dificuldades do que partir pra fórmula fácil, manjada e veeeeeeeeeelha da caricatura: "ok, Hebe é idosa, então vou exacerbar isso chamando-a de múmia". Não é por aí.
Quer ver como é possível? Um único exemplo: Charles Chaplin. O que ele fez foi tão criativo, brilhante e genial que ele se tornou eterno. Danillo Gentili e a patota do sexo-palavrão-fluidos-ofensas vão passar e, em 50 anos, ninguém mais vai se lembrar deles. Não tem solidez. Não tem alicerce. Não contribui. Não fica. São sujeitos condenados ao esquecimento.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Maurício Zágari: Branco.

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e publicada na íntegra, sem ediçao.
Leia mais posts da série:
Entrevista com Kibeloco
Entrevista com Fabio Porchat
Amanhã, no quarto post da série Crise de Riso?, você vai conhecer as opiniões de Fabio Rabin, ator, humorista e apresentador do "Furfles", na MTV Brasil.

So tired!

Em verdade vos digo: isso cansa! Cansa a rotina, cansa o que é igual, cansa tudo o que se repete. Cansa a chatice, cansa esse fardo, cansa a inércia. Cansam certos argumentos insustentáveis, cansa a empáfia, cansa essa pequenice toda...
Cansa medir palavras, cansa ponderar, cansa a mediocridade. E cansa a pretensão.
Mas, também é em verdade que vos digo: aqui o que não falta é disposição...

Rio faz protesto legítimo contra a redivisão dos royalties do petróleo...

150.000 pessoas ocupam a Cinelândia para protestar contra a redivisão dos royalties do petróleo
No meio da tarde, na redação, ouvi gritos de "Aha, uhu...o petróleo é nosso!". Uma vibe bem anos 70, diga-se de passagem. Mas o petróleo de agora é outro: do pré-sal, que pode mudar bastante a cara do Brasil.
E, sim, o petróleo é nosso!
É absurdo pensar que um estado responsável por 85% da produção de petróleo no país fique, de uma hora pra outra, com o pires na mão. E se houver mesmo essa mudança, com a qual todos os cariocas e fluminenses se sentirão afanados, cabe pensar em outras transformações: como a queda da isenção de impostos e taxas federais para produtos e serviços produzidos e prestados nas mais diferentes regiões do país. Porque aí, se a lógica é a do "tudo é de todo mundo", o tudo vai precisar ser, realmente, tudo.
Isso, a meu ver, abre um grave precedente para as relações institucionais. E para a ideia de República Federativa.
Por isso, fiquei feliz por ver a vitoriosa manifestação no Centro da Cidade Maravilhosa. Foram mais de 100.000 vozes gritando o que só os dissimulados não querem ouvir: o futuro do Rio está comprometido com essa proposta absurda. E o motivo, meus caros, é o mesmo de sempre: dinheiro! Como o bolo dos royalties pode aumentar consideravelmente assim que o petróleo da camada pré-sal puder ser extraído regularmente, todo mundo tem interesse em colocar o cofrinho na frente da cascata de moedas que está por vir.
Agora, além de defender que os estados produtores continuem a receber uma fatia maior desses royalties, como forma de compensar danos ambientais e de infraestrutura, creio que também é fundamental que haja um controle efetivo dos investimentos desses royalties. Porque, convenhamos, com tanto dinheiro jorrando do fundo do mar, não vai faltar espertinho de colarinho branco querendo dar uma pernada na ética pra encher os próprios tonéis na encolha...

terça-feira, 16 de março de 2010

B@belturbo entrevista: Fabio Porchat


Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Integrante do Comédia em Pé, o primeiro grupo de stand up comedy brasileiro, Fabio Porchat lida com o humor nas mais variadas formas. Se no teatro ele se vale das influências vindas dos Estados Unidos para fazer milhares de brasileiros rirem sem figurinos e personagens; na televisão, é um dos responsáveis pelo texto do Zorra Total, humorístico da Rede Globo que trouxe para os anos 2000 um humor baseado em bordões e personagens que caem facilmente no gosto do público, uma velha tradição nos programas humorísticos da TV brasileira. Na mesma Globo, Fabio é redator e ator no quadro Exagerados, que leva graça ao Fantástico. E integra, também, a equipe responsável pela redação do programa Caras de Pau, estrelado por outras feras do humor: Marcius Melhem e Leandro Hassum.
Em cartaz no Rio, no Teatro dos Grandes Atores, na Barra, Fabio Porchat aceitou prontamente o convite do B@belturbo para discutir algumas questões polêmicas relacionadas ao dia-a-dia de quem vive fazendo graça.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Fabio Porchat: Não. Você pode fazer humor com tudo, qualquer coisa que você quiser, a questão é saber se aquela é a platéia certa. É claro que existem assuntos mais delicados que outros, mas, de um modo geral, se alguém rir, é humor. Talvez o limite seja: ninguém riu, logo, não faço mais essa piada.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Fabio Porchat: É a platéia que dita o que é engraçado ou não. Os tabus são os tabus daquela platéia especifica que está ouvindo sua piada. Claro que essa platéia pode ser muito maior que num teatro, quando a sua piada é dita na tv ou na internet. Sua platéia pode ser um país, logo, os tabus aumentam. De um modo geral, atacar alguém que é amado por aquela platéia, não te fará o cara mais popular naquele nicho. Exemplo dentro do Rio de Janeiro: na Barra eu posso falar mal do Gabeira, mas não do Eduardo Paes, pois ele é de lá. Já na Gávea, acontece o contrário. Eu acho que, de qualquer forma, o comediante não pode querer ser amado por todos, porque toda a piada fala mal de alguma coisa ou de alguém. Em algum momento, alguém vai se sentir ofendido. E de um modo geral, os brasileiros tendem a não levar as piadas na esportiva.

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Fabio Porchat: Não faço piada política. Mas pelo simples fato do brasileiro ser tão desinformado e tão desinteressado que ele não sabe de quem eu estou falando, ou que fato eu estou citando. As pessoas sabem quem é o Lula, e olhe lá.


"As pessoas levam o humor a sério demais", diz Fabio Porchat
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Fabio Porchat: Acho que cobrar cuidado é censura. Alguém cobra cuidado do cinema? Do teatro? Acho que a sociedade pode é achar ou não graca, isso já é medida suficiente.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa \"patrulha do humor\" e se queixam do chamado \"politicamente correto\". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Fabio Porchat: O politicamente correto é um inferno. E no Brasil isso é uma praga. Porque a patrulha do humor faz uma das piores coisas do mundo, diz o que é certo e o que é errado. Isso é nojento. Ainda mais hoje em dia, onde não existe mais ‘ou um ou outro’. Tudo é certo e errado ao mesmo tempo. Mas é que aqui no Brasil temos um moralismo velado. Na verdade, tudo é velado. O racismo, o preconceito, machismo… Enfim, e o moralismo é a coisa mais antiga do mundo. É quase medieval o que vemos muitas vezes. Como por exemplo tirarem do ar a propaganda da Devassa. Um absurdo. A mulher pelada pode, mas a mulher sensual não. As pessoas levam o humor a sério demais. Elas esquecem que aquilo é apenas uma piada.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Fabio Porchat: Não é possível. Fazer humor tentando agradar é uma coisa fadada ao erro. Você pode até conseguir fazer isso por cinco minutos, mas ele vai perder a graça logo depois. Nós brasileiros temos a tradição de rir do outro. O burro é o português, o filho da puta é o argentino, viado é o filho dos outros… Quem que é corno no Brasil? A piada, tão forte aqui no Brasil, sempre mostra um outro se dando mal. Nos EUA, por exemplo, o primeiro a se dar mal é você. Num show de humor lá, o comediante primeiro se sacaneia, depois sacaneia os outros. Ele primeiro diz que está gordo, depois ele diz que ser gordo é um inferno. Eles sacaram uma coisa muito importante que é: é melhor eu rir de mim, antes que os outros comecem a fazer isso. Você vê pessoas como Obama, Al Gore, Sarah Palin, politicos importantes, candidates a presidencia da maior potência do mundo, indo a programas como o Saturday Night Live, e se sacanearem, brincarem com aquilo que seria o ponto fraco deles próprios. Quando o brasileiro perceber isso, teremos uma virada do humor no país.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Fabio Porchat: Engraçado.

NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e foi publicada na íntegra, sem edição.
Para entender a proposta da série Crise de Riso?, clique aqui.
Leia também o primeiro post da série, com Antonio Tabet, o Kibeloco.
Amanhã, no terceiro post, você vai conhecer as opiniões de Mauricio Zágari, jornalista, professor de Teologia, e um dos autores do livro Humor Vermelho.

Momentos de tensão...

Caro leitor, leia atentamente o título do post para se certificar de que não se trata de nenhum conto erótico, ok? É teNsão mesmo...
Ontem, na volta pra casa, caí num belo buraco ali na Presidente Vargas. Foi uma porrada daquelas secas, que fazem chacoalhar o cérebro e tudo. Um mergulho no inferno na volta pra casa...
Como percebi segundos depois, a maldita cratera feriu de morte um dos meus pneus dianteiro - meus no sentido de serem do meu carro, já que os outros, que eram meus, são coisa do passado. Tentando, insanamente, provar a mim mesmo que o poderia contornar a situação, segui em frente com o pneu emitindo um som típico de uma panela de pressão. Até que, na Francisco Bicalho, eu me rendi ao infortúnio, subi num canteiro e me dei por derrotado.
O buraco havia me levado ao fundo do poço! Cansado - depois de pular que nem pulga de circo no power jump - acionei o seguro, liguei pra casa - por pouco não matei minha mãe de preocupação - tirei meus pertences do carro, tranquei o coitado, que, creiam, estava à essa altura com uma expressão de doente terminal - e rumei para um ponto de ônibus movimentado, a uns 100 metros dali.
Lá de longe, fiquei olhando meu fiel companheiro. Torcendo para que nenhum vagabundo resolvesse tentar roubá-lo para, assim, acabar de destruir minha noite. Saquei o celular e postei no Twitter uma mensagem que exprimia toda a angústia que ia dentro desse coração blogueiro:


Sim, meus caros. Tive medo. E como é ruim vivermos sob a ameaça constante desse sentimento. Tive medo de ser roubado, de ser agredido, de ser morto. A via pública, aqui no Brasil, é de ninguém. Ou, pior: foi tomada pela bandidagem. Quando a seguradora me deu 50 minutos de espera, gelei: era tempo pra lá de suficiente para que, em acontecendo o pior, eu fosse parar do outro lado da rua, na nova sede do Instituto Médico Legal! Passei a prestar atenção e, acreditem, não vi um único carro da polícia cruzar a avenida durante todo o tempo em que permaneci naquele ponto de ônibus
Estamos jogados à nossa própria sorte!
Pouco antes dos anunciados 50 minutos, avistei um motoqueiro se aproximar do meu carro. Em sua moto, ele deu a volta no veículo, espreitou pelos vidros e, de longe, temi que fosse um ladrão. Como poderia me aproximar e perguntar se era mesmo o cara que ia me salva a pele diante de tão imobilizante receio? Certo de que não havia alternativa, lá fui eu. Passei direto por ele da primeira vez e, depois de supor (?!?!) se tratar de alguém de bem (?!?!) eu perguntei se ele estava ali para fazer o serviço em meu carro. E Deus quis que aquele homem sorrisse, apesar do dilúvio que caía em nossas cabeças, e me respondesse afirmativamente.
Obrigado, Senhor! E que pena que estejamos, nós, cariocas, sempre a lhe importunar para nos guardar o tempo todo. É que a coisa aqui, com royalties ou sem eles, anda cada vez mais difícil...

Michael Jackson: rei morto, rei...riquíssimo!!!

Li ontem que a Sony Music assinou um acordo milionário com os herdeiros de Michal Jackson para lançar 10 álbuns com canções do Rei do Pop. A gravadora desembolsou cerca de 250 milhões de dólares para garantir a permanência de Jackson em seu casting.
Mas o que mais me chamou a atenção foi ver os números das vendas de álbuns de Michael Jackson em 2009. Embalados pelo apelo gerado com a morte do popstar, fãs de todo o mundo tiraram das prateleiras das lojas de discos 28 milhões de álbuns do artista. E olha que a indústria fonográfica anda agonizando a olhos vistos...
Diante de tamanho sucesso pós-óbito, garanto que deve ter muito artista por esse mundão de meu Deus pensando que o melhor a fazer é abotoar logo o paletó...de madeira!

segunda-feira, 15 de março de 2010

B@belturbo entrevista: Kibeloco

Os limites do humor em debate no B@belturbo...
Se a verdade é ácida e o kibe é cru, os internautas brasileiros nem querem saber. O que eles querem quando acessam o Kibeloco é rir! E é praticamente impossível que não matem essa fome de alegria quando se deparam com as tiradas boladas por Antonio Tabet, publicitário que se tornou uma das maiores celebridades da internet brasileira. O site, que é sinônimo de humor na grande rede, é fonte de 10 entre 10 piadas comentadas em escritórios, firmas, universidades e afins. Piadas que, quase sempre ilustradas com imagens igualmente divertidíssimas, rodam a web em e-mails e mais e-mails que arrancam gargalhadas dos destinatários.
Craque na arte de fazer rir, Kibeloco atualmente é redator do Caldeirão do Huck, na Rede Globo. E topou conversar com o B@belturbo sobre os limites do humor.

B@belturbo: Há limites para o humor?
Kibeloco: Acho que o limite vem do próprio humorista. Quando a piada perde a graça é porque chegou ao limite.

B@belturbo: Quais são, na sua opinião, os maiores tabus em relação ao humor? Ou qual o tipo de piada mais polêmico? E qual a sua opinião em relação a esses tabus?
Kibeloco: Piadas envolvendo a raça negra são as mais polêmicas. Acredito que haja aí, também, um limite. Mas para os dois lados. Outro dia disse que a gordinha do filme "Precious" parecia a poltrona do confessionário do BBB. Isso não foi uma piada racista. Fiz apenas uma comparação visual. Mas houve quem reclamasse. Um movimento "coitadista" que é ainda pior para quem se considera segregado. Os que fizeram chilique, certamente são os mesmos que não reclamariam se eu dissesse, por exemplo, que o Tom Hanks parece uma espiga de milho. Bobagem pura. Hipocrisia. Falso moralismo. Afinal, o que é mais racista? Fazer piada com todas as raças ou não fazer com apenas uma delas?

B@belturbo: Sobre que tipo de assunto você evita /não faz piada?
Kibeloco: Evito fazer piadas sobre assuntos que me comovem.

Antonio Tabet, o Kibeloco
B@belturbo: A sociedade / o público pode cobrar esse tipo de cuidado de quem se propõe a fazer humor?
Kibeloco: Cobrar? Não. Num mundo ideal, a sociedade pode escolher. Ou prestigia determinado humorista, ou não. E ponto final.

B@belturbo: Alguns humoristas criticam uma certa "patrulha do humor" e se queixam do chamado "politicamente correto". Você concorda? O humor tem sido patrulhado?
Kibeloco: Sim. Concordo. Mas não é só o humor. Tudo é patrulhado, menos o que deveria. Por que os patrulheiros do humor não vão cobrar dignidade dos deputados em Brasília ou parar de furar filas por aí? Ajudariam bem mais.

B@belturbo: De que forma é possível fazer humor sem cair nas amarras do politicamente correto e, no entanto, sem ferir o bom senso? Aliás, isso é possível?
Kibeloco: Quem se ofende facilmente é quem carrega em si o preconceito. E, por isso, são pouco inteligentes. Para um bom humorista, é fácil driblar os pouco inteligentes.

B@belturbo: Pra encerrar, em uma palavra, como definir o tipo de humor que você faz?
Kibeloco: Meu.


NOTA: A entrevista foi concedida por e-mail e foi publicada na íntegra, sem edição.
Amanhã, no segundo post da série, você vai conhecer as opiniões de Fabio Porchat, ator e redator que integra o primeiro grupo de stand up comedy brasileiro, o Comédia em Pé.

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