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quinta-feira, 5 de março de 2015

Xuxa na Record: o fim de uma era

Depois de dois anos de negociação, Xuxa mostra contrato assinado com a Record
A televisão brasileira, sobretudo a Rede Globo, foi forjada tendo como base o ‪#‎StarSystem‬ de Hollywood. Se lá os grandes astros e estrelas eram exclusivos dos grandes estúdios, por aqui a Globo cresceu segurando seus maiores nomes em longos contratos que os impediam de ser roubados pela concorrência. Salários polpudos, mesmo para aqueles que passavam longos períodos fora do ar, sem trabalhar. Sim, por muito tempo a Globo pagou caro para ter aqueles que considerava os melhores valores do mercado em seu elenco. Por isso, não dá pra imaginar Cid Moreira narrando o "Fala que eu te escuto", nem a Glória Maria fazendo um programa qualquer de viagens na Rede TV. Por isso a gente estranharia ver o Bial apresentar "A Fazenda", o Tarcísio Meira sendo vovô das órfãs de Chiquititas, no SBT, ou a Glória Pires interpretando Paulina e Paola num remake de A Usurpadora, na mesma emissora. Também por isso pareceria bizarro ver Roberto Carlos apresentar seu especial de fim de ano na TV Cultura. Todos são astros da Globo; e vale dizer que, não por acaso, "global" é um adjetivo que identifica o vínculo do artista com a emissora carioca.
Outros canais seguiram o exemplo dos artistas exclusivos e, nas vezes em que esqueceram de rezar pela cartilha, se arrependeram. Foi o que aconteceu ao SBT, quando perdeu Hebe para a Rede TV e acabou sendo criticado por virar as costas para uma de suas maiores estrelas. Também é por isso que ver a ‪#‎XuxaNaRecord‬ desperta tanta curiosidade, tanto estranhamento. 
Hebe sendo recepcionada na Rede TV,
depois de sair do SBT
De uns anos pra cá, a estratégia de ter numerosos artistas contratados por valores exorbitantes vem sendo revista tanto pela Globo quanto pelas demais emissoras. Os tempos são outros, bem mais difíceis. Aliás, de volta ao caso da Hebe, foi essa a razão que impediu Silvio Santos de mantê-la sob contrato com vencimentos considerados estelares. Sugeriu reduzir o salário, o staff de Hebe não aceitou e ela acabou assinando com a Rede TV - que viria, aliás, a atrasar o pagamento da contratada pouco depois. Com Xuxa o processo foi semelhante: salário alto e pouco retorno comercial e de audiência. E um agravante: a direção da Globo não via mais espaço para a loira na grade de programação. Assim sendo, a única saída foi mesmo a concorrência.
Em 2009, Gugu deixou o SBT e
assinou com a Record
A ida de Xuxa para a Record parece sinalizar para o fim definitivo da era em que o artista era a cara de uma emissora. Nem a saída de Gugu para a mesma Record, anos atrás, rendeu a mesma repercussão. E vale lembrar que, no SBT, ele era apontado como o sucessor natural de Silvio Santos. Talvez, o único paralelo com essa mudança de emissora da Rainha dos Baixinhos fosse uma eventual saída de Silvio Santos do SBT o que, sabemos, é impossível. 
A contratação de Xuxa pela Record, celebrada hoje, já desponta como uma das mais caras da história da televisão no Brasil. Foram muito raras as vezes em que um artista tão identificado com a emissora líder de audiência foi para a concorrência. E, no caso em questão, a despeito de ter permanecido na geladeira global ao longo do último ano,  Xuxa segue como um dos rostos mais identificados com a Globo, onde esteve por quase 30 anos. Desconfio que Boni e Roberto Marinho jamais concordariam com a saída de uma estrela desse patamar do cast do canal. E, a julgar pelo imenso barulho causado nas redes sociais hoje, acredito que a Record pode ter feito um grande negócio. O público, deu pra ver, segue fiel à estrela. Resta saber quais as outras mudanças que ela prepara para surpreender os fãs. Resta saber como o público vai reagir à mudança quando o novo programa de Xuxa estrear. E resta saber como a Globo vai se armar para enfrentar a ex-estrela... 

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Quando a TV passa dos limites? 2

Quem tiver interesse nos exageros da cobertura da mídia sobre o caso do sequestro em Santo André precisa dar uma olhada nesse vídeo. Foi editado por um pessoal da comunidade Abertura de Novelas, do Orkut. É um trecho do programa Hoje em Dia, da Record, no qual o promotor do caso passa uma descompostura na mídia em geral e diz, claramente, que as insistententes ligações em busca de entrevistas exclusivas do sequestrador influenciaram no desfecho do caso, uma vez que a própria polícia tinha dificuldades de entrar em contato para negociar com Lindemberg.
Britto Jr saiu em defesa da Record e disse que a emissora faz uma cobertura "intensa, mas nunca sensacionalista". E Cris Flores questiona as razões que levaram a polícia a não cortar a linha do sequestrador para, assim, evitar os abusos da imprensa.
Eu tenho a minha opinião. E discordo da Cris! Acho que a mídia pode - e deve - se controlar sozinha. E, infelizmente, foi tudo o que ela não soube fazer nesse caso...

sábado, 18 de outubro de 2008

Quando a TV passa dos limites?

No vídeo acima, uma das polêmicas entrevistas dadas por Lindemberg Alves durante o sequestro lá de Santo André. Foi ao ar no programa da Sônia Abrão. Fiquei impressionado com a "intimidade" que o repórter tenta demonstrar com o sequestrador, chegando a chamá-lo, algumas vezes, de "velho" e "querido".
Depois, num debate realizado no estúdio do programa, um dos convidados diz esperar que o "caso acabe em pizza, com um casamento futuro entre Lindemberg e a namorada".
Como assim, minha gente?
Talvez eu esteja sendo repetitivo, escrevendo muito sobre esse caso, mas é porque o episódio realmente me parece emblemático; dá a exata medida do quanto nós, da mídia televisiva, estamos perdidos numa busca por pontos (no Ibope) e furos (de reportagem). Embora eu ache absurda a abordagem feita pelo A Casa é Sua, da Rede TV!, sei que Globo e Record também exibiram entrevistas com o Lindemberg. Pra mim, as três erraram feio! Principalmente por ocuparem espaços e tempos que deveriam estar sendo utilizados pela autoridade competente para conduzir as negociações.
Vi a entrevista que a Globo exibiu no Mais Você - não sei se era inédita no programa, ou um tape - e, embora descabida, não fugiu à idéia do jornalismo; a repórter se limitou a entrevistar o rapaz sobre as motivações dele e em momento algum se arvorou a negociar qualquer tipo de coisa
Na Record, no Hoje em Dia, eu só vi o apresentador Britto Jr. dizer que Lindemberg não poderia ser tratado como um bandido comum. Sim, claro! Depois de tanta exposição, ele virou um bandido vip, né?
Enfim, muita gente tá perdida na telinha. E, mais uma vez, vale elogiar a surpreendente posição do Datena, que não só não entrevistou o sequestrador como ainda vociferou contra os que o fizeram, em especial a apresentadora Sônia Abrão, da Rede TV!. Pessoalmente, eu também não tenho nada contra Sônia. Só acho que a voz dela, doce e afetuosa, destoa muuuuito de um programa que vive para explorar toda e qualquer tragédia de que se tenha notícia.
Só lamento que, muitas vezes, os telespectadores acabem premiando esse tipo de atração com preciosos pontinhos no Ibope...

E você? O que acha? Em casos como esse, qual deve ser o limite da cobertura da mídia televisiva? Esse debate é fundamental e toda a sociedade deve participar dele! Por isso, botem a boca no mundo!!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

De boas intenções...

Sequestro no ABC Paulista é notícia até na madrugada-gospel da Record...
Minha prima me liga e avisa:
- Põe na Record! Ninguém merece o Fala que eu te escuto discutindo essa história do sequestro lá em São Paulo!!!
Botei na Record, fotografei a TV e tô subindo esse post com um orgulho danado dessa menina! Porque, realmente, ninguém merece o Fala que eu te escuto se aproveitando desse drama da vida real pra levantar o Ibope da madrugada, né?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Tirando casquinha da tragédia...

Eu tô maluco, muito sensível, fresco mesmo ou é uma tremenda forçação de barra a exibição, nessa semana, de filmes relacionados à tragédia de 11 de setembro de 2001? A Globo tá exibindo um na sua Tela Quente, e a Record já agendou produção semelhante para a noite de quinta.
Aliás, de quinta mesmo!!!

domingo, 31 de agosto de 2008

Ph ácido...

Zapeando, dei uma olhada na Record. Era hora do programa da Eliana. A loira estava muito bonita - apesar de ainda achar que ela tem agido esteticamente pra ficar parecida com alguém que eu conheço - e usava um vestido com um decote bem generoso; oferecendo ao telespectador a oportunidade de exercitar seu lado mais contemplativo nessa tarde fria de domingo.
Contemplei, contemplei, contemplei e...tô quase certo que não é só o Ibope do programa que tá caindo não...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Jurados desafinam no Ídolos da Record...

Acabo de ver uma cena muito condenável no programa Ídolos, agora na Record. Depois da apresentação de uma caloura transexual, Renata, os três jurados se puseram a fazer piadinhas e a ridicularizar a moça - que foi reprovada na audição. Calainho se vangloriou de não ter dado beijinhos na moça - "O beijinho vai pro YouTube, hein? Dei só um abraço".
E Paula Lima, Luis Calainho e Marco Camargo riram. Só eles devem ter achado alguma graça.
A atitude é deprimente! Vergonhosa! Um péssimo exemplo dado por pessoas que deveriam ter mais responsabilidade com suas atitudes - que chegam a sabe-se-lá quantos milhões de pessoas - e podem incentivar a propagação de mais ignorância, de mais violência, de mais intolerância e de mais preconceito.
Completamente fora do tom!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Nova casa para um velho conhecido do público

Record estréia programa solenemente surrupiado do SBT, com apresentação de Rodrigo Faro


É claro que tá muito cedo pra se fazer uma avaliação, mas ficou claro nessa estréia do Ídolos na Record que a emissora está preocupada em relançar o programa. E essa estratégia incluiu apresentar ao público o original americano, o American Idol. Ficou evidente que a nova casa do Ídolos quer deixar claro que ignora solenemente as temporadas anteriores do programa, produzidos e exibidos pelo SBT.
Rodrigo Faro é o apresentador. Não compromete, mas...sei lá...também não acrescenta. É o tipo do cara gente boa, mas não tem uma marca, uma identidade. Dá sempre a sensação de que qualquer um poderia fazer aquilo em seu lugar. E a passagem com uma citação ao Tropa de Elite - na qual o apresentador fez as vezes do Capitão Nascimento - foi constrangedora...
Dos jurados, ninguém pareceu ter o carisma do Miranda. Mas arrisco um palpite: Calainho tem tudo pra arrancar boas risadas da audiência. Aliás, resta saber se a audiência ainda acredita na atração, que já revelou dois ídolos condenados ao mais profundo ostracismo...
Vamos ver no que vai dar...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Sobre a frieza de Roberto Justus...

Nunca tinha visto um único episódio de "O Aprendiz", em nenhuma das cinco temporadas. Mas zapeando agorinha, vi justamente os momentos finais da atual etapa do reality show da Rede Record. E fiquei impressionado com a precisão, a frieza (nesse caso, um elogio) e o absoluto domínio de cena demonstrado por Roberto Justus no comando da atração.
Sempre tive uma implicância com a figura do publicitário, mas Justus se sai bem no papel de homem durão que, no caso da temporada recém-terminada, deve escolher um sócio para um futuro empreendimento. E detalhe: ele se sai bem no improviso, ao natural. Na hora de ler o tele-prompter, a coisa engessa um bocado...
Enfim, fiquei com a clara sensação de que "O Aprendiz" pode ser, sim, um bom programa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Topa tudo por dinheiro?

Zapeando pelas TVs abertas nessa manhã fria e ensolarada, acabo de me deparar com Mara Maravilha no "Hoje em Dia". A ex-apresentadora infantil participa do quadro "Os donos do jogo", em que deve responder perguntas, digamos, bombásticas sobre a própria vida. Íntima...
Fiquei assustado ao descobrir que a baiana estava sendo questionada sobre a identidade do primeiro homem que passou por sua cama. E não termina aí: os apresentadores, todos com cara de quem está falando de um assunto muito grave, também perguntam quem era o pai do filho que Mara abortou no passado.
Tudo em troca de dinheiro...
O quadro até é interessante. Já vi, em outras edições, entrevistas que pareceram interessantes. Mas futucar assuntos tão íntimos - e velhos - em rede nacional me pareceu muita forçação de barra. Sem falar que, pra topar vender a intimidade dessa forma, a pessoa deve estar com muita vontade de aparecer, né?
Só que nem sempre a exposição acaba sendo positiva. Mara, por exemplo, revelou que já superou as antigas dificuldades de relacionamento com o pai. Textualmente, disse que já o perdoou, Mas, logo em seguida, revelou: quer que o pai assine um documento abrindo mão de uma eventual herança da filha. Sim, Mara perdoou o pai mas não quer que ele ponha a mão no seu cofre. Dá pra entender?
Se tiver entendido esse tipo de perdão, explica aqui nos comentários. Porque eu fiquei boiando...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Cultura e SBT colocam feras no horário nobre...

Mais uma segunda-feira movimentada na TV: Cultura ataca com Witte Fibe enquanto SBT desenterra "Pantanal" para voltar a brigar pela vice-liderança...

Quem tem mais de 20 anos deve lembrar dos anúncios do SBT, que assinava vez por outra como TVS, dizendo-se "vice-líder desde pequenininho". Foi-se o tempo, meus caros! Agora, medalha de bronze no pescoço, o canal do patrão quer badalar um pouco o seu horário nobre, combalido com o milagroso - sem trocadilho, ok? - crescimento da Rede Record. A estratégia adotada hoje foi clara: espichar o "SBT Brasil" até que o capítulo da global "A Favorita" terminasse. Logo depois do episódio da novela da líder de audiência, coube a Carlos Nascimento dar boa noite aos seus telespectadores. E aí, sem vinhetas ou similares, Cláudio Marzo surgiu na tela, conversando com um menino-ator que, hoje, deve estar concluindo a faculdade. No canto esquerdo do vídeo, um logotipo confirmava: "Pantanal" estava no ar novamente, cerca de 18 anos depois de sua estréia.
Na Cultura, Lilian Witte Fibe - sempre precisa - começou o "Roda Viva" com uma pergunta definida como quase ingênua. O entrevistado era o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, o que já demonstra uma clara tentativa de esquentar a pauta do programa. Ponto para a Cultura, que parece querer confirmar o prestígio de uma de suas mais importantes atrações.
Já o SBT, que definitivamente não vive de prestígio, tem de se preocupar com a audiência. É ela quem vai dizer se a ressurreição de Juma Marruá, Velho do Rio & cia foi ou não um bom negócio para o ex-vice-líder-desde-pequenininho. Até porque os direitos da novela foram adquiridos, recentemente, pelo plim-plim. E essa novela pode acabar tendo alguns capítulos - mais emocionantes, talvez - nos tribunais. Se bem que, cá entre nós...se "Pantanal" roubar uns pontinhos da Record, o negócio pode até ser bom pra Globo, né não?
Enfim, fato é que há tempos a TV brasileira não vivia tamanha agitação no mês de junho. Não faz muito tempo que as grandes novidades eram lançadas em março ou abril. Agora os tempos são outros. E ganha o telespectador, com mais opções na telinha...
Só sei que no duelo dessa segunda, sou muito mais a fera Lilian Witte Fibe, que já estava há muito tempo longe da televisão. E competência nunca é demais! Ainda mais em tempos de vacas magras...

domingo, 8 de junho de 2008

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 7

"Liberei meu marido pra votar em outro candidato da família", revela a vereadora de um voto só, Carmen Portela Santos, que tomou posse essa semana na Câmara Municipal de Pau D'Arco do Piauí. O voto recebido, é claro, partiu da própria vereadora, que só tomou posse porque o titular da vaga foi cassado e o suplente morreu num acidente de carro.
"Na próxima (eleição) quero ser muito bem votada, quero ter uns 100 votos", declarou a neo-vereadora, em entrevista ao "Domingo Espetacular", da Rede Record. Embora haja mais de 3,5 mil eleitores no município, é possível que um candidato se eleja com menos de 100 votos, como foi o caso do vereador cassado que, por obra do destino, acabou cedendo a vaga à vereadora de um voto só.
A notícia é do começo da semana, eu sei. Mas só hoje eu tive tempo de ler e, por coincidência, acabei vendo a reportagem da Record, aí resolvi postar. Só fiquei com pena do tal outro candidato da família, que, mesmo recebendo o voto do esposo da vereadora Carmen Portela Santos, pode não ter sido eleito. Sabe como é, né? Eleição é uma caixinha de surpresas...
Se eu fosse marqueteiro, estaria afivelando as malas para Pau D'Arco do Piauí! Chegaria com toda a campanha para a reeleição de Carmen (sim, só restam mais 6 meses de mandato!!!) pronta. E o slogan seria: "Carmen: candidata pequena. E notável!!!"
Acho que conseguiria pra ela mais uns...2 votos, não?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Audiência mutante numa segunda-feira de guerra na TV...

Chego em casa e a televisão da sala está ligada em "Caminhos do Coração". Estranho, pois minha mãe, noveleira de mão cheia, não costuma perder estréias como a de "A Favorita". Mas os tempos são outros: ligada na Record, ela deixou a novidade global pra depois. Queria saber qual seria o fim da saga dos mutantes.
Final atípico, pois, como grande parte de seus personagens, a novela também se revelou mutante e vai se transformar em outra. Com direito a um "Continua..." ocupando o lugar do tradicional "Fim" no desfecho do que deveria ter sido o derradeiro episódio da produção.
Fato é que a estratégia da Record foi de guerra: mudar o horário da novela e fazer seu clímax coincidir com o momento em que a emissora rival lança um novo produto. E, ao menos ao que parece, o "fim" de "Caminhos do Coração" deve ter bombado: a global "A Favorita" emplacou apenas 34 pontos, com menos de 50% de televisores sintonizados na trama, segundo a prévia do Ibope. Sábado, no fim de "Duas Caras", 71% dos televisores estavam ligados na aventura de Marconi Ferraço e Maria Paula...
Claros sinais de que o público também anda meio mutante...

sábado, 26 de abril de 2008

Da série: "a luz no fim do túnel é um trem vindo pra cá..." 5

Comercial na Rede Record. Entre uma infinidade de anunciantes - reflexo do tempo de Ibope gordo - entra a chamada para uma das atrações da casa, o "Domingo Espetacular". Entre outras matérias, o locutor anuncia: "todos os detalhes da reconstituição do caso Isabella".
Fala sério! Amanhã, pelo que estou vendo, será um excelente dia para não se ligar a TV! Já posso imaginar o Gugu, no "Domingo Legal", bradando um "olhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa a boneca caindo da janelaaaaaaaa!". Sem falar no Faustão dizendo que "o assassino é um monstro tanto no pessoal quanto no profissional"...
Vai ser duro...ô se vai!!!

E Claudete chorou...

Zapeando pelas emissoras abertas agorinha, acabei me deparando com um emocionado depoimento de Claudete Troiano em "O melhor do Brasil". Comandado por Rodrigo Faro, o quadro propunha uma lavagem de roupa suja em rede nacional. Abomino as atrações desse tipo, mas queria ver o que a Claudete tinha a dizer sobre sua saída da Band, há cerca de um ano.
Mas foi a emoção de Claudete ao falar do processo respondido por sua filha que acabou me tocando. Aliás, o amor de mãe é, pra mim, uma das maiores forças da natureza. E Claudete Troiano, que sempre me pareceu ser muito boa gente, mostrou ser gente de verdade e, olho no olho, solidarizou-se com pais e mães que enfrentam problemas semelhantes com os filhos. E ainda se disse agradecida a Deus, apesar de todos os infortúnios...
E tem gente que esmorece diante de tão pouca coisa, né?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Desventuras em série...

Os deslizes na cobertura do caso da menina Isabella Nardoni têm sido freqüentes. E, em alguns casos, fica claro que, mais do que a qualidade da informação, o que está em jogo são os famigerados pontos (ou décimos de pontos) no Ibope...


Hoje cedo, na academia, vi da esteira que o "Hoje em Dia", da Record, exibia uma entrevista com o promotor do caso. Depois, na hora do almoço, zapeando, vi que a mesma Record dispunha de repórteres posicionados na frente da casa do avô de Isabella, na porta da delegacia e sabe lá Deus onde mais...
O verdadeiro "festival Isabella" na Record me fez notar que continua, e a todo vapor, a exploração desmedida do caso da menina Isabella em algumas emissoras de televisão. À exceção da Globo, que parece de longe ser a mais preocupada em fazer um trabalho sério entre as redes comerciais, é comum encontrarmos debates requentados, matérias reprisadas, opiniões polêmicas e excessos de demagogia a toda hora do dia e da noite, nos mais variados programas e horários.
Na Band, a falação sobre o crime - bárbaro, sem dúvida - também segue pautando vários programas. Na Rede TV!, Sônia Abrão, Marcelo Rezende e Luciana Gimenez não me convencem de forma alguma de que estão realmente empenhados numa cobertura séria do caso. Sem contar que eles - e tantos outros - têm enchido muita lingüiça! Afinal: será que os repórteres que passam o dia na frente da delegacia têm - o tempo todo - novidades para dizer ao telespectador? Claro que não! E é nesse insano movimento de vender uma agilidade que não existe e, assim, dar ao espectador a sensação de que realizam uma cobertura em tempo integral, que essas redes, em diversos momentos, estão se perdendo...
Vejo isso com tristeza e indignação. Como cidadão e como profissional. É lamentável que parte da mídia se valha de uma história tão triste numa guerra covarde para pontuar bem no Ibope e furar a concorrência. Essa é uma conduta que desrespeita familiares da menina, indiciados, familiares dos indiciados e, também, espectadores.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 3

A notícia é séria e importante: moradores da Grande São Paulo sentiram, há poucos instantes, a terra tremer. A Rede Record foi a primeira a noticiar o fato, em meio ao "Tudo a Ver". Ainda sem muitas informações, a apresentadora Carla Cecato noticiou o tremor e disse que, inicialmente, a sensação foi confundida com a de um trem do metrô passando.
Na Globo, cerca de três minutos depois, William Waack fez uma chamada do "Jornal da Globo" anunciando que, por volta das "vinte uma horas e cinco da noite os moradores da Grande São Paulo sentiram a terra tremer".
Como assim vinte uma horas e cinco da noite? Existe vinte uma horas e cinco da manhã? Da tarde? Será que tamanha redundância serviu para evitar que o espectador mais distraidão confundisse o horário do tremor? Ou será que a sacudidela no chão chacoalhou a cabeça - e as idéias - de algum redator global, hein?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O mais triste e real dos reality-shows da TV brasileira...

Logo cedo, acordei e vi na TV o fim do "Mais você". Com tom grave, Ana Maria Braga se despedia dos convidados e dos telespectadores e justificava a não-apresentação do "conteúdo próprio" do programa. Na hora, percebi que mais uma edição do matinal da Rede Globo tinha sido integralmente dedicada ao caso da menina Isabella.
Em seguida, o "Globo Notícia" entrou no ar e Sandra Annenberg me fez entender as cenas do capítulo de hoje desse caso que a mídia transformou em novela: os principais suspeitos do assassinato da garota iriam sair de casa para depor. As imagens já deixavam claro o investimento na cobertura: tomadas de helicóptero e vários repórteres mobilizados para mostrar o exato momento em que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá deixariam a casa rumo à delegacia.
Migrei para a concorrência e, numa rápida passagem pela Rede TV!, vi Olga Bongiovanni com o mesmo tom grave da loira concorrente, dizendo que torcia para não precisar noticiar que o pai e a madrasta de Isabella são os responsáveis pela morte da menina. Em seguida, entra um VT com uma espécie de "comovente homenagem" ao aniversário de Isabella, que seria comemorado hoje. Foi demais pra mim e optei por mudar de canal. Sem contar que é impressionante a capacidade da Rede TV! de errar feio. E quase sempre...
Na Record, que tem liderado a disputa pelo Ibope nas manhãs desde que o caso eclodiu, o "Hoje em dia" também deu adeus ao habitual conteúdo para manter o telespectador informado de todos os passos do casal Nardoni. Britto Jr, um dos apresentadores da "revista eletrônica matinal", chamava repórteres o tempo todo e fazia questão de demonstrar que as "novidades" do caso teriam total prioridade no programa. Novidades que, no entanto, eram raras e obrigaram o programa a exibir à exaustão imagens de reportagens antigas sobre o caso.
Em suma: essa foi uma manhã em que ficou claro que o covarde assassinato de uma menina virou arma da cada vez mais acirrada guerra pela audiência entre as emissoras de televisão. É claro que o caso mobiliza a atenção dos espectadores e que todos querem ser informados dos passos da polícia rumo ao desfecho dessa triste história. Mas, ao menos pra mim, também é claro que as emissoras de televisão poderiam cumprir esse papel de maneira mais serena; sem que os passos da ivnestigação parecessem novos capítulos de uma novela; sem que a opinião pública fosse convidada, a todo o instante, a "dar uma espiadinha" nesse que, até o momento, tem sido uma espécie de reality show transmitido em pool pelas redes televisivas. E, principalmente, sem que tantos e tão diversos programas e jornalistas caíssem na tentação de mandar o casal de suspeitos para o paredão da vida real.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Um caminho a não seguir...

Caminhos do Coração: só mesmo "interpretando" um gigante Ricardo Macchi tem condições de encarar um "grande" papel na TV...


Eu não tenho visto novelas ultimamente. E elas não têm feito a menor falta na minha vida. Mas, vez por outra, sou supreendido por um ou outro comentário de minha mãe, noveleira de mão cheia e, de uns tempos pra cá, adepta dos folhetins da Record. A pedida da vez (dela) é Caminhos do Coração...
Só de ouvir falar, minha cabeça dá um nó. É vampiro daqui, lobo de lá, homem invisível, homem que lê pensamentos...os personagens da novela têm mais poder que as Facas Ginsu e as Meias Vivarina juntas!!! Se contar que, num sábado desses, na hora do jantar, olhei pra TV - que minha mãe, fria e calculista, tinha sintonizado no tal folhetim - e avistei um dinossauro! Tosco, incapaz de colocar medo na mais frouxa das criaturas, lá estava o bisavô da lagartixa correndo atrás de um ator qualquer que eu desconheço. Esquisitíssimo!
Eis que hoje, entrou na internet e vejo uma foto do Ricardo Macchi, um dos mais novos integrantes do elenco da novela do Tiago Santiago. O personagem dele - um mutante, óbvio! - é Golias, um gigante.
Aí parei! Se o Ricardo Macchi em tamanho natural, como o cigano Igor, já era ruim de aturar, imagina ampliado pelos efeitos digitais da novela da Record? Não posso deixar de não ver!!!

domingo, 13 de abril de 2008

Sobre o caso Isabella...

O caso da menina Isabella é das coisas mais aviltantes de que já tive notícia. E igualmente aviltante tem sido o comportamento de algumas emissoras de televisão que insistem em explorar o assunto de forma sensacionalista, novelesca e, com isso, gastam minutos e mais minutos de sua programação sem que nada novo seja somado ao arsenal de informações de que o público já dispõe.
O Fantástico de ontem, por exemplo, dedicou quase dois blocos única e exclusivamente à tragédia. De novo e interessante, no entanto, só as entrevistas com a tia de Isabella e com o desembargador que concedeu a liberdade ao pai e à madrasta da menina. Só! No mais, até uma retrospectiva com os principais fatos da semana foi levada ao ar.
Na Record e na Band a coisa não tem sido nada diferente. Na Rede TV!, abaixo da crítica nessa cobertura, até Marcelo Rezende já fez as vezes de perito.
Fica a certeza de que o compromisso, cada vez mais, é com a audiência.
E também fica a certeza de que quase todos os editores tiveram a mesma "idéia genial": a de terminar todas as matérias sobre o caso com imagens de Isabella sorrindo. Precisa disso?