Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de março de 2016

Sobre o (histórico) 16 de março...


Imagem da matéria transmitida no 'Jornal Nacional' de ontem: Lula e Dilma grampeados!

Catatônico! Foi assim que o Brasil ficou ontem, no fim da tarde, quando o conteúdo de escutas telefônicas envolvendo o ex-presidente Lula foram divulgadas pela mídia. Alguns brasileiros ficaram chocados pelo conteúdo das conversas. 
Outros, pela assustadora decisão de tornar públicas as gravações. Em duas delas, ouve-se a própria presidenta da república!
Tratada como escandalosa, uma das conversas entre Lula e Dilma foi usada para validar a tese de que o governo estava nomeando o ex-presidente para que ele, sob foro privilegiado, pudesse escapar do juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava-Jato. Moro que, aliás, afirmou não haver nas conversas provas da prática de crimes no documento em que retirou o sigilo das gravações,
Pode isso? Pode um juiz de primeira instância divulgar conteúdo politicamente tão explosivo?
Pode a presidenta da república ter revelado o conteúdo de uma conversa particular, ao telefone?
Pode a mídia tratar como criminosa uma conversa cujo o conteúdo o próprio juiz afirma não trazer provas de ilícitos?
Essas eram algumas das muitas perguntas que ecoavam no ar...
Caiu a república! Ela vai renunciar! Vão invadir o Planalto...
Essas eram frases que também ecoavam no ar...
E nos inboxes, no Facebook, nos telefonemas e nas conversas via whatsapp...
O que vai acontecer?
Ninguém sabia prever. Era impossível! Catatônico diante da irresponsabilidade da divulgação dos áudios e diante da possibilidade de que, sedenta por uma justiça da qual nem conhece os procedimentos corretos, a sociedade entrasse em convulsão. Sim, ontem eu tive medo! Medo de que eclodisse uma guerra civil nas ruas. Medo de ver o Brasil mergulhar na violência, que é o que acontece quando falta racionalidade e sobra ódio. Medo de que um aventureiro se dispusesse a tomar à força o leme desse barco-país e nos conduzisse a um mar ainda mais turbulento e inseguro...
Cheguei em casa e não consegui desligar da TV. Nem da internet! Era a História sendo escrita diante dos nossos 204 milhões de pares de olhos. Era como se fôssemos, todos, personagens de um livro didático, vizinhos de página de Tiradentes, Pedro Álvares Cabral, Duque de Caxias...Vargas!
Jango!
Era como se um golpe - tempos atrás, algo tão inimaginável - estivesse se desenhando na próxima esquina. 
No próximo plantão da TV. 
Na próxima tuitada...
Acordei. Não houve guerra. Não houve o mergulho na violência, embora ela já tenha respingado aqui e acolá. Não surgiu o aventureiro-ladrão-de-leme...
Escovei os dentes e, no entanto, não passou o enjoo de quem percebe o barco-país chacoalhando mais que o desejável.
Mais que o normal.
Além do limite da segurança...

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sobre o panelaço de hoje...

Panelas são protagonistas de mais uma manifestação dos insatisfeitos com o rumo do país...

Na noite desta terça, a propaganda política do PT deu origem a mais uma manifestação coletiva em algumas regiões do país. Novamente, de acordo com os primeiros relatos, o som das batidas das panelas ecoou nas áreas mais nobres, como a Zona Sul do Rio de Janeiro. Como escrevi no Facebook, acho válidas todas as manifestações pacíficas. Achá-las válidas, no entanto, não significa que eu as ache eficazes.
Mas não me preocupo com o som das batidas das panelas...
Mais que o barulho do panelaço, o que me assusta mesmo é o silêncio dos que se calam diante da surra dada pelo governador tucano em cerca de 300 professores paranaenses na semana passada...
Ou dos que se calam diante da possibilidade de aprovação da lei de terceirização, que pode oficializar uma tungada histórica nos direitos trabalhistas...
Mais que o barulho do panelaço, me assusta o som das vozes que se erguem contra um programa social que mata a fome de muita gente nos rincões do país. Ou as vozes que se levantam contra as cotas, contra os direitos das domésticas, contra a criminalização da homofobia, contra a laicidade do Estado.
Mais que o barulho do panelaço, o que me espanta mesmo é a cegueira política de quem não sabe quem assume se Dilma for derrubada, de quem não sabe do currículo dos que se apresentam na linha sucessória e, ainda, sequer sabe diferenciar as atribuições da presidenta das atribuições de um vereador.
Por fim, mais que o barulho do panelaço, me assusta mesmo é a hipocrisia de quem sonega o Imposto de Renda com notinhas geladas e sai por aí, com a camisa da seleção, gritando contra uma corrupção abstrata, sem se tocar do quão é tocado por essa praga e de como ajuda a alimentá-la cotidianamente.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Um dia estranho

Manifestação com pauta difusa cedeu espaço para reivindicações absurdas

Acho que toda e qualquer manifestação realizada com o objetivo de cobrar direitos e serviços é válida. Do mesmo modo, também considero salutares as demonstrações coletivas que tenham o objetivo de pressionar governos - em qualquer nível - para, assim, lembrá-los que os interesses dos cidadãos devem ser considerados quando da tomada de decisões.
Embora as considere pouco efetivas, acho também pertinentes as manifestações coletivas contra a corrupção e a impunidade. E me explico: visto que ninguém se assume publicamente favorável a uma ou outra coisa, sair às ruas manifestando essa contrariedade parece clamar pelo óbvio; parece coisa de quem não consegue enxergar além do senso comum. Creio que manifestações dessa natureza carecem de uma pauta clara, de um objetivo comum. No momento atual, penso, a pauta para quem pretende combater esse combate é a da reforma política. E me incluo nesse grupo, vale dizer.
Acontece que as manifestações de ontem pareceram boiar num mar de senso comum. E, pior do que isso, quando se permitiram ir além desse pensamento mediano, tomaram caminhos assustadores. Não consigo conceber um cidadão de bem, ainda que incomodado com a atual situação do país, que se permita militar nas ruas ao lado de alguém com uma faixa onde se vê a suástica. Igualmente me intriga pensar nas "famílias inteiras, em clima de paz" dividindo a rua com pessoas que empunhavam cartazes onde se lia - inclusive num inglês constrangedor - clamores pela volta da ditadura militar. 
"Eram poucos", alguns dirão. Não importa, respondo. Ao dividir o mesmo espaço com gente assim, você valida esse discurso. Ao aceitar militar ao lado de quem defende pautas radicais, extremistas e ilegais, você caminha para se tornar mais um deles. Aliás, nas fotos e imagens de TV, nas estatísticas da polícia, "dos organizadores" e dos institutos de pesquisa, quem escolheu marchar ao lado de pessoas com tão deprimentes reivindicações já se tornou um deles. 
Por fim, lembram de um ditado popular sobre se misturar com porcos e comer farelo? Pois bem. Entre os "convocadores" dos protestos de ontem, estavam Silas Malafaia, Marco Feliciano e Jair Bolsonaro. Gente que, talvez, até traga algum orgulho para quem resolveu ganhar as ruas e assinar o cheque em branco em que se converteram essas passeatas sem foco. Mas, pra mim, esse é o tipo de gente que sempre estará do outro lado. 
Obrigado, mas do farelo deles eu só posso querer distância.

quarta-feira, 11 de março de 2015

O Brasil precisa amadurecer

Cinco meses depois das eleições, eleitores ainda se digladiam como se Dilma e Aécio
ainda estivessem disputando. E o país só perde com isso...
E nos últimos dias, reeditando um triste fenômeno que muita gente pode vivenciar durante os meses da última campanha eleitoral, as redes sociais voltaram a se transformar num campo de batalha. E não me utilizo de uma figura de linguagem; não se trata de uma metáfora, uma vez que a luta não se dá no campo ideológico. São ofensas, agressões, insultos e arranca-rabos de todos os graus. Tem de tudo, menos maturidade...
A cena política brasileira se converteu nos últimos tempos numa espécie de 8 ou 80 que, além de limitador, só tem empobrecido o diálogo e impedido o avanço do país - e do pensamento. E, pior do que isso: diante dessa polarização, os dois lados passaram a contar com defensores / torcedores apaixonados, que tratam o país como um grande campeonato de futebol; ignorando a premissa básica de que, nesse caso, todos os brasileiros deveriam lutar por um objetivo comum e que, assim sendo, a vitória não seria de eleitores do PT ou do PSDB, porque um Brasil melhor, de pé, será melhor para todos nós.
Atribuir a um partido a responsabilidade pelos males do país - sobretudo o mais grave deles, a corrupção - é, com boa vontade, ser desonesto. Desonesto com a história, com os fatos que a escreveram e continuam a escrevê-la e com aquilo que, se ainda não é, deveria ser do conhecimento de todos: não se pode estipular uma data de início da roubalheira em nosso país. Por quê? Porque aqui, infelizmente, sempre se roubou. E muito! Ou alguém se esquece que fomos uma colônia de exploração e que, portanto, o que aqui se obtinha não era aplicado em benefício do novo território e de seu povo? Se os barões contemporâneos mandam seus dólares por vias escusas para os paraísos fiscais, séculos atrás era o império a abrir a boca pra surrupiar as riquezas aqui extraídas. Não me parece estranho supor que essa lógica tenha se cristalizado e, repetida geração após geração, tenha acabado por parecer natural.
Ainda nessa perspectiva histórica, que tal se dermos um salto no tempo rumo a um passado menos remoto? O passado da ditadura militar. Censura ampla, geral e irrestrita; sindicatos e organizações privados de um funcionamento livre, imprensa amordaçada. É possível crer que não se roubava nessa época? É aceitável a ideia de que, num cenário em que sequer era fiscalizado pela imprensa e por outros organismos, o governo agia com retidão? Desculpem-me, mas pensar assim me parece inocência. Ou ignorância. Ou, reafirmo, desonestidade! E não me venham falar que o país era melhor naquele sombrio período em que os opositores eram mortos, desaparecidos, presos, expatriados, silenciados! Época em que, como vira e mexe lemos, a silenciada corrupção já levava muito.
Hoje, temos um país aberto, democrático. Uma imprensa livre - e questionável, claro. Avançamos nesses dois pontos mas, no terreno da política, a época ainda é a das cavernas. Enquanto parlamentares querem definir o conceito de família seguindo preceitos religiosos; enquanto há uma bancada da bala no parlamento; enquanto um deputado ofende mulheres, negros e homossexuais sem que nada lhe aconteça; enfim, enquanto tudo isso tomou de assalto os noticiários, Brasília foi virando uma espécie de pastiche de si mesma. O congresso, eleito para nos representar, não teve pudores de negar qualquer movimento favorável a maior participação popular nas tomadas de decisão. Congressistas também não tiveram vergonha de dizer não a um plebiscito que envolvesse a sociedade na construção de uma reforma política. Ou seja: em dois casos - e há outros - não houve a menor disposição em sequer disfarçar que os desejos da sociedade não lhes interessam. E a nós? 
Bem, nós nos calamos.
Nós vergonhosamente, covardemente e tristemente nos calamos!
Iniciado o segundo mandato de Dilma, as medidas impopulares vieram. Eram favas contadas, como sabiam - e defendiam - todos os economistas. Era o que havia por ser feito. Era o que Aécio também faria - e talvez, sob o PSDB, o país viria a experimentar um ajuste ainda mais rigoroso. 
Pois bem: era o que pedia o mercado. Era o que faria a oposição. Era o que teriam os eleitores do candidato tucano. Dilma fez. Resultado: o mercado, a oposição e os eleitores de Aécio se voltaram contra o governo. Setores da mídia, mais raivosos que qualquer partido de oposição, também se voltaram contra o governo. Não dizem, mas tá na cara! Tá nas manchetes, tá nas fotos, tá na cara dos colegas que emprestam seus corpos e vozes para que os donos da informação digam e defendam o que querem. O que querem pra si e o que querem nos fazer crer que também queremos. E nós?
Bem, alguns de nós bateram panelas.
Sim, alguns de nós, vergonhosamente, covardemente e ridiculamente batemos panelas!
Os jornais não dizem isso claramente, mas as panelas estridentes não ressoaram nas periferias. Talvez por lá estivessem todas cheias na noite do último domingo. Talvez as classes mais populares não tenham tantos motivos para protestar contra o governo. Talvez as classes mais populares tenham entendido que as eleições acabaram e que o momento é de trabalhar - governo e sociedade - para que o país entre novamente nos trilhos. Talvez as classes mais populares não engulam tão facilmente a ideia de que "nunca se roubou tanto no país" porque nos últimos anos, como indicam todos os índices, pela primeira vez em nossa história lhes tenha sido oferecido uma parte do bolo do crescimento da economia brasileira.
Agora, enquanto informam, jornais e TVs reforçam a existência de uma "grande manifestação" marcada para o próximo domingo, num explícito exercício de futurologia, uma vez que não se deveria adjetivar uma manifestação que ainda não se concretizou, ainda não ocorreu. Tempos estranhos...
É óbvio que o clima não é bom. É óbvio que a popularidade do governo está em xeque, sobretudo depois das tais mudanças impopulares - que não têm esse nome aleatoriamente. Mas também me parece óbvio que há um movimento oportunista que quer se valer disso para desestabilizar ainda mais o andamento do país; sim, porque desestabilizar um governo é comprometer o andamento do país. Mais que isso: esse movimento se aproveita da notória carência de formação ( e informação) política de grande parte do eleitorado.
O fato é que temos um sistema político viciado em corrupção e uma população que centraliza suas expectativas e cobranças no Executivo, sem dar a menor importância ao Legislativo. Depois, quando vem à tona um escândalo que apenas confirma aquilo de que todos sempre desconfiavam, a conta toda é jogada no Planalto. Talvez porque seja mais fácil. Talvez porque não se tenha cultura política para envolver toda a sociedade na fundação de um novo modelo. Talvez porque estejamos contaminados demais pelo imediatismo, por essa onda tão descartável; não serve, troca. E aí vai desde o celular até a presidência da república. Não sou a favor do "Fora, Dilma", não fui a favor do "Fora, Lula" e nem do "Fora, FHC". Democracia não é Lego, não dá pra agir montando e desmontando cenários. 
O Brasil precisa amadurecer muito e a conjuntura atual só reforça isso.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Viva o Nordeste!!!


Tenho sangue nordestino nas veias: meu pai era de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Se não fosse carioca e se não amasse tanto a minha cidade, escolheria Salvador pra viver. Pela beleza de suas praias, pela comida maravilhosa, pelo astral que a gente sente no ar assim que chega, por ter dado ao país tanta gente boa pra fazer música, pelo carnaval que adoro, pelo povo festeiro e carinhoso! E aí, meu rei, se morasse em Salvador, eu seria uma espécie de desbravador do nordeste...
Sim, porque se morasse em Salvador, eu estaria sempre na bela Aracaju, iria me esbaldar vez por outra em Mangue Seco, curtiria finais de semana na bela Fortaleza ou em João Pessoa...
Iria sempre ao Recife, terra linda, que dizem ser a mais bonita da América Latina, lugar de tantos amigos amados. Passaria sempre em São Luís, pra lembrar das cores, cheiros e sabores que só o Maranhão tem. Passaria os feriados prolongados em Maceió, o Caribe brasileiro, dona do mar mais bonito que pode existir: cristalino, quentinho e acolhedor. 
Se morasse em Salvador, meu sangue nordestino ia me levar a conhecer Teresina, capital do Piauí, única parte dessa região tão fantástica que ainda me falta visitar.
Eu amo o nordeste! 
Hoje, se há algum verdadeiro motivo pra se estar de luto, me desculpem, é a exacerbação de tantos e tão deploráveis preconceitos nessa rede social.
E se você, meu amigo, minha amiga, está de luto e não é preconceituoso, um alerta: você está se perdendo num mar de gente que destoa de tudo aquilo que se pode julgar como admirável; está usando o mesmo rótulo que está sendo usado por gente que tá por aqui propagando o lado mais degradante do ser humano...
Viva o Nordeste! 
Viva o povo nordestino! 
E viva o Brasil!!!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Não sou PT...


A gente vive um período muito curioso. Todos somos rotulados seguindo uma lógica muito cartesiana: se não é isso, é aquilo. Pois bem. Escrevo isso pra dizer que acho curioso que vários amigos me rotulem de "petista". Não sou PT - e digo isso não por achar que seja algo desabonador sê-lo. Apenas não o sou, como não sou vascaíno, não sou casado e nem sou vegetariano.
Não votei num candidato do PT para a assembleia legislativa. Não votei num candidato do PT para a câmara dos deputados. Não votei num candidato petista para o governo do estado e tampouco votei num candidato do PT - ou apoiado por ele - para o senado. Não sou PT e nem acredito nessa lógica em que um partido parece estar acima de tudo.
Acontece que, embora eu não seja PT, também não sou cego e muito menos insensível. Também não sou "desinformado", como os eleitores do PT foram (des)qualificados pelo ex-presidente FHC, em quem, aliás, já votei. Petista vota em tucano?
Pois bem, não sou PT, mas conheço o Brasil que está além dos telejornais e das páginas de revistas e jornais. Conheço um Brasil que a mídia tradicional não cobre e que está longe dos grandes centros. Um Brasil em que os sonhos e as oportunidades estão chegando a lugares que o restante do país só costumava associar à miséria e à fome. Vejo um país que assistiu a uma expansão do ensino superior inédita. Que assegurou - e segurou - trabalho e renda em meio a uma das piores crises internacionais de todos os tempos. Um país que não é mais tutelado pelo FMI. Esse novo Brasil, no qual quem nunca sonhou em sair da própria cidade viaja de avião; em que filho de pedreiro faz mestrado e em que manicures podem ver seus filhos fazendo intercâmbio no exterior; em que há cada vez mais negros nas universidades; esse país, meus amigos, me parece muito mais nosso - de TODOS - do que o país de antes. E, sinto muito, foi num governo petista que tudo isso se tornou possível.
Há problemas? Há. Muitos. E não só aqui: no mundo todo. Mas ainda acho os avanços muito mais consistentes. E, por eles e diante deles, vesti vermelho e votei com gosto ontem para manter Dilma na presidência. Para que mais brasileiros e brasileiras possam ter mais oportunidades. E para que assim, no futuro, ninguém possa usar a classe social como justificativa para tentar desmerecer a escolha democrática de cada um de nós.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A política na era das redes sociais x o caos da informação e das opiniões

Se um amigo turista, capaz de entende português, abrisse o Facebook e fosse ler os meus feeds teria imensa dificuldade para fazer uma leitura racional dos últimos acontecimentos. Isso porque as redes sociais se converteram numa miscelânea de leituras - todas pretensamente politizadas - do momento atual. Um post, compartilhado por uma famosa colunista de O Globo, atribui a Dilma, Cabral e Eduardo Paes a "infiltração de baderneiros nas manifestações". Outro, lança dúvidas sobre a isenção de Marcelo Freixo, do PSOL, e aponta para uma suposta leniência da legenda em relação aos "black blocks". Muitos se arvoram no papel de peritos e duvidam da identidade do rapaz de camisa cinza, divulgando - sem parcimônia - fotos de um outro rapaz, como se fosse esse - até então desconhecido - o responsável pelo lançamento do rojão que atingiu e matou Santiago. E por aí vai...
Entendo a avidez pela "verdade". Mas acho que esse furor, potencializado pelo poder e pela velocidade da informação compartilhada em tempo real pode causar muito ruído. O rapaz da camisa cinza, por exemplo, postou um longo desabafo no próprio Facebook, reclamando do compartilhamento de sua foto e alertando para o fato de ter sido acusado sem provas. "Virei bandido?", pergunta. Se quisesse, poderia processar todos os que compartilharam suas imagens e lhe atribuíram a responsabilidade por algo de que se alega inocente.
Quanto ao uso político das manifestações, nitroglicerina pura. Mas supor que, em ano eleitoral, a presidenta da república esteja por trás das ações violentas desses manifestantes me parece uma hipótese fantasiosa - para dizer o mínimo. Será que os defensores desse argumento não imaginam que Dilma será questionada pelos oponentes exatamente pela inda de protestos violentos que tomaram o país? Esqueceram como o governo se mostrou surpreendido pela violência das mesmas manifestações, o que provocou, inclusive, um pronunciamento em cadeia nacional? Isso tudo é desgaste, gente. Desgaste que a presidenta enfrentou ao se posicionar publicamente sobre o tema - o que, aliás, ela tem feito muitas vezes desde então.
Cabral, que parece ter desistido de governar há tempos, sinceramente não me parece em vantagem ao orquestrar um plano como esse. Toda a sua impopularidade só tem crescido desde o início das passeatas. Adicionar à essa mistura um punhado de violência arruinaria ainda mais sua imagem. Seria a pá de cal sobre toda e qualquer pretensão política futura. 
Eduardo Paes tem a simpatia de boa parte do eleitorado. Pode mudar, mas ainda é assim - sobretudo nas comunidades e no subúrbio. O aumento das passagens de ônibus, definido por ele, está na origem das manifestações cariocas. Mas a impressão que se tem é a de que, apesar de tudo isso, o prefeito atravessa esse momento conturbado sem grandes prejuízos em sua imagem. E isso se deve ao caos vivido pelo carioca por conta das obras para as olimpíadas, às constantes mudanças no trânsito e a outras ações que transmitem à boa parte da população a ideia de que o prefeito está fazendo o seu trabalho. 
Freixo, cujo nome apareceu no noticiário numa manchete que envergonha qualquer jornalista sério, parece realmente correto demais para usar recursos tão odiosos em nome de uma eventual chegada ao poder. Se tem um pecado - e, na minha opinião, talvez seja esse seu calcanhar de Aquiles - foi não deixar claro para a opinião pública que seu apoio se limitava aos manifestantes que foram vítimas de ações violentas da polícia, e que, portanto, não se estendia a black blocks saqueadores de loja, depredadores de agências bancárias e afins. Por boa vontade e, talvez, por uma certa inocência política, acaba tendo o nome vinculado a ações que desagradam o eleitorado que poderia migrar para sua candidatura nas próximas eleições. Resta saber como vai virar esse jogo...
Mas há outros importantes atores políticos em jogo. Gente que quer sepultar Cabral, desestabilizar Paes e inviabilizar Freixo. Há de tudo. A coisa é sempre mais complexa do que parece. Por isso, a meu ver, é preciso ter muita cautela antes de sair compartilhando qualquer coisa por aí. Sem querer,  podemos estar cumprindo exatamente um script elaborado por gente da pior espécie, com as piores intenções. 
Mas essa é apenas a minha opinião...

sábado, 14 de dezembro de 2013

E eu vi, enfim, uma palestra do Lula...

Aproveitei uma tarde livre no meio dessa semana agitada aqui em Brasília e dei um pulo no Fórum Mundial de Direitos Humanos. Estava cansado, arrumado demais pra ocasião e com muito sono, depois de uma noite em que havia dormido apenas por duas horas e meia. Mas a missão merecia o esforço: queria aproveitar a oportunidade de ver, ao vivo, uma palestra do ex-presidente Lula.
Sempre achei Lula um grande comunicador, capaz de conquistar plateias de todos os tipos com suas falas inflamadas, emocionantes e divertidas. Por isso, não hesitei em esperar, apesar do atraso de uma hora no início da mesa que teria a presença do metalúrgico mais famoso da história do Brasil...
E Lula veio em sua melhor forma. De cara, disparou: "Tenho aqui um discurso preparado para essa ocasião mas, de cara, vou abandoná-lo". Aplausos. Lula não tardou a dirigir sua fala aos manifestantes que faziam barulho e erguiam faixas, os mesmos que, pouco antes, haviam vaiado muito o discurso da presidenta Dilma. "Não tenho medo de cara feia, se tivesse, nem teria nascido! E teria morrido assim que me vi no espelho". Em meio às gargalhadas da plateia - que sufocaram e logo puseram fim aos protestos, o ex-presidente se pôs ao lado dos manifestantes: "É natural que se queira mais! O governante tem que saber ouvir críticas, porque muitas vezes está cercado de gente que só faz elogios". E prosseguiu: "Mas não se pode esquecer do quanto esse país avançou nós últimos anos."
O auditório, atento, passou a prestar atenção. Lula citou os mais de 20 milhões de brasileiros retirados de uma situação de extrema pobreza nos dois governos do PT. Lembrou que foi o presidente que mais construiu escolas técnicas na história do Brasil. E disse: "Fui candidato à presidência por três vezes e perdi. Poderia ter desistido, mas não desisti porque eu sabia que eu, um operário sem diploma universitário, poderia entrar para a história como o presidente que mais fez pela diversidade nesse país". Foi ovacionado e o auditório se rendeu a essas inegáveis conquistas.
"Vocês acham que eu não sei que sou odiado por muita gente?" - prosseguiu - "Eu sei! E como sei! Sou odiado por quem acha absurdo o pobre estar na universidade! O Brasil nunca teve tanto pobre estudando ora doutor, minha gente! Sou odiado pela madame que vê sua empregada chegar pra trabalhar na segunda usando o mesmo perfume que a patroa colocava nas noite de sexta pra ir jantar fora! E sou odiadopor aqueles que adorava viajar de avião com a poltrona do meio vazia, mas agora não podem mais fazer isso porque o pobre também tá andando de avião!"
Voltou-se para os jovens manifestantes e disse: "Vocês têm razão de querer mais saúde, mais educação, de quererem o fim da corrupção! Eu já levantei todas essas bandeiras! Tenho bursite de tanta bandeira que carreguei! Mas a desgraça do jovem é negar a política! Se você quer uma política diferente, entre você para a política e faça a diferença! Porque, acreditem: a desgraça de quem não gosta da política é ser governado por quem gosta dela!".
Saí do auditório como quem acaba de ver um show memorável. Aliás: vi mesmo um grande show! Lula é um orador carismático, tem alto poder de comunicação e uma oratória que toca diretamente no coração de todos que estão comprometidos com esse Brasil mais plural, diverso e inclusivo que brota em todos os cantos. Sou um desses. E agora posso dizer que, um dia, numa tarde abafada de Brasília, vi bem de perto o cara que começou a mudar essa história...

quinta-feira, 7 de março de 2013

Sete de março: um dia vergonhoso para a política nacional!

É estarrecedor ver o autor de declarações racistas e homofóbicas eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. É constrangedor perceber que a reação calorosa da sociedade - sobretudo dos movimentos sociais - sequer foi considerada por aqueles que ocupam cargos de representação.
Pergunto: a que esses senhores representam?
Não me sinto representado por quem cala diante de um fato tão sério. Não me sinto representado por quem impede que manifestantes se posicionem na casa do povo. Não me sinto representado por quem compactua com uma eleição que tem como marca inicial uma total ruptura com os ideais propostos por uma comissão tão importante: o respeito aos direitos humanos, sobretudo das minorias historicamente subjugadas por um país tão excludente.
Pergunto: que direitos defenderá uma comissão presidida por um senhor que se referiu aos negros como "amaldiçoados"?
Não me sinto representado por alguém que aparece, em vídeo, cobrando que um fiel passe a senha do cartão de débito para que o milagre desejado seja efetivado por Deus. Não me sinto representado por quem aceita motos como donativos em cultos religiosos. Não me sinto representado por quem faz varejão da fé alheia!
Pergunto: como não sentir vergonha de ser brasileiro nesta quinta-feira, sete de março de 2013???

sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre o câncer de Lula e as redes sociais...

Ex-presidente descobre câncer na laringe e notícia mobiliza internautas de todo o Brasil...
A notícia da doença do ex-presidente pegou todos de surpresa no início da tarde desse sábado. Dias antes, um falante e sorridente Lula havia comemorado o aniversário, divulgado mensagem de agradecimento aos tuiteiros; sem que a tal rouquidão se fizesse destacar tanto. Convenhamos: Lula é rouco desde que o mundo é mundo...
Mas havia algo errado e os exames comprovaram a existência de um tumor de cerca de três centímetros de diâmetro na laringe do líder do PT. E como tudo o que acontece hoje em dia repercute numa velocidade impressionante, não tardou para que o fato ganhasse as redes sociais.
Navegando pelo twitter e pelo facebook, percebi que os usuários dessas redes olharam para a notícia de ângulos bem distintos. Enquanto muitos tuiteiros usaram a hastag de apoio #forçalula - alçada a um dos trending topics no Brasil - no facebook ganhava vulto uma campanha pedindo que o ex-presidente fizesse seu tratamento num dos hospitais ligados ao SUS - o Sistema Único de Saúde. Seria uma forma de "lembrar" ao ex-mandatário do estado em que se encontram os serviços públicos de saúde no Brasil.
A internet é livre, as pessoas são livres e, felizmente, vivemos numa democracia. Mas não posso deixar de dizer aqui que fiquei espantado ao notar que - ao menos entre as pessoas que aderiram à campanha e estão em meu facebook - dificilmente alguém optaria por se tratar no SUS em circunstância semelhante. Mas ele é um ex-presidente, deve dar o exemplo - podem dizer alguns. Aos que respondo que não é com campanhas demagógicas e vazias que se poderá mudar a realidade de um país tão complexo quanto o Brasil. E, mais ainda: que não é citando o caos no SUS numa ocasião como essa que faremos as coisas melhores. Quantos dos que aderiram à tal campanha se lembram das propostas de seus candidatos nas últimas eleições para a área da saúde? 
Além do mais, honestamente, acho desumano usar um fato pessoal e tão delicado para agir politicamente. Pega mal. É feio. Tanto que até mesmo adversários históricos de Lula se apressaram em soltar notas de apoio ao ex-presidente. 
Talvez eles saibam que política não se faz com o fígado. E nem com a exploração da doença alheia...

domingo, 31 de outubro de 2010

Porque a eleição de Dilma me faz feliz...

Primeira mulher eleita Presidente do Brasil, Dilma Rousseff conquistou cerca de 56% dos votos válidos
Já no início da cobertura das eleições, a imprensa falava numa campanha plebiscitária. PSDB x PT, disputando voto a voto o direito de comandar o país pelos próximos quatro anos. Acompanhei todo o processo com particular interesse - porque realmente gosto de política - e confirmo esse tom polarizado na disputa. Mas creio que ele foi muito além da briga entre as duas legendas mais fortes da jovem democracia brasileira...
O que vi ao longo dos últimos meses aponta para um país dividido. Um país marcado por preconceitos que, de tão profundos e arraigados, fazem-se crer inexistentes. Uma nação na qual parece ter valor apenas o saber da Academia, na qual só pode ter autoridade para representar sua população um orador fluente, capaz de dominar a língua e todos os seus meandros. Preconceito antigo, que há pelo menos 25 anos recai sobre Luiz Inácio Lula da Silva...
E esse foi apenas um dos preconceitos que desabaram sobre Dilma Rousseff desde que seu nome começou a despontar nas pesquisas de intenção de voto. "Ela fala mal", diziam uns. "É grossa", disparavam outros. "É feia", opinava outro grupo. Sem falar em outros comentários que, de tão pequenos, sequer merecem menção. Um lamentável show de preconceitos estampados na testa de muitos cidadãos.
Mas, na minha opinião, nada pode ser mais cruel do que o preconceito de classes. Sim, ele não só persiste como é muito forte. E, nessas eleições, surgiu sob uma lógica que apregoava, aos quatro cantos, que o Bolsa Família estaria "comprando os votos dos pobres" para a candidata de Lula. Argumentação tola e elitista, que, em momento algum, considera as substanciais melhorias na qualidade de vida de milhões de cidadãos brasileiros que, nos últimos oito anos, passaram a ter o "privilégio" de...comer! Argumentação de quem sente falta de um passado no qual a miséria era aquela ilustre desconhecida, escondida nos rincões do Jequitinhonha ou do Nordeste, abafada nas favelas das periferias do Sul e Sudeste, submersa sob as palafitas de quem só tem madeira e papelão pra chamar de lar.
E quem disse que é pouco ou menor votar pela continuidade de um governo que, pela primeira vez, proporcionou que famílias até então miseráveis tivessem garantido o direito à alimentação? Quem disse que esse voto não é legítimo?
Quem disse que é vergonhoso votar pela continuidade de um governo que fez avanços tão importantes no que diz respeito à diversidade? Governo que devolveu a crianças e jovens negros e pobres o direito ao sonho com um futuro melhor, com a universidade no horizonte?
Lá atrás, Lula falou que a Esperança venceu o medo. E venceu mesmo! Hoje, os 56% de eleitores que conduziram Dilma Rousseff ao mais alto posto da nossa República demonstraram claramente que gostaram de ter de volta a possibilidade do sonho. E que esperam um governo que faça mais e mais. Por todos! Mas, sobretudo, pelos setores da nossa sociedade que, historicamente, foram alijados das possibilidades de inclusão.
É com esses setores que me identifico. Por ser sensível à luta histórica desses setores votei, com orgulho, em Dilma Rousseff - nos dois turnos dessa eleição. E é por esses setores, por Dilma e por um Brasil cada vez melhor que me dedicarei a torcer daqui pra frente.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mico do Ano: Weslian Roriz, a que foi sem nunca ter sido...

Joaquim Roriz teve problemas com a Lei da Ficha Limpa - aquele que ninguém sabe como e quando vai valer. Com medo de ter o registro derrubado pelos rigores da lei, retirou o nome da disputa ao governo de Brasília e lançou o da mulher. A disputa eleitoral ganhou, então, uma nova personagem. Dona Weslian, que, em matéria de vida pública, só exerceu o posto de primeira dama, passou a concorrer do dia pra noite. Já na estreia no cenário político, na coletiva em que seu nome foi oficialmente lançado, viveu o constrangimento de repetir respostas sussurradas pelo marido. Se os marqueteiros - como todos sabem - moldam os candidatos e seus discursos, o Brasil viu, pela TV, como esse processo se dá. Ao vivo e sem cortes.
Ontem, Weslian Roriz viveu o momento mais importante de sua nova carreira: participou, ao vivo, do debate promovido pela Rede Globo.
O vídeo abaixo compila alguns dos melhores (???) momentos de Dona Weslian no debate:



Eu não sei o que pensar. Aliás, sei sim: Weslian Roriz foi jogada na cova dos leões. Ou melhor: ela se deixou jogar. Ou se jogou. Nem vou especular sobre os motivos que podem levar alguém a topar uma loucura como essa, até porque acho que não há quem não perceba que tamanha ambição pelo poder só pode servir a interesses outros que não o da prestação de bons serviços aos cidadãos do Distrito Federal.
Que mico! Um dos maiores da política nacional - tão cheia deles - e um dos maiores da história dos debates políticos transmitidos pela TV. Uma candidata que lê respostas, que esquece os temas das perguntas que deve fazer e responder e que, num de seus piores momentos, diz que vai "defender toda aquela corrupção"...meu Deus! A que ponto chegamos...
O constrangimento é tamanho que até o tom de voz dos adversários e da mediadora parecem mais doces nos momentos em que se dirigem à estreante. E, a julgar pela cara de pau, eu me arrisco a dizer que Weslian Roriz tem tudo para emplacar na nova carreira!!! 
Mico inquestionável, hein?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

As celebridades do Horário Eleitoral...

Circula desde o começo da semana um vídeo com trechos do Horário Eleitoral Gratuito que vem sendo exibido em São Paulo. É uma compilação que reúne "famosos" de diferentes níveis e estilos que, em comum, têm o fato de terem resolvido postular uma vaga na Câmara dos Deputados.
Devo confessar que até dei umas risadas com essa espécie de "piores momentos" da propaganda eleitoral. Mas, passada a surpresa inicial, devo dizer que essa realidade mais me deprime do que diverte. Na verdade, ela me constrange. Sinto vergonha por ter uma mulher-fruta pedindo votos e, em troca, jogando beijos para os "eleitores". Meu estômago se revolta ao ver um pseudo-humorista - usando nome de personagem e caracterizado como tal - fazendo piada com o descontentamento do povo com a política e, assim, tentando tirar proveito dele. Isso pra ficar apenas em dois exemplos que fazem parte da tal compilação.
Esse vídeo, por fim, dá medo. Medo do futuro, do que as urnas dirão sobre essa comédia pastelão em que alguns tentam transformar as eleições. Um pastelão no qual, não tenham dúvida, quem pode tomar a torta na cara é o eleitor...

PS.: Não vou botar o link aqui por questão ideológica mesmo, ok? Se você ainda não viu, é só pesquisar no YouTube.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sobre o Projeto #FichaLimpa...

Acompanho com pesar todos os subterfúgios de que têm se servido muitos dos deputados para tentar impedir a votação do projeto que mais mobilizou a opinião pública nos últimos tempos. É vergonhoso ver o legislativo dar as costas para o interesse público sempre que vê, de uma forma ou de outra, seus próprios interesses ameaçados. É vergonhoso termos representantes dessa categoria.
Mas, mais vergonhoso que tudo isso, é saber que somos nós os responsáveis por termos essa representação tão...desqualificada.
Reflita: 2010 é ano de eleição...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Chuvas no Rio: desabafo de um carioca...

Pai carrega o corpo do filho, uma das vítimas fatais da tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro
Desde terça pela manhã, quando cheguei em casa depois de passar a noite da tempestade na TV, acompanho as notícias sobre a calamidade que se abateu sobre o Rio. Dormi pouco, agitado com tudo o que tinha visto pelo caminho; um rastro de desgraça espalhado pelos quatro cantos da cidade.
Até o momento, são 138 mortos. Número que pode aumentar substancialmente, visto que ainda há muitos desaparecidos e que, há pouco, mais um grande deslizamento de terras atingiu casas em um morro, em Niterói. As primeiras informações colocam ao menos 60 pessoas soterradas.
Toda essa tragédia me deixou muito triste. Lembro especialmente de um motoboy que escapou do desabamento da própria casa por um buraco, mas sem conseguir salvar a mulher e o filho. Lembro da mãe que perdeu os dois filhos. Da mãe que foi resgatada e viu que o filho, deficiente, não teve a mesma sorte. Lembro da história da criança de 8 anos que, prestes a ser resgatada pelos bombeiros, foi coberta por mais escombros, frutos de um novo desabamento. Foi encontrada no dia seguinte, sem vida. Sem falar na expressão de dor do pai que escolhi para publicar sobre esse post. Carregando no colo, pela última vez, o filho...
Vejo toda essa dor e me sinto impotente. Pequeno demais diante de tamanha tragédia. E sinto, meus amigos, muita revolta. Não de Sérgio Cabral, Eduardo Paes ou Lula. Sinto revolta contra toda a sucessão de culpados, que, há décadas, viraram as costas enquanto todo esse cenário assombroso que estamos vendo hoje começou a se desenhar nas encostas dos morros. São esses os culpados pelo caos e pela dor que tantos cidadãos cariocas e fluminenses estão amargando.
E antes que alguém me acuse de defender Lula, Cabral e Eduardo Paes por eventual afinidade política ou eleitoral, advirto: para os três, tomar qualquer atitude diante de um cenário construído ao longo de décadas de permissividade com o uso da terra é muito mais difícil. Como todo problema, esse deveria ter sido atacado na raiz. Mas não foi o que os responsáveis, à época, optaram por fazer. Afinal, uma atitude firme e não-popular não rende votos...
Nessa hora, todos somem. Mas ontem, um desses senhores teve a pachorra de surgir no Twitter para dizer que o volume de chuvas não "justifica" o caos carioca. Fui obrigado a respondê-lo que, talvez não justifique. E que, talvez, tenha faltado dinheiro. E que, ainda talvez, esse dinheiro tenha sido gasto por ele numa obra faraônica chamada Cidade da Música.
Fosse esse um país sério, gente desse tipo estaria banida da vida pública. Afinal, sobre a tal Cidade da Música, que ele inaugurou sem sequer estar pronta - como ainda não está - pairam grandes suspeitas de irregularidades.
Fosse esse um país sério - e fosse nossa gente consciente de suas responsabilidades - gente dessa laia jamais seria eleita em qualquer tipo de pleito. Pelo simples fato de carregar, na testa, o rótulo de co-responsável por uma tragédia de tamanhas proporções em nossa tão amada Cidade Maravilhosa...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O farelo está na mesa!

Muitos protestos sobre a visita do presidente do Irão ao Brasil. De fato, Mahmoud Ahmadinejad não é uma presença a ser celebrada. Sua vinda soa como um tapa na cara de judeus, mulheres, homossexuais e outras minorias. Sua vinda - e toda a pompa que a cerca - choca os que viram as imagens dos protestos no Irã, as mortes cometidas por um regime opressor e cruel, que mata os adversários. Que mata quem pensa e expressa as próprias convicções.
Mas lembro bem que George W. Bush também foi recebido aqui quando era presidente dos Estados Unidos. E o que penso sobre ele difere muito pouco do que penso sobre a autoridade máxima iraniana.
Talvez faça parte do jogo político receber esse tipo de liderança. Afinal, os meandros da diplomacia são muitos, claro. Mas já diz o ditado: quem se mistura aos porcos...
Duro é ter que engolir esse banquete a contragosto!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Senado: seria cômico...

Aconteceu de novo...

Atentem para José Sarney, que me pareceu perguntar a uma assessora qual botão faria soar uma campainha "maior" para repreender a falta de decoro dos parlamentares. Sem contar no non sense de, depois do circo pegar fogo, anunciar que a sessão seria suspensa por...dois minutos!!! Parece slogan da BandNews: "em dois minutos, tudo pode mudar..."
Gente, na boa...assim vira concorrência desleal com o pessoal do CQC, do Pânico, da Praça e da Casseta! E nem vou falar daquele outro humorístico de sábado a noite porque, pelo visto nos últimos dias, o Senado virou a própria Zorra Total!!! E o pior é que a gente sabe que tudo, cedo ou tarde, vai se acertar na base do Toma Lá, Dá Cá...
Fala sério!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sobre Collor x Simon x Renan...

Acabo de rever o vídeo do barraco no Senado Federal. Muito triste, sobretudo quando se conhece as biografias dos envolvidos num episódio tão lastimável - aliás, é de se espantar que muita gente, no Twitter, tenha afirmado não conhecer a figura do senador Pedro Simon. Simon sempre é apontado como um ícone da ética e da retidão, mesmo num cenário tão conturbado como o que o Senado enfrenta atualmente.
Vou ser breve no comentário: vendo a imagem do Collor, cheio de caras, bocas, pausas dramáticas e respirações profundas...
...só posso lembrar de uma velha conhecida nossa...
Agora me digam: não é pra ter?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Celebridades clamam: #ForaSarney

Movimento de repúdio aos atos do presidente do Senado no Twitter une atores, apresentadores e cantores...

Um grupo de artistas está causando o maior reboliço, nesse momento, no Twitter. Denominados como Piratas do Twitter, Marcos Mion (@mionzera), Rodrigo Scarpa (@rodrigovesgo), Junior Lima (@Junior_Lima), Bruno Gagliasso (@bgagliasso), Felipe Solari (@felipesolari) e Fernanda Paes Leme (@FePaesLeme)lideram um movimento de divulgação da tag #ForaSarney. O movimento, é óbvio, tem o objetivo de atingir o presidente do Senado, imerso num mar de denúncias de condutas impróprias.
Agora, a tag #ForaSarney está entre as mais twittadas pelos ususários do serviço de microblogging. E o grupo de piratas ganhou a adesão de mais um famoso, Luciano Huck (@huckluciano) que, no entanto, enfrenta dificuldades para colocar a logo do movimento em sua conta no Twitter.
A ação dos Piratas do Twitter nessa noite de segunda-feira já deixou pra trás alguns dos temas mais populares do site, como as questões políticas no Irã e em Honduras e o prêmio BET Awards, que homenageou Michael Jackson na noite de ontem.
E você? Acredita nesse arroubou de consciência política ou acha que tem celebridade querendo aparecer, também, no Twitter?


Comentaê!!!


ATUALIZAÇÃO: Na imagem ao lado, um flagrante do momento em que o #ForaSarney se tornou um dos assuntos mais populares do Twitter. Turbinado pela popularidade dos artistas que comandam o movimento, o tópico registrou um enorme volume de referências na rede de microblogging. Pouco depois da meia-noite, o assunto chegou a se tornar mais popular que as referências ao cantor Michael Jackson.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 54

Impressão minha ou aquela galera lá de Brasília tá colocando a tranca depois que a porta foi arrombada, hein?
Tudo bem que a gente acredita no provérbio do "antes tarde do que nunca", mas o tarde não precisa ser tãããão tarde assim. Certo?