quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Presentes...


Presente. Diz-se que é o tempo verbal indicado para se falar de tudo o que acontece agora. Também se costuma usar essa palavra pra definir aquilo que damos ou recebemos em ocasiões especiais. Ou mesmo em dias comuns. O mesmo termo aparece em outro contexto, para indicar quem está sempre perto, alguém com quem sempre se pode contar. Alguém que se faz presente. Mas, às vezes, presente é aquilo ou aquele alguém que surge em nosso caminho hoje, só pra sinalizar que o futuro pode ser bem melhor. Melhor até do que aquilo que esperávamos pra ele...
Presente pra mim.
Presente pra você.
Presente...pra nós?

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

E Maria Rita redescobriu Elis Regina...

Baixei a versão digital de "Redescobrir" na ITunes Store, nos primeiros minutos do aguardado dia seis de novembro. Sim, esse foi, realmente, um disco muito esperado por mim. Primeiro, claro, por conhecer o repertório de belas canções, tesouro maior deixado por Elis Regina. Depois, e não menos importante que isso, pela curiosidade de ouvir como elas soariam na voz da herdeira da Pimentinha. Como não tive a oportunidade de ver nenhuma das apresentações do show aqui no Rio, só me restava conferir a gravação.
Baixei as músicas e ouvi três vezes seguidas. Embaladas em arranjos mais enxutos - em muitos casos, atualizados - as canções de Elis seguem arrebatadoras. Mas, no disco, esse arrebatamento se limita à força do repertório. Maria Rita, grande cantora, dona de momentos consagradores em sua carreira de uma década, enfrenta com altivez o desafio de reler a obra da mãe, mas é impossível evitar a comparação entre elas. E não é apenas a filha de Elis quem sai em desvantagem: toda e qualquer cantora brasileira sairia na mesma situação diante desse desafio.
Elis era magistral. E segue assim: mestra de todas as intérpretes da MPB. Ia do grave ao agudo mais agudo sem titubear, intensa, num fôlego só. Brincava com a melodia, desafiava os músicos, parecia sempre na corda bamba, prestes a cair em cada verso. Nunca caiu! E segue no topo ainda hoje, passados 30 anos de sua morte.
Mas eu quis mais do que ouvir e, no último domingo, comprei o dvd do espetáculo. Achei a edição preguiçosa, e é flagrante que houve pressa no lançamento: há correções de câmera, perdas de foco e outros pequenos detalhes que jamais iriam para a versão final caso houvesse maior cuidado. Maria Rita está leve - apesar do barrigão - e soa um bocado careteira em algumas músicas, mas, apesar de suas interpretações sempre corretas e bem executadas, dosando bem emoção e técnica, fica longe do que a mãe fez em cena.
Há até um momento muito delicado no dvd: quando, em Arrastão, Maria Rita faz uma menção ao movimento frenético dos braços que Elis Regina executou no Festival da Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, em 1965. É delicado porque ali, naquele movimentar de braços, a filha assume o risco de ser comparada à mãe e, mais que isso, se expõe diante dos que pensam que esse projeto é uma tentativa de reeditar, com Maria Rita, o fenômeno Elis. Não creio nisso. Creio, mesmo, na sutileza de uma bonita homenagem à maior cantora que o Brasil já viu. E ouviu...
A grande filha de Elis tem alguns belos momentos. Fascinação, Essa Mulher, Vou deitar e rolar, Águas de Março (número em que parece fazer um cover descarado do improviso final gravado por Elis no disco com Tom Jobim), Onze Tiros, Romaria e Redescobrir estão - até o momento - entre as minhas prediletas. Me Deixas Louca é outro grande momento. Pontos altos de um show que é, sim, memorável. 
Ainda no dvd, vale salientar como são belas as palavras que a cantora dedica à mãe na contracapa do disco e no encerramento do show. Aliás, cabe uma ressalva: o espetáculo soa mais frio do que deve ter sido, uma vez que os momentos em que a artista se direciona ao público foram suprimidos na edição.
Enfim, esse é um projeto arriscado. Para Maria Rita, para a gravadora e para o público: para as duas primeiras, pela comparação inevitável e pelo risco de uma rejeição dos mais puristas. Acho que esses riscos foram superados. Para o público, o risco é não se permitir embarcar na bela voz de Maria Rita e, assim, deixar de aproveitar a grandeza de repertório que o álbum oferece. Sigo firme, vendo e ouvindo de novo, em busca de superar o desafio que me cabe...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Fragmentado


Dessa vez foi lá, no meio da conversa fiada e deliciosa de sempre, entre um aperitivo e outro, beliscando uma porcaria aqui e outra ali que, de repente, veio com a mesma intensidade de sempre a saudade. A certeza de uma lacuna que jamais se poderá preencher, e, mais que isso, a certeza de não querer que o tal vazio seja extinto por uma presença outra...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Palavras do aniversariante mais feliz do mundo...


Quando soube que passaria o aniversário longe de casa, trabalhando, fiquei apreensivo. Tive receio de me bater aquela bad, de me sentir só numa data que, pra mim, sempre é tão festejada.
Acontece que a vida nos prega peças. Viajei com uma equipe incrível e desde os primeiros minutos do meu dia até agorinha, só recebi carinho e demonstrações de afeto de todos os cantos. Debone, o primeiro a ligar, de São Paulo, me fez lembrar que quem é sincero nunca tem o que temer. Fabi, que ligou em seguida, trouxe-me as gargalhadas de sempre, notícias boas, e um amor que quero cultivar enquanto viver...
De Lara, logo pela manhã, veio o primeiro abraço. E com um carinho tão sincero, tão fraterno, que me fez sentir presenteado logo de cara. E vieram os abraços de Ana, amiga tão querida, Cadu e Santhiago, companheiros nessa minha jornada sulista. Aí eu vi que, sim, de um jeito diferente, estava em casa.
Parti pra gravação e ouvi parabéns de uma turma de crianças lindas. Uma banda tocava uma música dos meus tempos de moleque, que reafirma a invencibilidade de quem luta sempre junto dos amigos. Como eu...
Aí vieram os torpedos, inboxes, posts no facebook, mensagens pelo whatsapp, tweets, ligações! Tanta palavra bonita, tantos desejos de coisas boas! De amigos, de colegas de trabalho, da família! Uma avalanche de carinho tão gostosa, tão acolhedora, tão cheia de força que me fez sentir emocionado como há tempos eu não ficava em aniversários meus...
E assim foi por todo o dia de hoje. Fui acolhido, acarinhado e recebi toda a energia boa, de toda a parte do mundo. Energia que vocês, meus amigos, mandaram pra mim. Fiquei achando que devo ser mesmo um cara legal, porque só isso explicaria o tantão de gente boa que tenho ao meu redor; que faz questão de me lembrar o quanto eu sou amado e querido. Se sou legal, devo isso a vocês, que a cada dia me mostram o valor da amizade, me ensinam que o melhor da vida fica ainda melhor se a gente divide com quem ama e que toda essa aventura que é viver só tem sentido de verdade quando a gente compartilha e cultiva sentimentos sinceros. 
Vou dormir certo de ser um cara muito abençoado. E certo, também, de ter sido, hoje, o aniversariante mais feliz do mundo. E devo isso a vocës todos!
Obrigado, turma! De verdade! 

sábado, 29 de setembro de 2012

Hebe: a televisão brasileira perde sua maior gracinha

Hebe era uma das poucas unanimidades da televisão brasileira.
Meu sábado desandou desde que soube da morte de Hebe. Recebi uma ligação de minha mãe, já arrasada e surpresa com a notícia. Éramos fãs da vitalidade dessa pioneira da televisão brasileira, do seu carisma, do seu jeitão espontâneo e festivo. Vimos juntos seu último programa no SBT - até escrevi aqui sobre ele - e ficamos entristecidos ao ver aquela grande estrela chorosa, despedindo-se de seu público. Depois, vimos sua estreia na Rede TV! com a nítida impressão de que ela estava usando um palco que não era seu. Nessa semana, quando foi anunciada a assinatura de um novo contrato com a emissora de Silvio Santos, comemorei no Facebook. 
Não sabia que não haveria tempo para que a maior estrela da Anhanguera voltasse a brilhar no seu palco...
É muito estranha a sensação que temos quando um ídolo morre. Há um sentimento de tristeza, de luto, por um alguém que tá lá longe, que, muitas vezes, jamais teremos tido a oportunidade de ver, e por quem, apesar da distância, guardamos tanto carinho, tanta admiração...
Hebe eu vi. Gravei uma reportagem nos bastidores de seu programa anos atrás. E estar ali, diante daquela grande comunicadora, fez de mim um admirador ainda maior de seu talento e, sobretudo, de sua simplicidade. Hebe cumprimentava todos, tirava foto com todos, fazia questão de ser gentil e retribuir a cada um dos acenos, dos beijos, dos sorrisos. Ela, rainha da televisão brasileira, não se escondia atrás do brilho de sua coroa, ou do luxo de suas jóias e vestidos: era humana, acessível. Era gente!
Talvez muita gente duvide da importância de Hebe para a comunicação de massa no Brasil, mas o que ela fez em sua carreira invejável é impressionante: como primeira mulher a apresentar um programa feminino, fundou um estilo. Ajudou a definir como e para quem se faz televisão. E era brasileira demais, no trato com os convidados, na forma de se portar. Ela não inaugurou apenas a televisão: inaugurou um modo de se estar na TV. Modo até hoje seguido por muitos dos profissionais que estão na televisão: à vontade, sem falar de cima pra baixo com o espectador e rindo dos erros - inclusive, e principalmente, dos próprios. 
Sabia tudo! 
Pra mim, Hebe vai ser sempre uma boa lembrança. Ela, que tanto chamou seus convidados de "gracinha" era, sim, a grande graça da televisão brasileira.
Descanse em paz, Loiruda!


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Da coragem...

Falo é dessa urgência, dessa necessidade de você! De sentir teu abraço, de ouvir tua voz e de olhar nos teus olhos. De sentir teu cheiro, ver sua boca sorrindo e me encantar com a pintura que essa visão representa na minha vida. 
É disse que falo. Dessa saudade que me preenche quando não estamos perto - e, às vezes, até mesmo quando estamos juntos e sei que não tardará para que deixemos de estar. Dessa secura pelo teu beijo, por mensagens tuas durante o dia ou por aquele sorriso sem vergonha formado pelos dois pontos, pelo hífen e por um parêntese que você manda por inbox só pra me surpreender e me deixar todo bobo...
É isso que sinto: necessidade. De falar, de estar perto...de viver você! De viver essa coisa tão boa e intensa, de gastar essa força pra encarar todo o universo e as outras galáxias, pra enfrentar os  maiores gladiadores e sair com disposição suficiente pra escalar o Himalaia. Ou o Everest. Ou os dois!
Porque você me dá fôlego. 
Só pra me tirar todo o ar depois... 

domingo, 12 de agosto de 2012

Viva Elis!

Videoinstalação, com trechos de entrevistas e apresentações de Elis é um dos momentos altos da exposição, em cartaz no CCBB-RJ

A maior cantora brasileira de todos os tempos é tema de uma exposição imperdível para os que amam música e história. Para lembrar os 30 anos de morte de Elis, os filhos da Pimentinha, a mostra traz figurinos, fotos raras, textos, vídeos e, claro, muita música! É um mergulho no universo dessa intérprete que marcou tantas gerações e que, ainda hoje - como lembra um dos textos expostos - segue tão presente em nosso imaginário. E em nossos Ipods...
Quando Elis morreu eu tinha pouco mais de um ano. Mas esse desencontro não me impediu de me tornar um grande fã dessa mulher, dona de interpretações intensas, viscerais e, talvez até mesmo por isso, memoráveis. Dona de um sorriso doce e de um olhar de inquisidor, Elis Regina de Carvalho Costa é, ainda hoje, insuperável! Soube como poucas escolher o que cantar, onde por a voz privilegiada. E deixou um repertório coeso, de bom gosto, diversificado, ousado...único!
Percorrendo os salões do CCBB, vi, mais de uma vez, senhoras e senhores emocionados ao reviver o tempo em que Elis era mais do que uma projeção na tela, mais que uma foto impressa num painel. Choravam aqueles homens e mulheres que carregaram até aqui as marcas que a música dessa grande artista lhes fez na alma. E sei que as carregarão para sempre! 
Esse clima de emoção me sensibilizou. Que poder tem a voz de Elis! Que poder há em suas músicas, eternizadas em nossas memórias e em nossos corações! Que poder tem o artista que sabe zelar por sua obra, por seu dom! 
Enfim, a exposição é uma delícia! Fiquei viajando entre todo o incrível material exposto e imaginei como será daqui a 10, 20 anos, quando uma Elis projetada em holografia poderá cantar em 3D para seus fiéis e saudosos fãs! Se Deus quiser, serei mais um a aproveitar a tecnologia pra matar as saudades da Pimentinha mais doce que já temperou a MPB...