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domingo, 6 de abril de 2008

Ela é toda boa!

Em micareta no Rio, Ivete canta, faz charme e até separa briga na platéia...


É repetitivo, já falei disso aqui, mas os shows de Ivete Sangalo sempre têm um efeito quase terapêutico. Muito bom curtir o astral dessa baiana, pular ao som da sempre sagaz Banda do Bem e, de quebra, rir das piadas que a artista sempre acaba soltando do palco.
Ontem, Ivetuda pôs fogo no Riocentro! Levou convidados famosos e até o resistente Lulu Santos estreou numa micareta. O encontro dos dois, aliás, foi bem bacana. Preta Gil, ousada, perguntou quem gostaria de beijá-la. Não ouvi ninguém responder positivamente. Mas o que importa é que a cantora - em cartaz em Laranjeiras - se integrou com o som de Ivete e não fez feio ao encarar os sucessos da dona do show.
Para quem costuma freqüentar eventos dessa natureza, vale uma observação: felizmente, o índice de brigas pareceu bem menor. A única que vi, aliás, foi apartada pela própria Ivete. Do trio, ela disparou para os brigões: "Com tanta menina bonita, meu filho, você quer se agarrar logo com um homem? Tudo bem, pode até agarrar, mas primeiro tem que assumir que quer ficar com ele...". Todo mundo riu. E o valentão, até então se sentindo o poderoso, virou motivo de chacota...
Mas o público das micaretas - que pode ser insuportável em algumas ocasiões - também sabe ser divertidíssimo. E um dos ecos da festa merece ser registrado. Quando Ivete cantava "A Galera", o refrão foi devidamente adaptado à atual situação dos habitantes da cidade do Rio de Janeiro. Na versão original, a cantora diz: "E a galera?" e o coro responde: "ô, ô". Ontem, foi diferente. Ivete perguntou: "E a galera?" e uma voz antenada respondeu: "Tá com dengue". Muito engraçado!
Aliás, o número de mosquitos atacando no local me fez temer que os números da epidemia de dengue aumentem consideravelmente nos próximos dias. Torço para que não seja o caso. Por via das dúvidas, vale elogiar a micareteira que, prevenida, curtiu o evento com um frasco de repelente no bolso do short. Ela, certamente, quer continuar cantando apenas a versão original de "A Galera"...
Bueno, a micareta não se resumiu ao show de Ivete Sangalo. A Timbalada também passou por lá mas, infelizmente, achei muito ruim a apresentação do pessoal que veio do Candeal. O roteiro alternava músicas melosas e o som percussivo do grupo, que me pareceu perdido num ponto qualquer do caminho entre suas raízes timbaleiras e o desejado sucesso comercial. Uma pena! Já vi shows da Timbalada, com a formação anterior, diga-se de passagem, em que o foco era outro...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Dá-lhe, Preta!!!

Vamos ao lead, como se diz no jornalismo: hoje li o post do blog de Preta Gil e concordo com a moça em gênero, número e grau!
Semana passada, passando por uma banca de revistas, vi a capa da Flash. E, de cara, saquei que ali se estava propondo um jornalismo muito boboca, pautado em estereótipos, preconceitos e congêneres. Colocar Preta Gil e Sabrina Sato lado a lado e dizer que elas exibem seus contrastes é uma apelação desnecessária, boba; um escorregão feio na trajetória da publicação. Até porque, qualquer dupla de beldades estampada ali também poderia exibir contrastes, porque todo mundo é diferente. Ou não?
Aí você pode estar dizendo: bobagem, tempestade num copo d'água! Coisa nenhuma! Concordo com a Preta Gil quando ela diz que esse deboche, esse preconceito, atinge todas as mulheres do Brasil! Porque impõe a todas elas a busca por uma perfeição inatingível e que, mesmo as musas, só alcançam com o auxílio dos Photoshops da vida, em seus ensaios sensuais programados pra vender rios de dinheiro.
Tolerar essa ridicularização em torno da forma física da Preta hoje é abrir brecha pra que, amanhã, se faça piada de alguém que é negro, gay, judeu e etc.
Y hay prejuicio, soy contra!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Trinca de divas se destaca no Festival de Verão de Salvador

Ivete Sangalo sempre faz grandes shows, mas precisa oferecer mais que "o de sempre"; Cláudia Leitte ainda fica a dever em afinação e espontaneidade; e Daniela Mercury, 15 anos depois de sua explosão com "O Canto da Cidade", renova repertório e faz a melhor apresentação do Festival...

O Festival de Verão de Salvador tá rolando, para desespero daqueles que não suportam a música baiana. Não é meu caso: sou admirador confesso das baianíssimas Ivete e Daniela Mercury, sem falar de Gil, outra atração dessa edição. Tenho visto alguns trechos de shows pela TV, pela Internet e lido uma ou outra coisa nos jornais que cobrem o evento - e vale ressaltar que o espaço dado pela mídia ao Festival tem crescido bastante nos últimos anos. O que acho positivíssimo!
Três noites de festa, já coloco aqui algumas das minhas impressões:


1) É impressionante o domínio que o Chiclete com Banana tem da platéia - embora, pra mim, continue sendo apenas uma mistura indigesta;

2) Cláudia Leitte, linda como sempre, ainda precisa se aprimorar muitíssimo, tanto como cantora, quanto como performer. Suas piadas parecem ensaiadas demais, pouco espontâneas e, desse jeito, é difícil que todos deixem de compará-la a Ivete;

3) Ivete, por sua vez, precisa entrar em estúdio amanhã para gravar músicas novas! Ela já mostrou que tem o poder, que canta bem, que move multidões, mas acho que mesmo os fãs mais ardorosos podem não agüentar mais um ano inteiro de shows com "Poeira", "Festa" e afins...! Fez um showzão, mas precisa ousar. Mas vale o destaque: a baiana é a artista que mais vende DVDs no planeta! É moral demais, né não?

4) Gilberto Gil é um mestre! Mas mandou Margareth Menezes pro abate com um arranjo num tom que deixou a baiana praticamente sem condições de acompanhá-lo. E ainda sapecou a Preta Gil no palco. Sou fã da personalidade da Preta, debochada, descompromissada...mas, como cantora...

5) A banda Asa de Águia também brinca com os micareteiros de plantão. Mas eu não tenho paciência pra vampiros, manivelas e afins...acho muito sacal!

6) Daniela Mercury mostrou, mais uma vez, que sua inquietação artística é um grande trunfo. Preparou um show diferente dos que apresentava na turnê "Balé Mulato", caprichou no visual - com bailarinos e coreografias muito eficientes - e, de lambuja, fez a festa ao comemorar os 15 anos do lançamento de seu sucesso "O Canto da Cidade". Com razão, e sem falsa modéstia, fez um bonito discurso sobre o papel que seu sucesso inaugural teve na projeção do samba-reggae no cenário musical brasileiro, e saudou os 15 anos de predominância da música baiana em todo o país. Emocionada, Daniela mal conseguiu cantar a primeira parte da música, com figurino que fazia alusão ao utilizado na época do lançamento do disco. Foi quem fez mais bonito nesse festival!

domingo, 2 de setembro de 2007

Será que o público vai seguir esse caminho?

Nova novela da Record mistura elementos de sucessos nacionais e internacionais e lança no ar uma pergunta: o telespectador brasileiro vai embarcar na trama dos mutantes?


Na semana passada, a Rede Record estreou mais uma novela, "Caminhos do Coração". O elenco é cheio de estrelas e a emissora tem se mostrado capaz de produzir folhetins capazes de conquistar a audiência. O que, diga-se de passagem, eu acho muito positivo. Baseado nisso - e numa propaganda fortíssima de minha mãe, já uma fiel espectadora das novelas do canal, fui dar uma conferida...
Não vi a estréia e, pelo que li, perdi algo bem próximo de uma super-produção. Vi parte do capítulo de sexta e o de sábado. E, nadando contra a maré ou não, não gostei. Primeiro, uma cena do personagem de Walmor Chagas jogando m... no ventilador na própria festa de aniversário, cuspindo marimbondos contra a família, os acionistas da empresa e afins. Achei forçada e ficou nítido um certo constrangimento de alguns atores na seqüência (incluindo o grande Walmor).
Vi algumas cenas de Bianca Rinaldi e não me custa dizer que ela é o destaque positivo da novela. Além de linda, a ex-paquita mostra que há vida inteligente depois da aposentadoria do cargo de ex-assistente da Xuxa. Não deve nada a um monte de atrizes que a gente vê por aí...
Se Bianca é o destaque positivo, o destaque negativo é a história dos mutantes. Sabe o que parece? Que o autor juntou "Barriga de Aluguel" - que já tinha como um dos cenários uma clínica de genética; "O Clone" - com o cientista Albieri; "Heroes" e "X-Man" e deu no que deu. A trama ficou forçada e não há realismo fantástico que salve da catástrofe uma cena na qual a veterana Ana Rosa tem que aturar uma garotinha gritando e estourando todos os vidros da casa. Felipe Folgosi, coitado, também precisou se empenhar para parecer verdadeiramente preocupado com a esquisitice da criança, que acabou por tacar fogo numa parte da casa. E, no capítulo do dia seguinte, ainda repetiu a dose num cemitério - dessa vez, no entanto, numa seqüência de produção infinitamente melhor.
Além da "soprano destruidora", há o menino lobo. Tadinho. Encara um personagem constrangedor..."vou chamar meu cachorro", diz ele, ameaçando um mendigo que lhe perturba. E tome sonoplastia de lobo, de latido e a gritaria da vítima do "Mogli versão Record..."
Também vi trechos de uma seqüência de um outro mutante, um molecote que corre que nem o "The Flash", lembram? Serginho Malheiros vive esse menino e, ao menos na cena que vi, os efeitos da Record mostraram convincentemente o tal poder do garoto.
Outra criança com poderes especiais é uma menininha linda. Que tem asas. Numa das cenas que vi, ela e a irmã chegam em casa e dizem ao pai que o segredo (as asas) quase foram descobertas na escola. "A tia disse que ela está com uma corcunda grande demais, pai", diz a irmã da menina alada.
E ainda tem a Preta Gil - que eu acho divertidíssima - ainda longe do tom de sua personagem. Por aqui, são apenas caras e bocas...
Demais pra minha cabeça...! Vamos ver se o público está preparado pra um realismo fantástico tão fantástico assim...