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sábado, 3 de julho de 2010

Sobre o meu sábado pantaneiro...

Aproveitamos o último dia da viagem a Mato Grosso para captar stock shots do Pantanal. Stock shots são aquelas imagens utilizadas na televisão para ilustrar um assunto específico. No nosso caso, a ideia era gravar imagens da natureza, da biodiversidade e das belas paisagens do Pantanal.
O trabalho começou bem cedo: deixamos o hotel às três da manhã. Chegamos à Transpantaneira - estrada que dá acesso ao Pantanal e às pousadas - quando o sol ainda surgia tímido no horizonte. E a beleza do canto dos pássaros - na verdade, uma infinidade de sons diferentes - já demonstrava que o dia seria riquíssimo.
Conseguimos captar belos momentos dessa natureza selvagem, tão distante daqueles que - como eu - são essencialmente urbanos. Fizemos um passeio de barco pelos rios da região e pude conhecer Zico e Dorotéia, dois enormes jacarés que são alimentados pelo barqueiro com pedaços de peixe. Treinados, aqueles bichos assustadores se aproximam da embarcação logo que ouvem o chamado de seu Valdir, pantaneiro que nos conduziu nessa etapa da aventura. Para minha sorte (???), Zico e Dorotéia vieram bem na minha direção, saltando para fora das águas em busca do lanche da manhã. Uma imagem que eu, certamente, jamais irei esquecer.
Também avistamos alguns Tuiuiús - em quantidade bem menor do que a mostrada na novela Pantanal, da extinta TV Manchete. Aliás, soube que essas belas aves estão na lista dos animais em extinção. Uma pena: o Tuiuiú é a ave-símbolo da região.
Depois de uma pausa para o almoço, a aventura continuou. Desta vez, a pé! Fizemos uma trilha de três horas, mata adentro, em busca de mais flagras. E foram muitos: do pica-pau batendo forte o bico no tronco das árvores a vários tipos de macacos, passando pelo já raro tamanduá-mirim, cuja presença na trilha surpreendeu até mesmo Gonçalo, outro pantaneiro que atuou como guia em nossa jornada terrestre.
Na volta, com o céu escuro e lotado de estrelas - tantas que a gente até se pergunta onde elas se escondem quando olhamos pro alto nas cidades grandes - uma última anfitriã surgiu para se despedir: uma sucuri. Com uns dois metros, ela atravessava a Transpantaneira, certamente procurando algo para comer.
Depois disso, segui viagem em silêncio até Cuiabá. Queria me certificar de que minha cabeça seria mesmo capaz de guardar todos aqueles belos momentos vividos naquele pedaço de chão tão brasileiro. De uma gente tão querida, carinhosa, hospitaleira e simpática. Onde a natureza mostra toda a sua beleza e sua força.
Pedaço de chão que eu tive o prazer de conhecer neste já inesquecível sábado...

domingo, 20 de setembro de 2009

Sobre as belezas do Ceará. E do povo cearense...


Dois dias inteiros no Ceará e, mesmo em meio a tanto trabalho, já sinto uma saudável desacelerada. Aqui o ritmo é outro e a beleza da natureza e o humor do povo cearense se encarregam de mandar o estresse da vida cotidiana pra bem longe...
Beleza de lugares como as prais de Beberibe, no litoral oeste da capital. Lá é possível passear pelo labirinto de falésias e ver de perto a areia de diferentes tons e cores que os artistas usam pra produzir os desenhos que enchem aquelas tradiconais garrafinhas com imagens típicas da realidade local.
Humor de gente como Cleylson, guia turístico que nos acompanhou durante o passeio pelas falésias. Com ensino médio completo e formado em curso do Sebrae, Cleiylson disse, entre outras pérolas, que os cearenses têm muitos filhos "porque, aqui, as camisinhas são feitas de...renda!".
Por outro lado, esse ritmo no stress também gera situações, digamos, embaraçosas. Pedi para ser acordado cedo, na manhã de ontem e...nada! Hoje, também no hotel, liguei para o room service e pedi meu jantar. A atendente, muito simpática, registrou o pedido e prometeu a entrega em 25 minutos. Uma hora e quinze depois, liguei para entender a razão do atraso. E ela se justificou:
- O senhor não disse o nome do quarto...
- Mas você não me perguntou! Achei que o sistema indicasse de onde eu estava ligando! - argumentei, rindo da situação.
- Diz não senhor... - justificou-se a moça.
Menos de dez minutos depois, o prato veio. Muito quente: foi requentado com requinte!
Mas o que mais tem me cativado é o brilho nos olhos das crianças daqui. Muitas eu conheci na escola em que gravamos ontem. Um, Michael, aproximou-se de mim pra saber "como era voar de avião". Mal sabe que o sono que sinto dentro das aeronaves me impede de dar uma explicação mais detalhada. Loiro e de olhos verdes, o Michael se revelou fã do xará, Jackson. E ficou do meu lado durante boa parte da gravação. Aquele tipo de criança que a gente olha e dá vontade de ter uma igual...
Mas se eu fosse ter um loirinho como Michael, teria que ter outro, moreno, como Jean. Ele tem 12 anos, olhos pretinhos e brilhosos. Não tem muito mais que metro e meio. Nunca repetiu e já está na sétima série. Jean vende cocada na praia para ajudar a família de sete irmãos. Sonha ser jogador de futebol e, ao ouvir meu sotaque carioca, pergunta pra qual time torço. E a gente se descobre arqui-rivais: eu, flamenguista. Ele, vascaíno. Compro e provo a deliciosa cocada e, quando vejo Jean dar as costas e partir, desejo, em silêncio, que Deus guie e proteja os passos daquele garoto tão esperto e educado. E que ele tenha a oportunidade de conhecer pessoas e lugares tão incríveis como eu tenho tido...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 61

Olhem essa foto que eu tirei na entrada do Museu Vaticano, na Itália:

Agora me respondam: quem, em sã consciência, vai entrar no Museu de maiô, turma? Ou de cueca e camiseta? Ou, no caso das moças, de baby dooll?
Se fosse em Portugal, diriam que esse aviso é fruto da, digamos, peculiar visão de mundo dos lusitanos...
Esses italianos, hein?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Diário de bordo: Roma 2...

Quando recebi um e-mail classificando como imperdíveis os sorvetes da Piazza Navona, fiquei empolgado: sou fanático por sorvetes e o calorão de Roma tava de matar!
Lá fui eu conhecer os gelatti romanos! E a dica da amiga Isabella Saes se mostrou pra lá de acertada: o sorvete de pistache é um pecado mortal! Sem falar no sabor fragola, que nem de longe lembra aquela coisa doce e artificial demais dos sorvetes de morango aos quais estamos habituados.
Outra diferença entre os sorvetes que experimentei por lá diz respeito à textura. É perceptível que a concentração de gordura parece muito menor. O sorvete derrete na boca, parece suave, mais leve! Ou seja: um convite irrecusável ao pecado da gula!
Mas, e as famosas massas? A começar pela pizza, tudo tem um quê especial. A massa é mais leve, finíssima, crocante e saborosa. O molho de tomate tem um destaque que, em alguns casos, chega a ser maior que a fixação pelos queijos e recheios mirabolantes. Em suma: uma delícia que não pesa no estômago e que assusta pelo tamanho, uma vez que o costume é que cada sujeito como a sua própria pizza.
No entanto, confesso ter ficado fã de uma receita típica da Itália: o spaghetti alla carbonara. Preparada al dente e incrementado com um molho a base de ovos, queijo e bacon, a receita costume vir acompanhada de porções de pão - que fica delicioso quando mergulhado no molho da massa. É de comer rezando e pedindo forças para não cair na tentação de repetir!
Ou seja: no quesito gastronomia, passar pela Itália parece ser um desafio às tentativas de se manter no peso...

Diário de bordo: Roma...

Calorão, céu azul, muitos turistas e um aeroporto que mais parece uma rodoviária. Essa é uma síntese da Roma que encontrei logo na chegada a Itália. Síntese das imagens, porque, para ter uma ideia do som, basta imaginar muito gente falando ao mesmo tempo. E alto! Fala-se alto por lá...
No aeroporto, no café, no carro que nos levou até o hotel e, enfim, no próprio hotel, fiquei impressionado com a recepção calorosa dos romanos quando dizia que sou brasileiro. Foi, de longe, a recepção mais calorosa de toda a viagem - e, também, a mais profissional, com um mapa assinalado com todos os pontos turísticos da cidade e sugestões gastrônomicas irresistíveis. Mônica - a recepcionista do hotel - poderia ser uma excelente ministra de Relações Exteriores.
E o que dizer da cidade? Roma é quase um sinônimo de história. As ruínas do Foro Romano, o Coliseu e o Pantheon me fizeram ter a certeza de que estava visitando o berço da civilização. Afinal, onde mais se pode contemplar os vestígios do incêndio que destruiu parte da Roma Antiga e, de quebra, encontrar tumbas de imperadores que todos conhecemos nas páginas dos livros de escola?
Também é em Roma que encontramos um Estado cercado por muros. Entrei na Piazza San Pietro e minha boca abriu involuntariamente: tudo é majestoso, tudo é muito bonito no Vaticano. E, na minha modesta - e um tanto cética - opinião, tudo ostensivo demais diante da simplicidade dos gestos e das palavras de Jesus. Mas, vá lá: cumpri rituais como o de passar as mãos nos pés da imagem de São Pedro, dentro da Basílica, e também não resisti: rezei por mim e por todos os que amo diante do túmulo de João Paulo II, uma figura muito carismática pela qual sempre nutri grande simpatia.
Detalhe: paga-se cinco euros para subir num elevador que leva à cúpula da Basílica. Ou melhor: o tal elevador quase leva à cúpula: depois, é preciso subir mais 320 degraus! Achando que iria me deparar com o teto da Capela Sistina, encarei a maratona. Lá em cima, morto e seu avistar a beleza dos afrescos de Michelangelo, eu me senti enganado. Santa ignorância...
Descobri que a Capela Sistina faz parte do Museu Vaticano. Paguei nova entrada e lá fui eu. Depois de percorrer todo o circuito expositivo, cheguei ao destino e fui avisado: fotos são proibidas. Mas...


Por enquanto é isso! No próximo post falo dos sorvetes e das massas deliciosas de Roma...

Té!

domingo, 19 de julho de 2009

Uma missão impossível em Madri...

Contei aqui que quando entrei no Palácio Real, fiquei encantado com a beleza e com a suntuosidade do lugar. Parece cenário de filme, uma coisa realmente encantadora. Como o palácio é utilizado em cerimônias militares e em recepções a outros chefes de Estado, fotos e vídeos não são permitidos.
Mas...

O Palácio Real é um lugar que todo visitante da capital espanhola deve conhecer!

Turma, essa foi a última postagem sobre Madri. Estou em Roma há dois dias e já tenho muita coisa pra contar sobre a capital italiana. Arrivederci, regazzi!

Diário de bordo: Madri 3

Depois do dia inteiro caminhando por las calles da ciudad, voltar pro hotel é um momento magnífico. Tomar aquele banho relaxante, deitar numa cama gostosa e - podem me chamar de viciado - ligar a televisão! Fiz isso nas duas cidades anteriores e não seria diferente aqui em Madri.
A televisão portuguesa se assemelha mais à nossa: é variada em gêneros e investe bastante em dramaturgia, além de generosos espaços para os enlatados americanos. Em Paris, uma televisão fria e elegante - totalmente no espírito da cidade. Agora, aqui em Madri, francamente...a televisão é muito ruim! São vários canais tomados pelas televendas! De todo o tipo! Desde os produtos infalíveis - que, claro, sempre falham - a serviços de previsões astrológicas - feitos por uma suposta astróloga que assinava algo como Iemanya...rs - até serviços de chamadas pornográficas.
Isso mesmo, turma: depois de um certo horário, ao menos 3 canais exibem filmes pornográficos na maior cara de pau - sem trocadilho, ok? E, na parte de baixo da tela, ainda são exibidas mensagens enviadas por sms por telespectadores, digamos, à espera de um milagre.
Algumas pérolas que cheguei a ver:
- Chico gordo procura amiga para festa (???)
- Travesti procura três travestis agora (o que essas quatro queriam fazer, hein?)
E por aí vai...
Sem falar numa outra febre que contagiou as madrugadas - sempre durmo com a TV ligada em hotéis. São aqueles programas que oferecem jogos por telefone aos desavisados que ligam. Uma chatice com toda a pinta de picaretagem que, aliás, também já andou dando as caras no Brasil.
Em suma: Madri é uma cidade encantadora, mas com uma TV que faz sentir muitas saudades do Brasil...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Madri: edición extra!!!

Turma, ontem eu visitei o Palácio Real de Madri, uma das residências oficiais da família real española. O Palácio é utilizado em cerimônias militares e em recepcoes para outros chefes de Estado. Embora a visita seja permitida, é proibido tirar fotos em boa parte do percurso.
Mas...fiquei tao impressionado com a beleza do salao do trono e das outras dependências que dei uma de repórter investigativo e, a la paparazzo, fiz alguns vídeos da singela choupana real.
Posto em breve, cierto?
Hasta!

Diário de bordo: Madri 2

A gastronomia española é cheia de especifidades. Um dos pontos altos aqui é a combinacao (sem til e cedilha, lembram?) de lombo suíno, ovos fritos - com a gema mole - e papas fritas. Tudo regado a azeite. É de comer rezando...pro colesterol nao subir muito...
Mas há um menu que soa muito curioso para nós, brasileiros. Sim, porque alguém se imagina sentando num restaurante e pedindo porra? E pulgas? Isso pra nao falar de tapas, outro must da culinária local...
Bueno, preferi nao me arriscar nessa aventura pela culinária ibérica. Mas fiquei fascinado pela generosidade do povo madrilenho e pela simpatia dessa gente. E ainda tenho muitas histórias daqui pra contar.

Hasta luego, chicos y chicas!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pegadinha no Museu de Cêra...

Bom, voltarei a postar do próximo destino: Madri!
Hasta luego!

Diário de bordo: Paris 2...

A passagem por Paris seguiu em ritmo de maratona. Como já conhecia a cidade e já tinha visitado todos os monumentos e pontos turísticos, resolvi dar uma passada por todos nesses 3 dias. Graças ao metrô, a jornada de passar por 20 pontos localizados nas mais diversas regiões da capital francesa num espaço de tempo tão curto foi bem sucedida.
Mas, confesso: tô mortaço! Essa é a última noite aqui em Paris e sucumbi: vou ficar no hotel pra repor as energias...
A cidade tá lotada! E um dos flagrantes que fiz em vídeo comprova isso. Foi na tarde de domingo, durante a visita à Sacre Coeur, que estava lotada - o que também aconteceu com a Catedral de Notre Damme, que tinha filas imensas de visitantes.
Nas longas escadarias da Sacre Coeur, que fica em Montmartre, centenas de franceses e turistas sentavam para apreciar o pôr-do-sol. E a curiosidade: um indiano cantava e tocava sucessos da música pop internacional.
É, turma...eu testemunhei o dia em que o U2 passou por uma das igrejas mais famosas do mundo. E com direito a um animador de plateia pra lá de empolgado. Espia só:



Talvez possa parecer uma basfêmia para os mais religiosos, mas o show acontecia em clima de total harmonia e respeito. Aliás, vale dizer que Montmartre é uma mistura perfeita de Lapa e Santa Teresa.
Tem mais vídeo em breve. E o próximo é uma espécie de pegadinha que gravei durante a visita ao Grévin, o museu de cêra de Paris...

domingo, 12 de julho de 2009

Diário de bordo: Paris...

Eu já tinha passado férias na capital francesa e, portanto, as habitudes dos franceses não me surpreendem mais. Um povo apressado, que esbarra em você o tempo todo nas calçadas e escadas das estações do metrô, chegando ao cúmulo de antecipar o pedido de desculpas - o famoso pardon - e que, salvo algumas raras exceções, não demonstra muita paciência para responder perguntas - especialmente se elas são formuladas em inglês.
Mas Paris é uma cidade linda e está acima desses pequenos deslizes. Seja pelo impecável sistema de transportes, seja pela beleza de seus monumentos, praças e museus ou pelo charme dos cafés, são vários os motivos que fazem dessa uma das mais encantadores cidades em todo o mundo.
Cheguei aqui no sábado, por volta das quatro da tarde. O que seria o fim de tarde se revelou apenas o começo de um longo dia: por conta do verão e do horário especial da estação, os dias permanecem claros por aqui até as dez da noite. Resultado? Relógio biológico piradaço e oportunidade de aproveitar ao máximo as maravilhas da Cidade Luz.
A primeira parada, como não poderia deixar de ser, foi no símbolo máximo de Paris: a Torre Eiffel. O monumento completa 120 anos esse mês e várias comemorações estão agendadas para os próximos dias. O inconveniente é que algumas áreas próximas à torre estão interditadas, o que dificulta a vida dos turistas e exige criatividade na busca por ângulos interessantes para as fotos.
Em dois dias - escrevo já na madrugada de segunda - uma das imagens mais bacanas que vi foi a reação do público diante de um dos momentos mágicos que acontecem a cada hora na Torre Eiffel. Ouvi uma espécie de suspiro coletivo misturado com aplausos de algumas milhares de pessoas embevecidas diante daquela beleza. Essa reação fantástica não consegui registrar, mas aqui vai um vídeo que dá a medida de como o cartão postal mais conhecido de Paris surpreende quem o visita:

É isso, pessoal! Mais notícias da terra de Sarkozy em breve! Até!

sábado, 11 de julho de 2009

Diário de bordo: Lisboa 2

Alguns portugueses são muito amáveis com os brasileiros. Outros não dispensam nenhum tipo de tratamento especial aos habitantes da antiga colônia. O que não chega a revelar uma implicância. No geral, os lisboetas tendem a parecer um bocado ásperos na forma de falar e, principalmente, de responder eventuais indagações. Foi o que aconteceu quando, numa pastelaria, eu quis saber se as queijadinhas de Évora eram iguais às de Sintra.
A vendedora me respondeu, como quem diz uma grande novidade:
- As de Évora são as de Évora, e as de Sintra são as de Sintra!
Sem acusar o golpe, perguntei:- E a senhora tem as queijadinhas de Sintra?
- Não, ora! As de Sintra, só em Sintra!
Tentei buscar alguma lógica, uma vez que a mesma loja, em Lisboa, vendia as queijadinhas de Évora. Mas desisti: era melhor não argumentar.
Em outra situação, numa das estações do metrô, avistei uma funcionária e me aproximei:
- A senhora sabe me dizer se aqui tem banheiro?
Ela, com feição de quem parecia transtornada, respondeu, um pouco alterada, com uma nova pergunta:
- É o que é?
Por alguns segundos pensei que tinha falado alguma bobagem grave. E minha prima explicou: banheiro, em Portugal, é sala de banho!
Mas há também os lisboetas que fazem de tudo para ajudar o turista. Como uma senhorinha, típica beata, que encontrei saindo da Igreja de Santo Antônio. Perguntei se aquela era a Sé de Lisboa e ela, carinhosamente, só faltou me pegar pela mão pra apontar a direção correta a seguir. Uma simpatia mesmo!
Enfim, essas são apenas algumas das demonstrações de quão paradoxal e cativante pode ser essa cidade que me encantou desde o primeiro instante. E o engraçado é imaginar que conhecer Lisboa sempre foi um sonho pra mim e que, depois de realizado, não me decepcionou por um minuto sequer...

PS.: Agora sim: o próximo post será sobre direto de Paris, onde já estou. Té +!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Diário de Bordo: Lisboa

Apresentação de Fado em Bairro Alto, Lisboa. A cantora se chama Felipa Tavares
A capital de Portugal é uma cidade fascinante! Estou encantado por sua beleza, pela riqueza de seus monumentos e praças e pelas comidas deliciosas - e fartas.
Lisboa tem muitas peculiaridades. Por exemplo: leite Semi-desnatado aqui é Meio Gordo. Contribuição eles chamam de contributo. Sem contar na inexistência dos gerúndios, que chega a gerar algumas construções verbais bem engraçadas. O sistema de transporte, muito eficiente, chega ao ponto de enlouquecer qualquer um, dada a quantidade de opções. São bondes, trens, metrô - pronuncia-se metro - ônibus e elétricos. Sem falar dos táxis que, aliás, são um capítulo a parte: não é raro avistar Mercedes e BMWs rodando com passageiros pelo Centro.
Pra nós, brasileiros, visitar essa cidade é especialmente interessante. Em alguns dos pontos, como em Belém, temos a oportunidade de esbarrar em pedaços da história do nosso país. De lá do cais, foi inevitável pensar na coragem e no espírito aventureiro dos homens que, no século XVI, lançaram-se ao mar na expectativa de conquistar terras novas. E obtiveram êxito em grande parte das empreitadas.
Nas ruas, além do falar mais chiado, não é raro ouvir fados. Especialmente no Bairro Alto, que tem um quê de Santa Teresa e abriga vários restaurantes de comidas típicas. E com direito a apresentações dos fadistas. No jantar desta quinta-feira - escrevo já na madrugada de sexta -conheci a voz de Felipa Tavares, uma jovem e talentosíssima cantora. Ela se apresenta sem microfone - como fazem os bons fadistas - e tem uma voz que faria inveja a muitos profissionais que ouvimos em rádios brasileiras. Um programaço!

Bueno, darei mais notícias em edições extraordinárias. Ou da próxima parada: Paris.
Até!
PS.: Turma, lembram da história do convite que recebi para escrever uma crônica que será publicada posteriormente num livro de contos/crônicas de humor? Um dia antes de viajar eu escrevi e enviei o texto. E ontem, por e-mail, recebi a notícia de que fui aprovado! A crônica será publicada e eu, além de blogueiro, poderei ser considerado oficialmente um escritor! Tô muito feliz com a novidade! E brigadão a todos que torceram e desejaram sorte, ok?