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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Livro revela quem poderia ter sido Dom Pedro III

Faz tempo que não indico uma boa leitura aqui, mas isso não significa que eu esteja rompido com minha mesinha de cabeceira. Muito pelo contrário: estou devorando as páginas finais de "O Príncipe Maldito", de Mary Del Priore.
Para os amantes de História do Brasil, como eu, é simplesmente fascinante conhecer os meandros da situação que acabou levando ao fim da monarquia. Também é surpreendente conhecer a intimidade da família imperial e a guerra de foices pelo trono, naquele que poderia ter sido o III Reinado.
O protagonista deste romance de não-ficção é Pedro Augusto de Saxe e Coburgo, neto de Dom Pedro II; filho da princesa Leopoldina, vitimada por uma febre tifóide que a tirou da disputa pela coroa aos 23 anos. Com a morte de Leopoldina, Isabel, a filha mais velha do Imperador, passou a ser a herdeira direta do trono. O segundo da fila passou a ser Pedro Augusto.
Diante dessa situação, a autora conta com riqueza de detalhes as tramóias que ganharam espaço no coração da monarquia brasileira. Casada com um francês, Isabel não dispunha de muito carisma junto aos súditos - algo que me surpreendeu, dadas as antigas aulas de História que sempre endeusaram a princesa, autora da Lei Áurea.
Já Pedro Augusto, apresentado como jovem, belo, culto e simpático, tinha o apoio de setores importantes da sociedade - como a imprensa - e ainda contava com a simpatia do avó, Dom Pedro II.
O final da história, todos sabemos: não houve nunca um III Reinado. Isabel e Pedro Augusto jamais chegaram a reinar. Mas esse conhecimento do desfecho da história não é tão fundamental. Afinal, é muito interessante desvendar um capítulo tão importante - e igualmente nebuloso - da história do nosso país. Sem dizer que Mary Del Priore é dona de um texto envolvente e saborosíssimo!
Eu recomendo!

domingo, 23 de setembro de 2007

Uma tarde na Bienal

Passei a tarde de ontem na Bienal. Bom papo com amigos, boas risadas, boas oportunidades de compra (comprei toda a coleção Terra Brasilis, do Eduardo Bueno, com 25% de desconto) e um debate interessante sobre o universo feminino e suas relações com a história no Café Literário. Fernanda Young, Mary Del Priore e o próprio Bueno eram alguns dos debatedores. O espaço, aliás, estava lotado! Tinha até gente de pé pra acompanhar a deliciosa conversa entre os escritores...
Programão!
Quase na hora de deixar o Riocentro, uma imensa fila de crianças, sentadas no chão ao lado de seus pais, tomava boa parte de um dos corredores do Pavilhão Verde. Era muita gente. Com dificuldade, venci o tumulto e entendi a razão de toda aquela aglomeração: Ziraldo estava autografando um de seus livros.
Fiquei feliz por ver o reconhecimento ao trabalho do autor e comentei que Ziraldo é uma espécie de popstar da literatura nacional. "É bacana ver um talento ser reconhecido dessa forma", eu dizia, quando ouvi duas moças conversando atrás de mim: "Quem é que tá autografando?", uma disse. "É o Ziraldo", respondeu a outra. E a primeira retrucou: "Deus me livre! Enfrentar uma fila dessas pra ver esse hômi!".
Pouco depois, encontrei um amigo que me relatou seu espanto ao ver o cerco que se fez ao carrinho que, momentos antes, transportava Karina Bacchi e Ticiane Pinheiro. "Era uma multidão correndo atrás delas, Murilo", dizia meu amigo. Depois, ao ouvir a história da conversa das moças nas redondezas da fila de autógrafos do Ziraldo, meu amigo disparou: "Um país tem os ídolos que merece!".
Dá pra não concordar?