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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O fim do 'Paraíso'...

Olavo, o matador: grande vilão da novela foi, também, o assassino de Taís

Faz mais ou menos uma hora que o Brasil descobriu a identidade do assassino de Taís. Olavo, o grande vilão da trama. Previsível? Até poderia ser. Mas Ricardo Linhares e Gilberto Braga criaram muitíssimo bem a trama que justificou a atitude do vilão. E isso, sim, é surpreendente. O óbvio seria colocar qualquer personagem insuspeito com a responsabilidade pelo crime. Como o próprio Gilberto Braga fez em "Vale Tudo", com a personagem de Cássia Kiss, Leila, mandando a Odete Roitmann para o espaço apenas por julgar que o vulto da ricaça era o de alguém que tinha um caso com seu marido. Na época, foi sensacional. E ainda é, até hoje.
Desde então, sempre que rola um "quem matou?" numa novela, o público busca incessantemente personagens surpreendentes. Em "Paraíso", até o pai do Daniel foi colocado na lista de possíveis culpados por muita gente. O blogueiro aqui, aliás, apostou a ficha no inocente Cláudio, o empregado de Marion, essa sim uma grande suspeita desde a primeira hora...
Venceu a coerência. E Wagner Moura sai premiado desse trabalho por ter criado um tipo que, certamente, já faz parte da galeria de personagens inesquecíveis da história da teledramaturgia brasileira. Capaz de planejar até a morte da mãe pra se dar bem, Olavo é um vilão clássico.
Além da bela cena que revelou a paternidade de Ivan - com grandes interpretações de Wagner Moura e Bruno Gagliasso; destaco a seqüência da reconciliação de Antenor e Lúcia. Não dá pra medir o talento de Tony Ramos e sua incrível capacidade de emocionar. Ainda mais junto da grande atriz que é Glória Pires.
Ver a notável Vera Holtz correndo do Rapa me arrancou boas risadas. Agora, o público ficou sem entender o que a Alice de Guilhermina Guinle estava fazendo ali, trabalhando como gari. Faltou explicar que a moça estava cumprindo pena pela agressão à camareira do hotel, né? Ou será que os autores julgam o público tão expert em novelas que pensaram que a "mensagem subliminar" seria facilmente captada?
Também achei excelente a sacada dos autores na hora de dar um desfecho para a trama de Bebel. Popular como ela só, a personagem não poderia ter mesmo um triste fim, sob pena de que o encerramento da história não fosse digerido pelos espectadores. Colocar a moça numa CPI, tirando onda e anunciando um ensaio pra uma revista masculina foi uma ótima tirada. E bem familiar, né?
No mais, cenas bem feitas mas muito bobinhas, como são muitas das cenas finais de novela. Clima de comercial de margarina (e sem gordura trans!). Mas novela, como dizia aquele anúncio antigo de refrigerante, "é isso aí"...

domingo, 26 de agosto de 2007

Um filme para Glória Pires brilhar...

A atriz interpreta e dá um show de talento como Juliana, a empregada que descobre o adultério da patroa e passa a chantageá-la

Quando a TV Globo exibiu a minissérie 'Primo Basílio', eu era moleque demais pra prestar atenção nesse tipo de produto. Mas, vinte anos depois, a história da empregada que chantageia a patroa adúltera chegou aos cinemas e lá fui eu conferir como Daniel Filho tinha levado para as telas o clássico da obra de Eça de Queiroz.
No filme, há a já comentada transposição da época em que se passa a história. Da Lisboa do fim do século XIX para a São Paulo dos anos 50. A mudança não compromete o desenrolar da história e o que se vê na tela é um elenco entrosado, sobre o qual certamente pesou o trabalho de um diretor que prima pelo trabalho junto aos atores. Débora Falabella, a jovem adúltera, reafirma todo o seu talento - e sua beleza. Fábio Assunção e Reynaldo Gianecchini - as alegrias da mulherada, que sussurrava a cada aparição mais ousada dos galãs - também se saem bem defendendo seus personagens.
Mas há um nome para se lembrar sempre que se quiser pensar na versão cinematográfica de 'Primo Basílio': Glória Pires. Vivendo a empregada Juliana, que quer tirar vantagens das informações comprometedores sobre a vida extra-matrimonial da patroa, Glória dá um banho! Nota-se que ela criou um jeito de andar todo especial para a personagem, um olhar de quem parece subserviente e, além disso, soube construir uma vilã na sutil fronteira entre a perversidade e o humor. Sim, há cenas deliciosamente engraçadas envolvendo a troca de postos entre patroa e empregada. Mais um grande personagem para a galeria de tipos inesquecíveis criados por essa grande atriz.
Gostei do filme. Não vai mudar a vida de ninguém, é claro, mas, pelo que vi, 'Primo Basílio' tem tudo para ser realmente o hit brasileiro dos cinemas na temporada...