sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre o câncer de Lula e as redes sociais...

Ex-presidente descobre câncer na laringe e notícia mobiliza internautas de todo o Brasil...
A notícia da doença do ex-presidente pegou todos de surpresa no início da tarde desse sábado. Dias antes, um falante e sorridente Lula havia comemorado o aniversário, divulgado mensagem de agradecimento aos tuiteiros; sem que a tal rouquidão se fizesse destacar tanto. Convenhamos: Lula é rouco desde que o mundo é mundo...
Mas havia algo errado e os exames comprovaram a existência de um tumor de cerca de três centímetros de diâmetro na laringe do líder do PT. E como tudo o que acontece hoje em dia repercute numa velocidade impressionante, não tardou para que o fato ganhasse as redes sociais.
Navegando pelo twitter e pelo facebook, percebi que os usuários dessas redes olharam para a notícia de ângulos bem distintos. Enquanto muitos tuiteiros usaram a hastag de apoio #forçalula - alçada a um dos trending topics no Brasil - no facebook ganhava vulto uma campanha pedindo que o ex-presidente fizesse seu tratamento num dos hospitais ligados ao SUS - o Sistema Único de Saúde. Seria uma forma de "lembrar" ao ex-mandatário do estado em que se encontram os serviços públicos de saúde no Brasil.
A internet é livre, as pessoas são livres e, felizmente, vivemos numa democracia. Mas não posso deixar de dizer aqui que fiquei espantado ao notar que - ao menos entre as pessoas que aderiram à campanha e estão em meu facebook - dificilmente alguém optaria por se tratar no SUS em circunstância semelhante. Mas ele é um ex-presidente, deve dar o exemplo - podem dizer alguns. Aos que respondo que não é com campanhas demagógicas e vazias que se poderá mudar a realidade de um país tão complexo quanto o Brasil. E, mais ainda: que não é citando o caos no SUS numa ocasião como essa que faremos as coisas melhores. Quantos dos que aderiram à tal campanha se lembram das propostas de seus candidatos nas últimas eleições para a área da saúde? 
Além do mais, honestamente, acho desumano usar um fato pessoal e tão delicado para agir politicamente. Pega mal. É feio. Tanto que até mesmo adversários históricos de Lula se apressaram em soltar notas de apoio ao ex-presidente. 
Talvez eles saibam que política não se faz com o fígado. E nem com a exploração da doença alheia...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pro meu amigo SUCESSO!

Quando a vida parecia apenas um exercício de recuperação dos tombos que vamos levando ao longo da caminhada, conheci esse cara de sobrenome parecido com o nome daquele cometa. Chegou sem avisar, se enfiou no meio da turma e, de um jeito que ninguém sabe como, foi conquistando todo mundo. 
Talvez pelo seu sotaque pernambucano made in Mesquita. Talvez pelo companheirismo que parece não ter fim. Talvez pela preocupação com os amigos. Talvez pelo fato de sempre estar disposto a fazer de qualquer programa um programa inesquecível e muito divertido...
Não sei. Só sei que você, velho, não virou meu amigo por seu talento no boliche - lembra? Também não virou meu amigo pela generosidade em oferecer chicletes na balada - porque você guarda todos e só lembra de fazer a oferta na manhã seguinte...
Na verdade, acho que você virou meu amigo por tudo isso. Lembro de um dia em que você se disse muito feliz por ter nos conhecido, por ter feito amizade com a gente. Você me disse que estava precisando de amigos assim. Hoje, depois que seu contrato de membro da turma foi assinado, eu posso te dizer que eu estava precisando de um amigo como você: um cara bacana, carinhoso, divertido, doido e...SUCESSO!!!
Que a vida continue sorrindo pra você, Dani. E que a gente possa, ainda, dividir muitos momentos bacanas nessa estrada!

domingo, 28 de agosto de 2011

Sobre cultivar boas lembranças...


A vida segue seu curso mesmo quando o rumo não é o que tínhamos imaginado. Ela apenas segue, impondo curvas, retas, subidas e as consequentes descidas. Altos e baixos que nos lembram da eterna impermanência das coisas, das pessoas, do que sentimos e mesmo do que somos. Afinal, sim, a gente muda. O tempo todo. E tudo muda ao nosso redor.
Mesmo com todas essas mudanças, sempre há coisas que a gente gostaria de cultivar. Pessoas que partiram, a despreocupação dos tempos de criança, o peito acelerado antes, durante e depois do primeiro beijo...e um monte de outros pedacinhos felizes da nossa existência que, com o avançar da caminhada, acabam ficando pra trás.
Nessa grande lista do que gostaríamos de carregar sempre conosco acho que reina a palavra amigo. No singular, no plural ou num plural ainda mais abrangente, que englobaria as amizades. Mas a mudança é soberana, a impermanência é a regra, e mesmo num capítulo tão sagrado das nossas vidas, mesmo essas pessoas tão próximas, tão queridas, que elegemos de um modo tão subjetivo para compartilhar dores, alegrias, conquistas e fracassos; mesmo essas pessoas com quem compartilhamos nosso amor, para quem nos revelamos por inteiro, para as quais nos doamos e de quem tantas vezes recebemos tanto; mesmo essas pessoas ficam pra trás.
Pensar no porquê disso pode não trazer frutos; ou ainda, pode trazer frutos não tão doces. As coisas acontecem porque acontecem, talvez seja mesmo isso. Talvez mudar seja o melhor a fazer e talvez devamos ser mais cautelosos ao empregar palavras como "sempre", que se referem a um tempo sobre o qual não poderemos arbitrar. Talvez o melhor seja aproveitar os momentos, cada um deles, para que, lá na frente, eles possam ser cultivados como adoráveis lembranças de um alguém especial. Lembranças de uma história incrível, cheia de todas as curvas, retas, subidas e consequentes descidas. Cheia de dores, alegrias, conquistas e fracassos. Cheia de amor... 
E que, como todas as histórias, um dia chegou ao fim.

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 103


Angélica, Gisele e a bolsa: sutileza zero!!!

É claro que a televisão tem que se sustentar e que, para isso, na maioria dos casos, conta com recursos vindos da publicidade. É claro que a publicidade pode ser genial, revelar tendências, lançar produtos extraordinários, alterar padrões de comportamento e, não raro, produzir comerciais tão ou mais interessantes que os próprios programas televisivos. É claro que a publicidade brasileira é uma das mais criativas do mundo - e não estou vivendo um momento de exagero patriota.
Dito tudo isso, vamos aos fatos. Ontem, no meio da tarde, liguei a televisão e me deparei com o programa de Angélica, o "Estrelas". Leve, descontraído, não exige grandes interpretações...ideal pra ver na hora do almoço. E lá estava a loira anunciando uma entrevista com Gisele Bündchen. Entre uma garfada e outra, olhava o papo das moças na telinha até que, de repente, estranhei uma bolsa colocada sobre a mesa, no meio da sala do apartamento da übermodel. Achei esquisito, porque celebridades não dão entrevistas em casa sem que tudo esteja cenograficamente disposto em seus devidos lugares. Intrigado, segui vendo o papo sobre a carreira de Gisele até que o rumo da prosa passou a ser os cabelos da top. E ela revela os segredos de fios tão bonitos: uma bisnaga de tratamento intensivo da Pantene.
Pergunta 1: Alguém acredita nisso?
Continuei olhando aquele merchandising tão agressivo quando, do nada, a tal bolsa voltou à cena: Gisele tirou lá de dentro uma necessáire e, como quem não quer nada, pegou dentro dela o tal produto milagroso. Tudo assim, casual. E, com a mesma naturalidade de um elefante sentado na primeira fila de uma ópera, explicou à entrevistadora como o tal produto deve ser aplicado nos cabelos.
Pergunta 2: Não teria um jeito menos grosseiro de fazer esse merchan não, minha gente?
Aí a conversa avança um pouquinho e Angélica revela não ter a tal bisnaguinha milagrosa - sem trocadilhos com o Huck, por favor. E Gisele Bündchen, a modelo mais generosa do mundo, dá um dos produtos para a entrevistadora.
Pergunta 3: Angélica não faz a propaganda dos produtos da Niéle Gold, gente? Como assim assume publicamente que a bisnaga da concorrência é mais poderosa e, como quem não quer nada, ainda pede um produto-rival para a entrevistada?
Eu hein!
PS.: Se quiser ver a entrevista na íntegra - e acompanhar esse nada sutil exemplo de merchandising, clique na foto.
Pergunta 4: Será que Angélica foi de táxi a Boston?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Resenha: Os Smurfs

Dos anos 80 para o cinema 3D: Os Smurfs conquistam o público do século XXI com um filme leve, delicado e divertido
Desde quando li as primeiras notícias que davam conta da realização de um filme sobre esses pequenos seres azuis, fiquei maluco! Os Smurfs são parte saborosa da minha infância, esse tempo que a cada dia fica mais longe, e do qual as memórias, curiosamente, cada vez parecem mais doces. Via as aventuras de Papai Smurf & cia no Xou da Xuxa, sentado no tapete da sala e rindo das trapalhadas do Desastrado - que sempre foi o meu smurf preferido.
Segunda, no cinema, entrei na máquina do tempo e fui reviver aqueles anos. Com muita felicidade, descobri que o azulzinho mais atrapalhado da turma é o protagonista do longa. Desastrado detona a ação e tem um final tipicamente hollywoodiano. E, mais que isso: fiquei surpreso com a magia do filme, que apresenta os Smurfs para as novas gerações sem soar didático ou piegas demais.
Mesmo muito cansado - e cochilando em uma parte ou outra, não por demérito do filme - gostei muito do que vi. Os Smurfs chegam ao século XXI aptos para vencer o desafio do 3D e oferecendo um tanto de doçura e afetividade que a gente não encontra nas animações surgidas nos últimos tempos. O humor é leve, sem apelações, o que não resulta num filme bobo. É produção da melhor qualidade, para crianças das mais variadas idades.
Gargamel, o vilão mais maluco de que se tem notícia, ganha vida num trabalho genial de Hank Azaria. Tão doido e caricato, o feiticeiro que quer acabar com a raça dos smurfs parece tão virtual quantos os seres azuis que tentam escapar de suas garras. E, falando em garras, Cruel, o gato de Gargamel, é outro ponto alto do filme.
Enfim, a viagem no tempo me fez muito bem. E foi dupla: além de lembrar dos meus tempos de moleque, ver Os Smurfs me fez lembrar de Nova Iorque, onde os pequenos azuis vivem as mais loucas aventuras. Ou seja: foi uma forma de matar as saudades em dose dupla. A diferença é que a Nova Iorque eu posso voltar. Já aos tempos de infãncia...só quando vier um filme novo dessa turma tão divertida.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Yes, I ♥ NY



Jamais vou esquecer a primeira visão que tive de você: imponente, com seus edifícios se erguendo no horizonte, cada qual mais alto e impressionante que o outro. Era de tarde, era verão. O céu estava azul e você parecia bem mais quente que nos filmes. Mas te reconheci no Empire States: era você, Nova Iorque, desnudando-se para meus olhos sedentos das aventuras, das paisagens, dos cheiros e dos sabores que, eu já sabia, você trataria de me revelar.

E revelou! Revelou o aroma do hot dog que se espalha por todas as suas esquinas, a explosão de luzes da Times Square, a tranquilidade dos gramados do Central Park e o burburinho da 5th Avenue. Você se mostrou pra mim chuvosa e ensolarada, de noite e de dia. Simples como um passeio de bicicleta e sofisticada como o interior dos teatros de sua Broadway de tão fantásticas produções.

Eu te olhei de cima do Rockfeller Center, vi tua cicatriz mais profunda e dolorida no Ground Zero e sofri com o calor absurdo de tuas entranhas enquanto esperava o metrô nesse verão escaldante. Fui feliz tomando café, smoothies e dançando nos teus clubs, nos teus embalos que vão de segunda a segunda! Comprovei que você realmente não para e nunca dorme! Vi teus táxis passarem por tuas ruas e avenidas e me senti mergulhado num filme. Cruzei você passeando numa limousine e me sentindo dentro de um sonho muito bom. Que, como todos os bons sonhos, também estava fadado ao fim...

Cheguei até aí com os dois pés atrás. Não tinha uma boa imagem da tua gente, tinha receio de não me adaptar ao teu ritmo frenético e me sentia inseguro quanto à capacidade de me comunicar com a tua língua. É com um largo sorriso que assumo: estava triplamente enganado. E é ciente desse triplo equívoco que anuncio: eu te amo, Nova Iorque! E espero te rever logo!



terça-feira, 28 de junho de 2011

Cupido está de greve!

Sobre a mesa, além de pilhas e pilhas de fotografias, a plaquinha não deixava dúvidas: aquele era o ambiente de trabalho do Cupido. Uma sala pequena, com um grande alvo pintado numa das paredes e uma infinidade de flechas destinadas ao treino diário do arqueiro mais famoso de que se tem notícia quando o assunto é amor. Mas a fama não andava das melhores...
Lá no Andar de Cima, o Departamento de Controle de Qualidade era rigoroso. Trabalhava com alta tecnologia. Toda vez em que alguém, em algum lugar do planeta, citava um dos colaboradores do Paraíso, as caixas de som reproduziam as falas em tempo real. Para Pedro eram comuns os pedidos de sol nos finais de semana, torcida para que as chuvas não fossem tão intensas e para que pusesse em bom lugar os novos habitantes. Cristóvão recebia mensagens de motoristas e familiares preocupados com as viagens pelas estradas. Edwiges, do Departamento Financeiro, vivia com calculadoras nas mãos, tentando resolver os imbróglios econômicos do povo da Terra. Maria - cheia de graça e de apelidos - vivia intercedendo por mães e filhos. E, assim, a grande equipe cuidava de gerir as coisas lá em cima, para que nada fugisse dos trilhos aqui embaixo.
Mas Cupido tinha virado um funcionário-problema. Eram diárias e muito numerosas as mensagens ouvidas no sistema de som do Paraíso. Vinham de todos os cantos! "Querido, a flecha que você enfiou aqui era pra enfiar lá também, na outra parte...INCOMPETENTE!!!", dizia um. "Enfia a flecha no...", bradava um sujeito mais rebelde. "Cego, sem pontaria!", queixava-se um terceiro. "Mantenha distância", clamava alguém traumatizado pelas flechadas equivocadas de outrora. Sem falar nos que tiravam sarro da pontaria errante: ‎"Óticas do Povo. Morou? Hahai".
Pobre Cupido. Raramente ouvia elogios. Ninguém queria saber de suas condições precárias de trabalho, da falta de assistentes, de sua miopia galopante, das lesões por esforço repetitivo e, mais que isso, do quão injustiçado se sentia toda vez em que alguém, depois de ser agraciado por uma flechada caprichada, atribuía os louros da conquista a Antônio - seu concorrente direto no Departamento Afetivo. Antônio tinha até um dia só para ele, ganhava missas e mais missas. E Cupido, em contrapartida, só ouvia queixas.
Foi então que decidira, tempos atrás, deixar correr frouxo. Pendurou o paletó na cadeira, deixou de praticar a pontaria e passava os dias de asas paradas, braços cruzados, deixando os reclamões se virarem aqui na Terra. Se ninguém mais levava fé em seu talento, não havia razão para provar seu dom. Sobrecarregado, Antônio também não dava conta do recado e o Departamento Afetivo entrou em colapso.
O Diretor-Geral andava preocupado com os rumos que a coisa estava tomando com a operação-padrão empreendida por Cupido. Mas não podia demití-lo: eram muitos anos de casa e as indenizações poderiam deixar o Paraíso no vermelho. E vermelho, vocês sabem, tem mais a ver com o laytout do subsolo...
Um dilema sem solução conhecida. E esse é o estado atual das coisas. Cupido segue de braços cruzados, Antônio continua incapaz de suprir a demanda e, cegos, todos nos perdemos e nos achamos aqui na Terra. Vivemos aos esbarrões, ora dando cotoveladas, ora recebendo abraços e beijos. Deixamos as coisas do coração ganharem ares de jogo de azar: apostamos na roleta, vemos nossas fichas serem levadas e, empobrecidos a cada fracasso, voltamos a tentar a sorte, cada vez menos certos de sua existência. De tropeço em tropeço, o cansaço vai nos vencendo e a tendência é valorizar o que não tem valor, e confundir o que realmente é precioso com o que é apenas mais do mesmo. 
É fato que a imprudência do Cupido nos deixou perdidos. Marcados por feridas deixadas por flechadas jamais cicatrizadas, fechamos nossas almas para novos encontros à espera de um momento ideal que, de fato, nunca chegará. Porque não se pode crer num momento oportuno para sentir o coração acelerar, as pernas tremerem e a boca secar só porque aquele alguém especial telefonou. Ou porque deixou de fazê-lo. Não há hora certa para sentir o peito apertadinho de saudade ou para os olhos molharem com a lembrança de um beijo. Não há dia perfeito para que todos os beijos da boca amada pareçam insuficientes diante da enormidade do nosso desejo.
E talvez você se pergunte: o que pode ser feito? Mensagens zangadas para o Cupido de pouco resolvem - há quem diga que os responsáveis pelo sistema de som do Paraíso andam providencialmente fazendo uma triagem para evitar reclamações sobre o tema. Portanto, o melhor a fazer pode ser seguir o conselho de Luzia: cuidar bem dos olhos. Porque, num desses esbarrões da vida, você já pode ter dado de cara com alguém especial sem ter sequer percebido. E deixar passar pode ser perigoso. 
A menos que você seja do tipo que, num cassino, não tem medo de arriscar tudo na roleta...

PS.: Glaucio Marfir, Thiago Dionisio Costa, João Gustavo Mello e Pedro Leonardo: obrigado pela colaboração! ;-)