quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre o massacre na escola Tasso da Silveira, em Realengo...

Fui acordado nessa quinta-feira por minha mãe. Isso raramente acontece e, quando acontece, não é bom sinal. Sempre que algo de muito ruim acontece, a rainha do meu lar fica nervosa e me conta - não importa a hora que seja - para dividir a aflição.
Fiquei chocado com a história. Impressionado com as imagens de pais desesperados, acompanhei as notícias pela televisão e sofri com o aumento do número de vítimas. Crianças e adolescentes, meu Deus!!!
O que dizer? O que pensar? 
Acho que cabe torcer para que as famílias recebam todo o conforto possível numa hora de dor como essa. Torcer para que os colegas da imprensa tenham equilíbrio na cobertura dos fatos. Torcer para que os gestores públicos consigam empreender ações que minimizem os riscos de outras tragédias como essa. 
E torcer, sobretudo, para que essas crianças e adolescentes estejam num bom lugar...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sobre a estreia de Divã...

Mercedes volta a fazer análise e dá origem a seriado lançado pela Globo na noite de ontem
Um programa como Lilia Cabral, na minha opinião, já é um programa imperdível. Com uma carreira consolidada no teatro e na TV, a atriz tem se firmado como um dos maiores nomes de sua geração e sempre consegue imprimir sensibilidade em seus trabalhos. Lilia não é uma atriz óbvia, tem um jeito muito peculiar de fazer pausas e é dona de um dos olhares mais marcantes da televisão brasileira. Pra mim, uma Meryl Streep made in São Paulo.
Em Divã - o filme, a atriz levou para as telonas Mercedes, personagem que já vivera no teatro - e com grande sucesso. Sensível, engraçado e com um texto primoroso, o longa levou multidões às salas de exibição e serviu de embrião para a série que a Globo lançou ontem. E a série promete!
Logo no início do episódio de estreia, as imagens de Nova Iorque exibiram uma Big Apple lindíssima, muito bem fotografada pela equipe responsável pela série. E era só o começo de um programa que ainda traria Lilia Cabral em sua melhor forma, um texto de alto nível, assinado por Marcelo Saback, e um elenco competente - com destaque para Paulo Gustavo. Dando novamente vida ao cabeleireiro René, um dos tipos mais populares do filme, o ator roubou a cena e fez rir com sua fala acelerada e no tempo exato da comédia. Aliás, vale dizer que a TV devia uma grande oportunidade a esse belo comediante que é Paulo Gustavo. 
Enfim, Divã tem tudo para emplacar! É, na minha opinião, um dos maiores achados da TV Globo nos últimos anos.
E você, também gostou?
Comentaê!!!

domingo, 3 de abril de 2011

Estou comprometido...

Foi num fim de noite, andando pelas ruas da Zona Sul. O grupo se distanciou um pouco e eu fiquei para trás. A rua estava silenciosa e o céu já começava a clarear. Batia um ventinho gelado, típico do outono carioca, e eu busquei abrigo para as mãos frias nos bolsos da minha calça. Ali, caminhando, calado, senti falta de você. Da sua companhia, da sua risada...da nossa implicância mútua, de todo o carinho que havia entre nós, das muitas gargalhadas que demos juntos...
E senti falta de quem eu era quando tinha isso tudo.
Senti muita saudade das coisas nas quais acreditava, dos sonhos que tinha e daquela certeza de que você estaria sempre por perto. Sim, eu tinha essa certeza e isso era algo muito forte. Acho que a vida é tão incerta que essas certezas funcionam como um alicerce, uma base sobre a qual a gente trata de se erguer. Mas a verdade é que minha base ruiu. E eu sei disso. 
Estou comprometido como um prédio condenado a vir ao chão. Sigo bamba, caminhando ao sabor do vento, procurando pessoas, coisas e momentos que me devolvam um pouco de mim. E que tragam um pouco de conforto pra esse alguém que sou hoje...
Um pombo levantou voo ao meu lado e o som de suas asas me distraiu dos meus pensamentos. Foi quando alguém me chamou e eu me juntei ao grupo. Fui viver a vida como ela tem se apresentado. Fui em busca desse novo eu que, quem sabe, vai arrumar uma nova base pra se erguer. Ou que, talvez, vai lamentar pra sempre a sorte de ter perdido um de seus mais importantes pilares...

Homofobia nossa de cada dia...

Há quase três semanas, fiz a entrevista mais difícil de toda a minha carreira. Num início de noite, eu e a equipe do Salto cruzamos a Ponte Rio-Niterói para gravar uma entrevista com Angélica Ivo. Angélica é uma mulher jovem, bonita, simpática e, infelizmente, marcada por uma tragédia. Alexandre Ivo, seu filho, foi brutalmente assassinado, aos 14 anos, num dos mais recentes - e bárbaros - casos que envolvem a homofobia no Brasil.
Ali, diante de Angélica, precisei me conter por diversas vezes para não acompanhá-la no choro - embora meu desejo fosse abraçá-la e chorar com ela. Afinal, o que se diz para uma mãe que passa por uma tristeza imensa como essa? 
A blusa de Angélica trazia uma foto do filho. Alexandre, menino que nunca veremos adulto, terá para sempre aquela fisionomia doce, inocente. Ali, durante a gravação, por várias vezes me peguei olhando para aquela fotografia e me perguntando como alguém pode ter coragem de cometer uma atrocidade daquelas. Que sentimentos tem alguém que tortura, maltrata, espanca e mata um garoto de 14 anos?
Voltei para a TV muito triste. Tão triste que não tive cabeça para escrever sobre a entrevista aqui no B@belturbo. Os dias foram passando, comecei a editar a reportagem - tarefa que devo concluir nessa semana - e um episódio envolvendo o deputado Jair Bolsonaro me fez ter disposição para falar no tema aqui no blog.
Acho que é dispensável situar o que o pronunciamento da "excelência" tem a ver com o fato. Afinal, não me parece equívoco algum dizer que quem propaga a homofobia e o preconceito - como fez e faz Jair Bolsonaro - coloca armas nas mãos de criminosos como os que acabaram com a vida de Alexandre Ivo. Quem acha aceitável repudiar homossexuais - condição que não atribuo ao menino, que fique claro - defende que mais e mais assassinatos bárbaros sejam cometidos por quem, na verdade, está em crise com a própria sexualidade.
E pergunto: o que pretende quem hoje argumenta que a homofobia não pode se tornar um crime em nome da "liberdade de expressão"; ou seja, para que lhes seja garantido o direito a "criticar" a orientação sexual alheia? Pretende ditar os preceitos da moral e dos "bons costumes"? Pretende propagar suas visões de "certo" e "errado" e empurrá-las goela abaixo do restante da sociedade? Pretende parar por aí? Ou pretende, no futuro, voltar-se contra os rituais indígenas, as manifestações da cultura afrobrasileira e tudo o mais o que parecer "diferente"?
Não sei o que move essa gente - além do preconceito e da ignorância, claro. Só sei que a sociedade precisa enfrentar essa discussão de frente. Encará-la como um assunto importante, que pode poupar vidas inocentes como a do Alexandre Ivo. Porque uma sociedade que permite que seus jovens sejam barbaramente assassinados não pode se dizer uma sociedade séria. 
No mais, uma profunda vergonha de viver num país que tem representantes do quilate de Jair Bolsonaro...

Reforma!

Tem alguém aí pra dizer se gostou ou não da nova cara do blog???

quinta-feira, 24 de março de 2011

Glacial...

E fez-se fria a mais calorosa das relações que já havia construído. Ou que achou ter ajudado a erguer...
Esfriaram-se as vozes, elevou-se o volume dos silêncios, multiplicaram-se as pausas e foram subtraídos todos os traços que pudessem fazer lembrar de outros tempos.
Curioso pensar que num intervalo tão pequeno tivessem passado ao estágio de quase desconhecidos. Impessoais, protocolares, distantes. 
Não eram mais os mesmos?
Talvez não fossem. 
Nada era como antes e, pela primeira vez, não havia indícios de que as coisas voltariam ao lugar em que sempre estiveram - ou em que ao menos aparentavam estar.
E era estranha demais aquela sensação...

domingo, 20 de março de 2011

O triste recadinho de Papai Noel...

Desligou o telefone e o silêncio devastador confirmava: tudo estava deserto, vazio como seu peito. Nada havia mais a fazer, a dizer...a sonhar! Só restava sentir. E sentir aquela dor, sabia, seria o seu destino dali pra frente. Até que toda aquela sensação fosse parar no limbo, num canto qualquer do universo onde ficam guardadas as expectativas frustradas, os amores não-correspondidos e todos os laços que se desfazem nesse mundo tão superficial e descartável.
Já com o rosto deformado e ainda chorando, enfrentou a pior das inimigas de quem sofre: a própria mente! Pôs-se a lembrar de cada momento em que julgou ser tão feliz, das palavras amorosas ditas e das ouvidas. Abriu o álbum de fotos e reviu cada sorriso, cada abraço, cada pixel que parecia traduzir a mais bela e verdadeira das histórias. Verdadeira? - perguntou-lhe seu cérebro. Verdade? Sinceridade? Onde andava tudo isso? Em que momento, sem que pudesse notar, tudo tinha virado fantasia? Quando foi que se distraiu a ponto de confiar que agir bem é a garantia para se ter boas atitudes de volta?
Não achou respostas. E sofreu...
Sofreu só, sem o ombro amigo de todas as horas. Sofreu como nunca havia experimentado na vida. Era inédita a sensação de ver que pior que um castelo de areia que se desfaz e extingue os sonhos é a dor de uma realidade que, de uma hora pra outra, vira pó e se desmaterializa. Uma dor para a qual não estava preparado, porque ela era forte, cruel e pesada demais. Castigava-lhe o coração de forma a tornar impossível a tarefa de fingir que uma das poucas certezas que tinha nessa vida, dali pra frente, não existiria mais.
E lembrou do seu medo. O velho medo que externara numa tarde, na beira do mar. O medo de ser o bom garoto que, após um ano inteiro se comportando bem, veria Papai Noel, cruelmente, entregar seu tão sonhado presente para outro. 
Chorou mais.
Mais que o seu maior presente, Papai Noel também tinha dado um jeito de lhe passar um recadinho com aquela atitude. E ,para quem sempre sonhou, é bem complicado perceber que, assim como os sonhos, os  sentimentos verdadeiros não valem muita coisa hoje em dia...