domingo, 12 de agosto de 2012

Viva Elis!

Videoinstalação, com trechos de entrevistas e apresentações de Elis é um dos momentos altos da exposição, em cartaz no CCBB-RJ

A maior cantora brasileira de todos os tempos é tema de uma exposição imperdível para os que amam música e história. Para lembrar os 30 anos de morte de Elis, os filhos da Pimentinha, a mostra traz figurinos, fotos raras, textos, vídeos e, claro, muita música! É um mergulho no universo dessa intérprete que marcou tantas gerações e que, ainda hoje - como lembra um dos textos expostos - segue tão presente em nosso imaginário. E em nossos Ipods...
Quando Elis morreu eu tinha pouco mais de um ano. Mas esse desencontro não me impediu de me tornar um grande fã dessa mulher, dona de interpretações intensas, viscerais e, talvez até mesmo por isso, memoráveis. Dona de um sorriso doce e de um olhar de inquisidor, Elis Regina de Carvalho Costa é, ainda hoje, insuperável! Soube como poucas escolher o que cantar, onde por a voz privilegiada. E deixou um repertório coeso, de bom gosto, diversificado, ousado...único!
Percorrendo os salões do CCBB, vi, mais de uma vez, senhoras e senhores emocionados ao reviver o tempo em que Elis era mais do que uma projeção na tela, mais que uma foto impressa num painel. Choravam aqueles homens e mulheres que carregaram até aqui as marcas que a música dessa grande artista lhes fez na alma. E sei que as carregarão para sempre! 
Esse clima de emoção me sensibilizou. Que poder tem a voz de Elis! Que poder há em suas músicas, eternizadas em nossas memórias e em nossos corações! Que poder tem o artista que sabe zelar por sua obra, por seu dom! 
Enfim, a exposição é uma delícia! Fiquei viajando entre todo o incrível material exposto e imaginei como será daqui a 10, 20 anos, quando uma Elis projetada em holografia poderá cantar em 3D para seus fiéis e saudosos fãs! Se Deus quiser, serei mais um a aproveitar a tecnologia pra matar as saudades da Pimentinha mais doce que já temperou a MPB...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um amor para sempre...

Poucas vezes na vida a gente se depara com uma possibilidade de uso adequada da expressão "para sempre". Ontem, no entanto, tive uma prova de que há ao menos uma circunstância em que o "para sempre" traduz com perfeição o sonho de um amor sem fim. Mais que isso: tive um exemplo de um amor que será, sem dúvida, para sempre.
Não foi numa circunstância alegre, longe disso! Vi uma amiga muito querida se despedir de sua única filha. Vi em seus olhos toda a dor que uma mãe pode experimentar na vida. Mas também pude sentir, em seu abraço sereno, a tranquilidade de quem pode dizer que viveu um amor de verdade, incondicional, inteiro. Tranquilidade de quem deu tudo. E de quem recebeu tudo de volta. De que viveu toda a intensidade de uma relação, toda a entrega que ela pode permitir. De quem se dedicou a fazer de outra vida uma vida mais feliz, mais confortável, mais digna, mais amorosa...
Minha amiga pode dizer tudo isso de si. Mas não o fará, eu sei disso. Nem precisa fazê-lo. Guardará essa história no peito, para sempre. Guardará todos os momentos com sua filhota no coração, também para sempre. E poderá, para sempre, dizer que viveu um grande amor.  
E esse grande amor não tem fim; é para sempre! Porque ela será, para sempre, a mãe daquela estrelinha que foi brilhar lá em cima. E toda a luz que ela irradiar do céu, para sempre, vai guiar os passos da mãezona que ela encontrou aqui na Terra.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Rush

Curioso esse tempo em que podemos ser encontrados por satélite o tempo todo e em que é cada vez mais rara a façanha de um encontro verdadeiro...
Visito lugares, conheço pessoas, recebo e ofereço abraços sinceros, passeio por caminhos não imaginados e me perco pensando nos rumos incertos dessa vida. Exercício diário esse de olhar para o mundo e pensar em como seria se ainda pudesse dividir o que enxergo contigo, compartilhar dúvidas e angústias, amparar-te em momentos de infortúnio e vibrar com cada uma das tuas conquistas.
Cansativo esse exercício de me inventar sem você. De buscar em mim um eu que não sei ao certo quem é, se existe e no que crê. De fazer a vida desse novo alguém ter graça e leveza, ser interessante e - quem sabe - alegre!
O que ajuda é notar que nosso encontro não foi verdadeiro. Ao menos, não na essência. Foi um esbarrão. E só. E tal como nas tumultuadas estações do metrô, cada um seguiu seu rumo, depois de refeito da trombada.
Até que venha a próxima. Porque a vida, também como as estações do metrô, nunca dá refresco...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Coração não responde...

Nunca haverá respostas. Não vai chegar o dia em que seja público o segredo do sucesso de uma relação. Não se sabe onde é acionado o tal click que faz com que duas pessoas se envolvam, se embolem, se misturem e queiram seguir juntas depois.
É dos segredos mais bem guardados em todos os tempos...
Quem nunca olhou alguém e disse: "taí, poderia ser essa pessoa..." sem que a tal pessoa jamais tenha se tornado, de fato, A pessoa?
Quem nunca se questionou sobre quem determina para onde vai nosso interesse? O que faz com que este - e não aquele - coração passe a ditar o ritmo das batidas dentro do próprio peito?
Nunca haverá respostas. E, verdadeiramente, pouco fazem sentido todas as perguntas. Afinal, quando se fala das coisas do coração, a grandeza é a do sentir. E não a do explicar.
E talvez toda a graça da brincadeira do amor seja exatamente essa...

domingo, 20 de maio de 2012

Sobre o que Xuxa viu da vida...




Há tempos uma atração do Fantástico não repercutia tanto. Em uma longa edição, o quadro "O que vi da vida" exibiu depoimento de Xuxa Meneghel. A loira falou da infância no subúrbio, do começo da carreira como modelo, do  namoro com Pelé, do romance com Ayrton Senna e do preço da fama. Nenhuma novidade. Mas a loira guardou um desabafo para a parte final da entrevista e revelou ter sido vítima de abuso na adolescência.
O depoimento foi marcante. A história, triste como são todas as histórias de violência. E Xuxa pareceu um tanto perturbada. Não demorou até que aparecesse nas redes sociais muita gente duvidando do depoimento exibido no Fantástico. Cada um no seu direito, claro. Mas o fato é que muitas vítimas de abuso sexual passam a vida inteira sem conseguir revelar suas histórias de violência. Por isso, não me surpreende o fato de Xuxa falar do assunto somente às vésperas dos 50 anos. Muita gente também tá associando o tal depoimento à busca pelos holofotes. Ok, Xuxa não é mais o mesmo fenômeno, não rende mais o Ibope dos anos 90, mas...peraí...a loira tá milionária faz tempo, gente! Tem contrato longo em vigor, ou seja: não tem motivo algum pra chamar a atenção pra si com uma história desse tipo. 
Como postei no Facebook assim que acabou a entrevista, acho que ela precisa de um analista. E não é de hoje. Mas, em última análise, todos precisamos. Ficar atribuindo às declarações da loira sentidos incertos e suposições pretensamente críticas é bem esquisitão também! Acho que há uma grande diferença entre ser crítico e ser paranóico, querendo enxergar uma conspiração atrás de tudo o que acontece na TV.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Dicotomia

Recentemente, numa conversa com amigos, recuperei um assunto que há tempos me intriga: as diferenças entre o discurso que adotamos em nosso dia a dia e as ações que praticamos cotidianamente. De forma abrangente, essas discordâncias podem ser percebidas quando analisamos, por exemplo, a questão ambiental: às vésperas da Rio +20, nunca estivemos tão informados sobre a importância da preservação dos recursos naturais. Por outro lado, nunca consumimos tanto, nunca descartamos tantos resíduos de forma inadequada e nunca desperdiçamos tanta água.
Achou o exemplo amplo e complexo demais? Pois bem, lá vai outro: hoje, estamos conectados o tempo todo, ligados entre teias e mais teias de redes sociais. Curtimos, comentamos, compartilhamos, tuitamos, retuitamos; criamos e recriamos laços o tempo todo na esfera virtual. Ao mesmo tempo, parecemos ter perdido a capacidade de estabelecer vínculos mais fortes, sólidos. A própria palavra "amigo", popularizada em redes como Facebook e Twitter, ganha novos sentidos: qualquer um vira seu amigo a um clique. Uma vez dado o "aceito", todos caem na vala simples da "amizade" genérica, virtual, numérica. Em geral, todos valem rigorosamente a mesma coisa e essa mesma coisa é rigorosamente nada!
Polêmico? Talvez. É bom avisar que não sou um reacionário e que adoro usar o Facebook. Mas entendo que essas são questões do nosso tempo. E que têm, todas, reflexos sobre a mais profunda das nossas atuais dicotomias: a que envolve nossos relacionamentos sentimentais.
Note bem: se você tem amigos solteiros, é bem provável que os ouça constantemente falando do desejo de "encontrar alguém". Se ouve isso, você também deve escutá-los discorrendo sobre a necessidade de "estar junto", de "namorar", de "viver uma história de verdade, séria". E por aí vai...
Mas acontece que, embora essa discurso esteja presente de modo muito forte em nossa sociedade, ele é completamente antagônico às práticas que adotamos de uns tempos pra cá. Talvez contaminados pela mesma lógica do "descarte", passamos a rejeitar uns aos outros ao menor sinal de desacordo. É fácil como apertar um imaginário botão de "delete" e, assim, expurgar da vida real um alguém qualquer como se faz com qualquer arquivo inútil de computador. É rápido como clicar na opção "desfazer", quando se volta atrás depois de "curtir" um post do Facebook. Assustador!
Eu me assusto porque já estive casado - e gostei verdadeiramente da experiência. E encaro uma relação como uma construção diária, uma negociação permanente - muitas vezes cansativa, é bem verdade - em que um objetivo comum - a vida a dois - justifica muitos dos percalços. Mas pra que essa vida seja bacana, leve, é preciso que não percamos o foco: há de se fazer escolhas! Para que dure - e que seja eterno enquanto durar - é fundamental ter a coragem de abrir mão do que importa menos e investir na realização de um sonho que até pode acabar logo, mas que vai deixar gostinho bom no fim se essa entrega for verdadeira e menos egoísta. Afinal, se cada um seguir olhando apenas para o próprio umbigo, agindo de forma inconsequente e sem disposição de aprender a conviver, esse cenário de dicotomia só tende a se aprofundar. E aí, perceberemos todos que, no fundo, nossa sociedade está mesmo embolada numa rede que mais lembra uma cama de gato... 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre a polêmica do aborto de fetos anencéfalos...

O Brasil acompanha - de modo menos interessado do que devia - o debate que envolve o julgamento do Supremo sobre a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. Quatro ministros do STF declararam hoje que votarão a favor do projeto que, caso aprovado, permitirá que pais e mães possam escolher como proceder em caso de gestação de um bebê sem cérebro - ou com comprometimento cerebral grave.
Tenho acompanhado as discussões pela mídia - e a TV é, de longe, a que menos tem se dedicado ao tema. Talvez para fugir de polêmicas com grupos religiosos e conservadores. Talvez por não reconhecer que essa seja uma temática de grande relevância. Vi apenas algumas discussões em programas como o Sem Censura e o Repórter Brasil, ambos da TV Brasil, e um debate no Entre Aspas, da Globonews.
Em todos os casos, fiquei surpreso com o nível de argumentação dos que são contrários ao projeto em discussão. Também me surpreende a total falta de sensibilidade à causa das mães que se deparam com um diagnóstico duro e decisivo: gerarão bebês com expectativa de vida limitadíssima. Bebês que podem existir por minutos, talvez horas.
Os que são contrários a descriminalização dos fetos anencéfalos se dizem a favor da vida. Também o sou. Totalmente. Mas fico penalizado ao imaginar que uma família pode ser obrigada a levar em frente uma gravidez que poderá terminar em morte sem que nada possa ser feito para diminuir, abreviar ou simplesmente evitar que tamanho sofrimento se torne ainda maior.
Não se trata de tornar o aborto de fetos anencéfalos uma obrigação. Seria contrário à ideia, caso fosse essa a proposta. Trata-se de oferecer aos familiares que atravessam esse momento tão delicado a possibilidade de escolher qual saída pode ser menos traumática. E só quem pode mensurar a dor que qualquer das escolhas vai ocasionar são aqueles que, de fato, vivenciam a angústia dessa decisão. Não acho justo que o Estado ou que as igrejas se arvorem no papel de defender uma vida para a qual virarão as costas em seguida. Ou alguma proposta e/ou dogma religioso prevê o acompanhamento psicológico para os familiares dos bebês anencéfalos depois que sua inevitável morte se consumar?
Alguns poderão dizer que há casos de crianças sem cérebro que conseguiram - e conseguem - viver por alguns anos. Sim, eu sei. Certamente são crianças amadas por seus pais. Mas também é certo que, infelizmente, elas representam uma exceção à regra. A maior parte jamais terá alta da maternidade.
Enquanto as TVs parecem negligenciar o debate - o que deve mudar nesta quarta, caso o STF chegue a uma conclusão - a Internet segue como tribuna livre. Hoje, no Twitter, os Trending Topics registraram algumas vezes expressões ligadas aos grupos que defendem que o abortamento de fetos anencéfalos deve continuar proibido por lei.
Felizes esses tempos de democracia. Mas sinto falta de argumentos menos "contaminados" por valores ligados à religião e mais sensíveis à delicadeza inerente à situação. Não se está falando de liberar o aborto. O que está em pauta é dar às mães e aos pais que vivenciam a situação a possibilidade de escolher de que forma melhor podem superá-la.