quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tirando a poeira...

Por cinco anos, enfrentei diariamente o desafio de vencer a página em branco que se apresentava diante dos meus olhos. Não raro, superei essa adversária mais de uma vez ao dia, postando, aqui, textos sobre coisas que via, lia, ouvia...coisas que sentia. 
Mas 2011 foi diferente. Por uma série de razões, eu me vi vencido pela página vazia. Foi como se os acontecimentos que se sucediam na minha vida analógica canalizassem minha atenção, meu pensamento, meus sentimentos de tal forma que, mesmo nas vezes em que decidia parar para escrever sobre eles, acabava por me sentir cansado...deles!
O afastamento do blog me fez mal. Gosto de cultivar esse espaço como o agricultor que cuida, vela e se orgulha da sua roça. Gosto de plantar minhas ideias aqui, de percebê-las crescendo nos comentários - ou nas respostas via twitter e facebook, marcas desse tempo de tantos links. Vivi essa seca com a mesma agonia dos sertanejos que acompanham o minguar de suas plantações. Ano estranho esse que passou. Aqui no B@belturbo, nada mais foi que um período sem chuvas, marcado pela terra seca e rachada.  Infértil.
O bom é que, como dizia na canção o grande Nelson Ned - com o perdão do trocadilho, claro - "tudo passa, tudo passará...". E aquele 2011 tão infrutífero se foi!
Portanto, esperem um blogueiro mais presente nesse 2012 - apesar do atraso deste primeiro post. Quero voltar a plantar - e a colher. Já não sinto sob meus pés a terra tão seca e rachada e o cheiro de chuva demonstra que os tempos de estiagem não vão demorar muito para ficar definitivamente pra trás!
Quem quer se molhar? Vambora tomar banho de chuva?
Feliz 2012, turma!!!

sábado, 31 de dezembro de 2011

60 momentos de 2011 que não quero esquecer...


O pôr-do-sol que vi na Ribeira, em Salvador. Ver pela internet, de Nova Iorque, a foto em que meus amigos, reunidos, carregavam um cartaz com meu nome, pra me mostrar o quanto eu estava presente entre eles, mesmo lá de longe. Cruzar a Lapa vestido de vampiro, no carnaval, com o rádio do carro tocando Thriller nas alturas. Assustar as pessoas de dentro do carro, vestido de vampiro, no carnaval, a caminho da Lapa.
Quando Larissa Luz cantou o verso “Eu queria que essa fantasia fosse eterna”, num Chá da Alice. O show de Ivete Sangalo no Rock in Rio. O show de Roberta Sá no Circo Voador. Hair, na Broadway. Domingo de Six Flags, com Pamela, Alvinho e Andre, nos EUA. Os momentos que passei na Igreja do Bonfim, em Salvador. O aniversário de titia Barbara e do maridão, Fernando Molica, com samba, comidinhas gostosas e amigos queridos. O show do Jota Quest no Rock in Rio. O Fantasma da Ópera, na Broadway. O show da Rihanna, no Rock in Rio. Churrasco na casa de Erica, quando voltei de NY. Todos cantando juntos “Nuvem de Lágrimas”. Show de Paul McCartney no Yankee’s Stadium, em Nova Iorque. O Fantasma da Ópera, na Broadway. O show de Amy Winehouse no Rio...
O diálogo com a funcionária da Cia. de aviação panamenha, quando eu disse: “Para Dios, nada és imposible”, num portunhol fajuto de doer. Ser questionado, ao vivo, por uma telespectadora, sobre o significado de um anel que eu usava durante o programa. A apresentação do trabalho sobre música, no MBA. As conversas e risadas com Isabela e Raquel, pelas ruas calorentas e entupidas de gente de Nova Iorque. A peça Estamira, com Fabi e Flávia, no Laura Alvim. Ensaio do Salgueiro com Glaucio, Gustavo e Erica. Ver Serginho e sua turma da CAL interpretando “O inspetor geral”. Que bacana ver um amigo realizando um sonho. E com tanto talento! As baladas de NY, todas inesquecíveis...
A entrevista com Angélica Ivo, para o Salto. Inesquecível, é o momento mais difícil desses meus 12 anos de carreira. Gravar no Complexo do Alemão e ter a sensação de que, embora ainda muito incipiente, a onda de transformações que toma conta da cidade começa a chegar lá. Ouvir uma telespectadora falar, por quase cinco minutos, de um assunto que nada tinha a ver com o tema do programa. Todos os momentos de farra na redação do Salto. Como eu me divirto nesse trabalho!!! Ana Senna me informando, em São Paulo, sobre a existência de um irmão de Cosme & Damião. E eu respondendo com a pergunta: “E por que ele não fez sucesso?” A primeira crise de riso diante de um entrevistado. Um temor antigo que 2011 fez o favor de tornar realidade. Foi mal, seu Peri! Ana Senna, em Porto Alegre, dizendo que tem sempre um (...) pra estragar tudo...
Todas as conversas com Glaucio, antes, durante e depois das festas. As tardes na praia, seja na Barra, no Leblon, em Copa ou Ipanema, com Fabi, Daniel, Raquel, Serginho, Thiago, Tiago, Glaucio, Rodrigo e Barbara. A tarde que passei na Urca, com Daniel, Glaucio e Marcello. Passear com minha mãe pela Urca e ver seus olhos cheios de saudades do tempo em que ela trabalhou e curtiu a juventude ali. Todas as conversas com Vitor, grande amigo que a vida trouxe pra perto de novo. Ter conhecido e me tornado amigo de Daniel, um sujeito que só trouxe alegria e coisas boas para a minha vida. Voltar ao Rio e encontrar minha mãe, minha prima e meus amigos, de surpresa, no Galeão. O almoço com Raquel e Fábio, no Centro. Uma comida deliciosa, uma sobremesa fantástica e um papo tão gostoso quanto! A tarde na casa de Marcello, com ele, Erica e Glaucio, vendo filme, comendo bobagens, rindo da vida e me sentindo protegido por meus amigos. A conversa com Thiago no píer do Bar da Rampa. Uma grande amizade nasceu desse papo. O papo com Daniel, via Skype, enquanto eu estava em Nova Iorque. Perguntei pelas novidades e ele me disse que Itamar Franco tinha morrido. Oi?
Madrugada jogando “Perfil” na casa de Thiago, com Daniel e Erica. Descer Santa Teresa cantando os “dezoito nomes de Glória”, com Paulo Mário. Ter, enfim, conhecido Flavia, a amiga de Vitor. Uma energia boa daquelas que a gente quer sempre sentir mais e mais. Cantar Adele com Tiago Melo – no videokê, no carro...onde for! Porque é quase terapêutico...
Conhecer Washington numa tarde muito quente e, depois de caminhar horas, encontrar uma barraca vendendo água. Pedi duas garrafas sem me dar conta de que cada uma tinha mais de um litro. Rodrigo e eu morremos de rir. Andar de bicicleta no Central Park. O jantar que fizemos antes da minha viagem para Nova Iorque. O passeio a pé na última tarde em Nova Iorque, sozinho.
A pizza de abacaxi no rodízio, com Erica e Glaucio. O boliche com Daniel, Thiago, Glaucio, Erica e Marcello. Marcello mandando a pizza voltar. Um momento ímpar. A cheesecake que comi em NY, com Raquel, Rodrigo e Bella. Ter conhecido Alvinho, Andre, Fernanda, Isabella e Raquel. Amigos que são de longe, que conheci lá longe, mas que, desde então, guardo aqui pertinho. As brigas com os garçons estouradinhos do Tik Tok Dinner. Raquel que o diga. Lanche no Shake Shack, com Joey, na véspera da viagem de volta ao Rio...
O pôr-do-sol que vi no Brooklyn, NY...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pro meu amigo cereja...

É muito fácil ser amigo nos melhores momentos, quando tudo está bem, quando a vida é festa e quando as conversas sempre acabam em gargalhadas. O difícil é se mostrar - e ser, de fato - amigo quando as coisas não vão bem, quando se está triste e não se sabe muito bem para onde ir. Eu reconheci em você um amigo desse tipo noite dessas, em meu carro, voltando de Campo Grande, quando falei das minhas dores e notei que você as sentia como se fossem também suas. Reconheci em você um amigo desse tipo quando, na véspera da minha viagem, você me deu um abraço e não conseguiu dizer nada, porque a saudade que já sentíamos um do outro impedia qualquer tipo de conversa. Reconheci em você um amigo desse tipo quando recebi um torpedo seu dizendo que toda a turma estaria reunida em breve e eu faria falta. Porque eu, segundo aquela sua mensagem, "sou a cereja do bolo"...
Veja só...eu, que já te fiz passar por alguns bocados. Cereja, eu? Cereja é você, com esse teu sorriso incrível, com as suas tiradas fantásticas - e sempre tão inspiradas! - com suas frases profundas, com suas opiniões polêmicas e com um jeito de falar sério que só você tem. Cereja é você! E não é uma qualquer: é A cereja que, quando falta, deixa o bolo sem graça e sem sabor!
Outro dia falamos que 2011 foi um ano de transformações, né? E eu sou otimista o bastante pra dizer que foram todas positivas. Sobretudo essa, que tanto nos aproximou. E se mais mudanças virão em 2012 - e talvez elas venham - peço para que nada mude entre nós, Marfir! Porque quem mais vai me fazer rir das imitações da jurada do Raul Gil e de Aracy, da Top Therm? Quem mais vai me surpreender com uma frase em portunhol fajutíssimo no meio da balada? Quem vai gritar "misericóóóóóórdia" quando eu fizer uma manobra, digamos, mais radical no trânsito? Quem vai me dizer aquelas verdades contundentes, que incomodam e nos fazem acordar?
Só você, Glaucio! 
Pense! 
Realmeeeeeeente!!!
Nesse teu dia, meu amigo, eu te desejo tudo de bom! Que a festa aconteça no teu apartamento - ou, melhor, que você consiga aproveitá-la aconteça onde acontecer! Que você tenha saúde, sucesso, sorte...e que os seus amigos saibam, sempre, reconhecer o grande cara que é você. São muitos amigos, eu sou um deles...mas acho que todos sabemos que você é único!
Um grande beijo e feliz aniversário!
Sem mais,
Att.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Uma retrospectiva íntima e pessoal...

O ser humano teme o desconhecido. Tem pavor de mudanças, de incertezas e senões. A gente foge do novo e esquece o quão bom é fazer descobertas. Descobrir novos lugares, novas pessoas, novas sensações, novos sentidos, novos gostos, novos prazeres, novos porquês! Talvez por uma falha qualquer no projeto original, todos acabamos nos tornando acomodados demais. E, assim, desperdiçamos dádivas que podem estar atreladas às novidades.
Sob muitos aspectos, 2011 foi um ano atípico para mim - assumidamente um acomodado. Sempre fui de poucas mudanças e, por obra e graça do destino, esse ano que se encerra em alguns dias me encaminhou para muitas mudanças. E se inicialmente elas pareceram assustadoras, acabaram por se revelar importantes fontes de amadurecimento.  
Sábado, numa dessas avaliações que a gente começa a fazer nessa época do ano, um grande amigo definiu 2011 exatamente como um ano de transformações. Sem saber, ele traduziu tudo o que eu sentia...
Saio desse 2011 transformador sem mágoas. Convicto dos meus valores, dos meus sentimentos e de quem quero continuar a ser. Encerro o ano tranquilo, sem pesos, sem dores, sem culpas. Com a certeza de que, em mais um ano, eu agi de acordo com aquilo em que acredito. Com a certeza de que nada, em momento nenhum, me fez apequenar diante dos desafios que o destino pôs em meu caminho. Termino esse ano de transformações inteiro, forte, vigoroso! Mais maduro e mais decidido para escolher bem como, quando e com quem quero gastar meu tempo.
Sobretudo, termino esse ano de 2011 agradecido. Pela família que tenho, pelos amigos que fiz e que, todo dia, em pequenos gestos, demonstram que sou tão importante pra eles quanto eles são pra mim. Pelo trabalho que é, antes de tudo, uma eterna fonte de alegria e prazer. E por ter tanta gente torcendo por mim como eu sei que tenho.
Ao longo desse 2011, algumas vezes eu me disse alguém muito abençoado por Deus. Sou mesmo! E agradeço a Ele por todas as bençãos derramadas sobre mim e sobre a minha família. Acima de tudo pela saúde e pela força para superar as dificuldades que, de vez em quando, surgem por aí.
E agradeço também aos leitores aqui do B@belturbo, que não desistiram do blog mesmo nesse ano de preguiça e crise criativa do blogueiro. Espero que em 2012 seja bem diferente!!!

  

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Gelson Domingos...

Tivemos uma única reunião. O objetivo era planejar uma das viagens que a equipe do Salto fez nesse ano. Gelson foi o cinegrafista escalado e, como não trabalhava conosco habitualmente, quis saber mais sobre a nossa linguagem.
Foram alguns minutos de conversa, na qual Gelson falou de sua experiência, ouviu nossas orientações e, empolgado, falou de sua paixão pela cobertura policial.
Partiu pra viagem e fez um belo trabalho. Como era de costume em sua carreira bem sucedida. Carreira abreviada pela bala de fuzil que lhe perfurou o colete e roubou-lhe a vida na manhã de ontem.
Fiquei muito triste com a notícia. Pelo companheiro que se foi e pela crônica de tantas mortes anunciadas nessa cotidiana tragédia carioca. Pelas falhas que repetidas à exaustão, só oferecem oportunidades de reflexão em momentos como esse. Pelo colete que não suporta balas das armas mais usadas pelos traficantes do Rio. À prova de quê? À prova de quem? À prova do bom senso que falta às emissoras que, sedentas por audiência, insistem em arriscar seus recursos humanos nesse tipo de cobertura? Por que vamos, tão vulneráveis, atrás de uma polícia igualmente vulnerável em incursões como a de ontem, em Antares? Pra quem?
Precisamos desse jornalismo? Precisamos correr esse risco?
Não sei, de verdade...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pro meu pequeno GRANDE amigo...

Quantas conversas, quantas ligações, quantos caracteres digitados nos torpedos, messengers e whatsapps da vida? Quantas fotos, quantas festas, quantas risadas? Quantas partidas de videogame, quantos filmes na madrugada, quantas rodadas de jogos de tabuleiro? Quantos almoços, quantos jantares?
Quantos abraços? 
Quanto apoio?
Quanta força?
É engraçado...nem faz tanto tempo assim. Mas tudo é muito, né? Porque você é um cara muito bacana, Thi. Companheiro, amigo, divertido, presente, preocupado, generoso, paciente, compreensivo! Um cara inteligente, educado, parceiro mesmo! Um cara de quem eu tenho muito orgulho de poder dizer, hoje, que sou amigo de verdade. Por isso, nesse dia de alegria e felicidade, quero te agradecer por ser esse amigo tão importante na minha vida. E aviso logo: não abro mais mão da sua presença nela, tá certo?
E lembra das perguntas do início do texto? Pois é. Respondo a cada uma delas com a frase:
QUERO MUITO MAIS!!!
Um beijo do meu tamanho, amigo! Muita saúde, muitas conquistas, muitas vitórias - dentro e fora das pistas! E muita luz na sua caminhada, sempre! 

sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre o câncer de Lula e as redes sociais...

Ex-presidente descobre câncer na laringe e notícia mobiliza internautas de todo o Brasil...
A notícia da doença do ex-presidente pegou todos de surpresa no início da tarde desse sábado. Dias antes, um falante e sorridente Lula havia comemorado o aniversário, divulgado mensagem de agradecimento aos tuiteiros; sem que a tal rouquidão se fizesse destacar tanto. Convenhamos: Lula é rouco desde que o mundo é mundo...
Mas havia algo errado e os exames comprovaram a existência de um tumor de cerca de três centímetros de diâmetro na laringe do líder do PT. E como tudo o que acontece hoje em dia repercute numa velocidade impressionante, não tardou para que o fato ganhasse as redes sociais.
Navegando pelo twitter e pelo facebook, percebi que os usuários dessas redes olharam para a notícia de ângulos bem distintos. Enquanto muitos tuiteiros usaram a hastag de apoio #forçalula - alçada a um dos trending topics no Brasil - no facebook ganhava vulto uma campanha pedindo que o ex-presidente fizesse seu tratamento num dos hospitais ligados ao SUS - o Sistema Único de Saúde. Seria uma forma de "lembrar" ao ex-mandatário do estado em que se encontram os serviços públicos de saúde no Brasil.
A internet é livre, as pessoas são livres e, felizmente, vivemos numa democracia. Mas não posso deixar de dizer aqui que fiquei espantado ao notar que - ao menos entre as pessoas que aderiram à campanha e estão em meu facebook - dificilmente alguém optaria por se tratar no SUS em circunstância semelhante. Mas ele é um ex-presidente, deve dar o exemplo - podem dizer alguns. Aos que respondo que não é com campanhas demagógicas e vazias que se poderá mudar a realidade de um país tão complexo quanto o Brasil. E, mais ainda: que não é citando o caos no SUS numa ocasião como essa que faremos as coisas melhores. Quantos dos que aderiram à tal campanha se lembram das propostas de seus candidatos nas últimas eleições para a área da saúde? 
Além do mais, honestamente, acho desumano usar um fato pessoal e tão delicado para agir politicamente. Pega mal. É feio. Tanto que até mesmo adversários históricos de Lula se apressaram em soltar notas de apoio ao ex-presidente. 
Talvez eles saibam que política não se faz com o fígado. E nem com a exploração da doença alheia...