domingo, 28 de agosto de 2011

Da série: "a pergunta que não quer calar..." 103


Angélica, Gisele e a bolsa: sutileza zero!!!

É claro que a televisão tem que se sustentar e que, para isso, na maioria dos casos, conta com recursos vindos da publicidade. É claro que a publicidade pode ser genial, revelar tendências, lançar produtos extraordinários, alterar padrões de comportamento e, não raro, produzir comerciais tão ou mais interessantes que os próprios programas televisivos. É claro que a publicidade brasileira é uma das mais criativas do mundo - e não estou vivendo um momento de exagero patriota.
Dito tudo isso, vamos aos fatos. Ontem, no meio da tarde, liguei a televisão e me deparei com o programa de Angélica, o "Estrelas". Leve, descontraído, não exige grandes interpretações...ideal pra ver na hora do almoço. E lá estava a loira anunciando uma entrevista com Gisele Bündchen. Entre uma garfada e outra, olhava o papo das moças na telinha até que, de repente, estranhei uma bolsa colocada sobre a mesa, no meio da sala do apartamento da übermodel. Achei esquisito, porque celebridades não dão entrevistas em casa sem que tudo esteja cenograficamente disposto em seus devidos lugares. Intrigado, segui vendo o papo sobre a carreira de Gisele até que o rumo da prosa passou a ser os cabelos da top. E ela revela os segredos de fios tão bonitos: uma bisnaga de tratamento intensivo da Pantene.
Pergunta 1: Alguém acredita nisso?
Continuei olhando aquele merchandising tão agressivo quando, do nada, a tal bolsa voltou à cena: Gisele tirou lá de dentro uma necessáire e, como quem não quer nada, pegou dentro dela o tal produto milagroso. Tudo assim, casual. E, com a mesma naturalidade de um elefante sentado na primeira fila de uma ópera, explicou à entrevistadora como o tal produto deve ser aplicado nos cabelos.
Pergunta 2: Não teria um jeito menos grosseiro de fazer esse merchan não, minha gente?
Aí a conversa avança um pouquinho e Angélica revela não ter a tal bisnaguinha milagrosa - sem trocadilhos com o Huck, por favor. E Gisele Bündchen, a modelo mais generosa do mundo, dá um dos produtos para a entrevistadora.
Pergunta 3: Angélica não faz a propaganda dos produtos da Niéle Gold, gente? Como assim assume publicamente que a bisnaga da concorrência é mais poderosa e, como quem não quer nada, ainda pede um produto-rival para a entrevistada?
Eu hein!
PS.: Se quiser ver a entrevista na íntegra - e acompanhar esse nada sutil exemplo de merchandising, clique na foto.
Pergunta 4: Será que Angélica foi de táxi a Boston?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Resenha: Os Smurfs

Dos anos 80 para o cinema 3D: Os Smurfs conquistam o público do século XXI com um filme leve, delicado e divertido
Desde quando li as primeiras notícias que davam conta da realização de um filme sobre esses pequenos seres azuis, fiquei maluco! Os Smurfs são parte saborosa da minha infância, esse tempo que a cada dia fica mais longe, e do qual as memórias, curiosamente, cada vez parecem mais doces. Via as aventuras de Papai Smurf & cia no Xou da Xuxa, sentado no tapete da sala e rindo das trapalhadas do Desastrado - que sempre foi o meu smurf preferido.
Segunda, no cinema, entrei na máquina do tempo e fui reviver aqueles anos. Com muita felicidade, descobri que o azulzinho mais atrapalhado da turma é o protagonista do longa. Desastrado detona a ação e tem um final tipicamente hollywoodiano. E, mais que isso: fiquei surpreso com a magia do filme, que apresenta os Smurfs para as novas gerações sem soar didático ou piegas demais.
Mesmo muito cansado - e cochilando em uma parte ou outra, não por demérito do filme - gostei muito do que vi. Os Smurfs chegam ao século XXI aptos para vencer o desafio do 3D e oferecendo um tanto de doçura e afetividade que a gente não encontra nas animações surgidas nos últimos tempos. O humor é leve, sem apelações, o que não resulta num filme bobo. É produção da melhor qualidade, para crianças das mais variadas idades.
Gargamel, o vilão mais maluco de que se tem notícia, ganha vida num trabalho genial de Hank Azaria. Tão doido e caricato, o feiticeiro que quer acabar com a raça dos smurfs parece tão virtual quantos os seres azuis que tentam escapar de suas garras. E, falando em garras, Cruel, o gato de Gargamel, é outro ponto alto do filme.
Enfim, a viagem no tempo me fez muito bem. E foi dupla: além de lembrar dos meus tempos de moleque, ver Os Smurfs me fez lembrar de Nova Iorque, onde os pequenos azuis vivem as mais loucas aventuras. Ou seja: foi uma forma de matar as saudades em dose dupla. A diferença é que a Nova Iorque eu posso voltar. Já aos tempos de infãncia...só quando vier um filme novo dessa turma tão divertida.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Yes, I ♥ NY



Jamais vou esquecer a primeira visão que tive de você: imponente, com seus edifícios se erguendo no horizonte, cada qual mais alto e impressionante que o outro. Era de tarde, era verão. O céu estava azul e você parecia bem mais quente que nos filmes. Mas te reconheci no Empire States: era você, Nova Iorque, desnudando-se para meus olhos sedentos das aventuras, das paisagens, dos cheiros e dos sabores que, eu já sabia, você trataria de me revelar.

E revelou! Revelou o aroma do hot dog que se espalha por todas as suas esquinas, a explosão de luzes da Times Square, a tranquilidade dos gramados do Central Park e o burburinho da 5th Avenue. Você se mostrou pra mim chuvosa e ensolarada, de noite e de dia. Simples como um passeio de bicicleta e sofisticada como o interior dos teatros de sua Broadway de tão fantásticas produções.

Eu te olhei de cima do Rockfeller Center, vi tua cicatriz mais profunda e dolorida no Ground Zero e sofri com o calor absurdo de tuas entranhas enquanto esperava o metrô nesse verão escaldante. Fui feliz tomando café, smoothies e dançando nos teus clubs, nos teus embalos que vão de segunda a segunda! Comprovei que você realmente não para e nunca dorme! Vi teus táxis passarem por tuas ruas e avenidas e me senti mergulhado num filme. Cruzei você passeando numa limousine e me sentindo dentro de um sonho muito bom. Que, como todos os bons sonhos, também estava fadado ao fim...

Cheguei até aí com os dois pés atrás. Não tinha uma boa imagem da tua gente, tinha receio de não me adaptar ao teu ritmo frenético e me sentia inseguro quanto à capacidade de me comunicar com a tua língua. É com um largo sorriso que assumo: estava triplamente enganado. E é ciente desse triplo equívoco que anuncio: eu te amo, Nova Iorque! E espero te rever logo!



terça-feira, 28 de junho de 2011

Cupido está de greve!

Sobre a mesa, além de pilhas e pilhas de fotografias, a plaquinha não deixava dúvidas: aquele era o ambiente de trabalho do Cupido. Uma sala pequena, com um grande alvo pintado numa das paredes e uma infinidade de flechas destinadas ao treino diário do arqueiro mais famoso de que se tem notícia quando o assunto é amor. Mas a fama não andava das melhores...
Lá no Andar de Cima, o Departamento de Controle de Qualidade era rigoroso. Trabalhava com alta tecnologia. Toda vez em que alguém, em algum lugar do planeta, citava um dos colaboradores do Paraíso, as caixas de som reproduziam as falas em tempo real. Para Pedro eram comuns os pedidos de sol nos finais de semana, torcida para que as chuvas não fossem tão intensas e para que pusesse em bom lugar os novos habitantes. Cristóvão recebia mensagens de motoristas e familiares preocupados com as viagens pelas estradas. Edwiges, do Departamento Financeiro, vivia com calculadoras nas mãos, tentando resolver os imbróglios econômicos do povo da Terra. Maria - cheia de graça e de apelidos - vivia intercedendo por mães e filhos. E, assim, a grande equipe cuidava de gerir as coisas lá em cima, para que nada fugisse dos trilhos aqui embaixo.
Mas Cupido tinha virado um funcionário-problema. Eram diárias e muito numerosas as mensagens ouvidas no sistema de som do Paraíso. Vinham de todos os cantos! "Querido, a flecha que você enfiou aqui era pra enfiar lá também, na outra parte...INCOMPETENTE!!!", dizia um. "Enfia a flecha no...", bradava um sujeito mais rebelde. "Cego, sem pontaria!", queixava-se um terceiro. "Mantenha distância", clamava alguém traumatizado pelas flechadas equivocadas de outrora. Sem falar nos que tiravam sarro da pontaria errante: ‎"Óticas do Povo. Morou? Hahai".
Pobre Cupido. Raramente ouvia elogios. Ninguém queria saber de suas condições precárias de trabalho, da falta de assistentes, de sua miopia galopante, das lesões por esforço repetitivo e, mais que isso, do quão injustiçado se sentia toda vez em que alguém, depois de ser agraciado por uma flechada caprichada, atribuía os louros da conquista a Antônio - seu concorrente direto no Departamento Afetivo. Antônio tinha até um dia só para ele, ganhava missas e mais missas. E Cupido, em contrapartida, só ouvia queixas.
Foi então que decidira, tempos atrás, deixar correr frouxo. Pendurou o paletó na cadeira, deixou de praticar a pontaria e passava os dias de asas paradas, braços cruzados, deixando os reclamões se virarem aqui na Terra. Se ninguém mais levava fé em seu talento, não havia razão para provar seu dom. Sobrecarregado, Antônio também não dava conta do recado e o Departamento Afetivo entrou em colapso.
O Diretor-Geral andava preocupado com os rumos que a coisa estava tomando com a operação-padrão empreendida por Cupido. Mas não podia demití-lo: eram muitos anos de casa e as indenizações poderiam deixar o Paraíso no vermelho. E vermelho, vocês sabem, tem mais a ver com o laytout do subsolo...
Um dilema sem solução conhecida. E esse é o estado atual das coisas. Cupido segue de braços cruzados, Antônio continua incapaz de suprir a demanda e, cegos, todos nos perdemos e nos achamos aqui na Terra. Vivemos aos esbarrões, ora dando cotoveladas, ora recebendo abraços e beijos. Deixamos as coisas do coração ganharem ares de jogo de azar: apostamos na roleta, vemos nossas fichas serem levadas e, empobrecidos a cada fracasso, voltamos a tentar a sorte, cada vez menos certos de sua existência. De tropeço em tropeço, o cansaço vai nos vencendo e a tendência é valorizar o que não tem valor, e confundir o que realmente é precioso com o que é apenas mais do mesmo. 
É fato que a imprudência do Cupido nos deixou perdidos. Marcados por feridas deixadas por flechadas jamais cicatrizadas, fechamos nossas almas para novos encontros à espera de um momento ideal que, de fato, nunca chegará. Porque não se pode crer num momento oportuno para sentir o coração acelerar, as pernas tremerem e a boca secar só porque aquele alguém especial telefonou. Ou porque deixou de fazê-lo. Não há hora certa para sentir o peito apertadinho de saudade ou para os olhos molharem com a lembrança de um beijo. Não há dia perfeito para que todos os beijos da boca amada pareçam insuficientes diante da enormidade do nosso desejo.
E talvez você se pergunte: o que pode ser feito? Mensagens zangadas para o Cupido de pouco resolvem - há quem diga que os responsáveis pelo sistema de som do Paraíso andam providencialmente fazendo uma triagem para evitar reclamações sobre o tema. Portanto, o melhor a fazer pode ser seguir o conselho de Luzia: cuidar bem dos olhos. Porque, num desses esbarrões da vida, você já pode ter dado de cara com alguém especial sem ter sequer percebido. E deixar passar pode ser perigoso. 
A menos que você seja do tipo que, num cassino, não tem medo de arriscar tudo na roleta...

PS.: Glaucio Marfir, Thiago Dionisio Costa, João Gustavo Mello e Pedro Leonardo: obrigado pela colaboração! ;-)





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um bonde pra nós?

Olha lá você! Rindo pra mim, cantando os versos que eu amo repetir, movendo o corpo com ritmos que pulsam aqui dentro e me mostrando que o tempo não para! Rindo de mim, dos meus enganos, das minhas bobeiras...da minha cara! Lembrando pra esse alguém que andou perdido que nada é mais gostoso que um sorriso que brota do coração...
Olha só...eu! Contente, curtindo, saboreando esse presente da vida. Encontrando a diversão em novas companhias, abrindo o peito para encarar a vida e desencanar dela. Esse sou eu... descobrindo! Descobrindo como é você, como somos nós...e o melhor jeito de desatar nós que atrapalhem o "nós" que pode vir a ser...
Olha só...o bonde! Parado na estação, de portas abertas. 
Vagão vazio, convidativo...
Quem sabe uma viagem não cai bem?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dicas para quem quer sair da fossa...

É, minha gente, querendo ou não, a fossa tá aí, de boca aberta, pronta pra engolir qualquer um de nós quando a gente menos espera. Mas como ninguém tá nesse mundo pra ser a versão século XXI da Maysa, o B@belturbo preparou algumas dicas bem úteis para quem quer se ver livre desse sentimento ruim e dizer pra depressão: "sai daqui que esse corpo não te pertence!"
Lá vão elas:

1. Assuma que está sofrendo. Todos têm direito à felicidade, mas passar por momentos tristes faz parte da caminhada por essa vida. E fingir que eles não existem quando se está sofrendo é das piores mentiras que você pode tentar contar pra si mesmo.
2. Fuja das músicas que começam com solo de piano.
3. Fuja de Adele. Essa cantora fofinha só apareceu na Terra pra angustiar ainda mais os corações despedaçados.
4. Ocupe sua mente. O trabalho pode ser de grande valia para afastar pensamentos depressivos e preencher o vazio deixado pelo fim de uma relação.
5. Cerque-se de amigos verdadeiros. Atenção: o adjetivo "verdadeiros" não apareceu aqui gratuitamente. Verdadeiros são os amigos que vão enxugar suas lágrimas mas que, também, vão lhe dizer as verdades fundamentais para que você levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima.
6. Vá para a vida. Ficar em casa não vai fazer seus problemas sumirem.
7. Repense a rotina. Evite fazer os mesmos programas, ir aos mesmos lugares e manter as mesmas atividades que eram parte de seu dia-a-dia no período em que a relação estava bem. As lembranças podem ser dolorosas. E desnecessárias.
8. Fotos do casal? Esqueça-as. Nada de radicalismo: rasgar, deletar...é dispensável. Essas imagens são parte da sua vida e de sua história. Mas não fará mal algum deixar tudo longe de seus olhos por um tempo.
9. Faça coisas diferentes, conheça gente nova, visite novos lugares. Aproveitar um momento de mudança para começar a descobrir novas possibilidades para sua existência pode ser bem positivo.
10. Avalie sua presença nas redes sociais. Ou melhor: avalie as relações que você quer manter nas redes sociais. Fingir-se de forte para preservar o que não pode ser mais preservado pode lhe trazer ainda mais dor. Se for preciso, delete da sua vida virtual quem te deletou da vida real. É a garantia de não se ver surpreendido por fotos, declarações de amor e notícias que não são endereçadas à você e que só vão te deixar mais triste.
11. Se tudo isso não for suficiente para estancar esse momento de dor, relaxe. Tudo tem seu tempo e, com certeza, a tristeza também tem o dela. A parte que te cabe nesse latifúndio é tentar tirar lições dessa dor para, quando tudo acabar, você se sentir mais forte e preparado para cair na vida sem medo de ser feliz.

domingo, 12 de junho de 2011

De volta pra mim...

Aconteceu quando eu menos imaginava. Foi assim, numa noite, no meio de uma festa. Ouvindo uma dessas músicas que falam das coisas do amor, dançando no meio da multidão, fechei os olhos e vi. Vi você, leve, entregue ao momento, deixando-se levar por um clima de alegria e diversão. 
Gostei.
Abri os olhos e a visão da cantora boazuda no palco não me distraiu. Continuei pensando em como é gostoso estar na sua companhia, rir contigo e me divertir com os amigos que você escolheu e que verdadeiramente o escolheram. 
Sorri.
Sozinho, dançando, sorri de verdade, como há tempos não fazia. Um riso puro, tranquilo, em paz. Sorri por notar que você, que andou longe de mim, chegou para tomar novamente o seu lugar aqui dentro. Sorri por sentir a força tomar conta de mim novamente. 
Sorri pelo que você é. 
Sorri pelo que eu sou.
E sorri, veja só, por ter voltado a ser você!